Só três em 10 ainda aprovam o governo Bolsonaro

Pesquisa Modalmais/AP Exata divulgada nesta terça-feira aponta que 37,2% dos internautas consideram o governo Bolsonaro como ruim/péssimo e 34,6% avaliam como ótimo/bom, o que configura um empate técnico, uma vez que a margem de erro é de 3 pontos. 28,1% classificam o governo como regular.

O início da semana que antecedeu o Natal foi particularmente difícil para o governo. Vários fatores novos contribuíram para a queda da aprovação, como a prisão do prefeito Marcelo Crivella e o caso Oswaldo Eustáquio.

Outros casos anteriores ainda pesaram na avaliação negativa, como a contestação de decisões tomadas por Kássio Nunes Marques, no STF, e as repercussões do caso Abin/Flávio. Essas duas foram interpretadas como sinal de enfraquecimento da luta anticorrupção.

O início da vacinação em dezenas de países originou uma onda de cobranças ao governo. Os internautas referem que o Brasil está atrasado e não entendem porque países com menor poder de negociação conseguiram a vacina antes dos brasileiros.

Nas redes, o presidente Jair Bolsonaro justificou que nenhum laboratório pediu a aprovação da Anvisa, mas recebeu críticas até mesmo de alguns eleitores dele, que pedem mais pró-atividade do governo.

A candidatura de Baleia Rossi tem sido bastante atacada pela esquerda nas redes. O argumento é que Rossi é ainda mais governista que Arthur Lira, por ter votado muitas vezes com o governo. Há ainda resistência no PT pelo fato de o deputado ter sido a favor do impeachment de Dilma Roussef.

Tanto a militância da esquerda quanto os bolsonaristas defendem, nas redes, um candidatura mais alinhada ideologicamente com suas respectivas bases. Os dois polos se mostram incomodados pelo domínio do Centro. Rossi é atacado pela esquerda e pela direita briga interna.

A hospitalização de Oswaldo Eustáquio expôs uma racha entre apoiadores do presidente da República. A ala olavista exigiu uma manifestação da família Bolsonaro, que não ocorreu. O fogo amigo derrubou a popularidade do presidente na última semana. Nos últimos dias, no entanto, a militância digital da direita conseguiu uma pacificação relativa, ao apelar a uma união contra o “verdadeiro inimigo”, neste caso, Alexandre de Moraes. O ministro do STF e a restante Corte são apontados como um obstáculo à governabilidade. Olavo de Carvalho não entrou na polêmica, o que também serviu para acalmar os ânimos.

A pesquisa também avaliou que a inflação chegou à ceia de Natal. Encontramos muitas publicações enfatizando que, devido à alta de preços, o peru e o chester foram substituídos pelo frango. Também observamos muitos internautas lamentando por não ter dinheiro para comprar presentes.

Ainda segundo o levantamento, liberais protestaram nas redes contra a criação da NAV, chamada de “presente de Natal” para os militares. Analistas econômicos temem pela saída de Paulo Guedes, por não conseguir avançar com a agenda de privatizações e pelo fato do governo acenar com a criação de mais uma estatal. Também João Dória protagonizou um caso ao sair de férias para Miami no mesmo dia em que SP regressava à fase vermelha do lockdown (confinamento). Coincidiu ainda com adiamento do comunicado do Instituto Butantan, gerando muitas críticas ao governador. Bolsonaristas, em particular, acusaram Dória de hipocrisia. Apoiadores de Dória defenderam que, pelo menos, o governador deixou um cronograma de vacinação pronto, algo que Jair Bolsonaro não fez antes de viajar de férias para o Sul. Encontramos um pico sazonal nas menções positivas ao presidente da República, estimulado pela mensagem de Natal de Bolsonaro e da primeira-dama. No dia 25, o volume de menções positivas chegou a 47%. O cenário altamente negativo da semana passada vem sendo substituído aos poucos por uma tendência de crescimento das menções positivas. A militância bolsonarista tem utilizado hashtags como #Bolsonaro2022, #BolsonaroAte2026 e #FechadoComBolsonaroAte2026.

Nos últimos cinco dias, a confiança segue em números baixos, com medo e tristeza se sobrepondo no gráfico de sentimentos. A tendência antivacina está perdendo espaço, uma vez que diversos países estão vacinando sem registros de intercorrências graves. Apesar disso, segue a desconfiança em torno da CoronaVac. A narrativa das redes é que a vacina estaria no limiar dos 50% de imunização. A demora na comunicação da eficácia ajuda o discurso negacionista a se manter presente.

A AP Exata trabalha com uma tecnologia de análise de sentimentos, baseada em redes neurais artificiais, e no conceito de emoções da psicologia evolutiva. No caso da pesquisa de popularidade do governo, ela também é medida por inteligência artificial, mas com base na média das principais pesquisas brasileiras. As análises contemplam informações geolocalizadas, em 145 cidades de todos os estados brasileiros.

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