Só um em quatro jovens brasileiros poupa pensando na aposentadoria

Para economista, com desemprego e informalidade, pessoas se preocupam só com o consumo corrente e deixam de pensar no longo prazo'.

Há aproximadamente dois anos, o sistema previdenciário brasileiro passou por mudanças importantes. Entre elas, destaca-se a fixação da idade mínima para se aposentar: 65 anos para os homens e 62 anos para as mulheres. Com as novas regras para o Regime Geral (setor privado), o caminho da aposentadoria ficou mais longo para os brasileiros. A reforma da Previdência despertou uma preocupação com o futuro dos jovens da geração Z (nascidas a partir de 1995) que, segundo pesquisas recentes, se preocupam pouco com o futuro financeiro.

Levantamento realizado pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) mostra que 75% dos jovens da geração Z não se preparam para a aposentadoria. A pesquisa ocorreu em 2019, meses antes da promulgação da reforma previdenciária e, portanto, anterior à pandemia do coronavírus. Feito em parceria com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), o estudo aponta que, entre os entrevistados, apenas um em cada quatro jovens reserva dinheiro ou investe visando a aposentadoria.

A pesquisa buscou compreender junto aos jovens os motivos dessa baixa preocupação com a previdência. Ao todo, 78% afirmaram ter algum tipo de renda, porém 27% relataram não ter dinheiro o suficiente para investir na aposentadoria, enquanto outros 27% disseram ser muito jovens para se preocupar com o assunto.

Ainda de acordo com o estudo, 24% desses brasileiros justificaram que não sobra dinheiro para investir na aposentadoria, enquanto 21% apontaram que não sabem como fazer investimento na previdência.

Os dados retratam uma realidade brasileira em relação à educação financeira. É provável que haja uma correlação entre essa falta de preocupação com a aposentadoria e o conhecimento sobre finanças.

Para o economista Flávio Vasques Júnior, do Boston Consulting Group, o fato de a juventude brasileira não pensar na aposentadoria está muito associado à questão familiar e cultural. Ele também aponta para a ausência da educação financeira tanto nas escolas quanto nos ambientes familiares.

Entre as características dos jovens da Geração Z está o imediatismo, comportamento que joga contra as boas práticas financeiras e de investimento no futuro. Esse tipo de pensamento resulta na falta de planejamento econômico e pode ser um problema que o país enfrentará nas próximas décadas.

“Investir desde cedo permite ao jovem maximizar o efeito dos juros compostos no longo prazo. Com isso, os aportes mensais podem ser menores e o capital acumulado para custear a aposentadoria pode ser maior”, explica o economista.

Em relação ao cenário atual no país, Vasques Júnior chama atenção também para o problema do desemprego e da informalidade, que impõe uma série de questões preocupantes para o futuro da sociedade.

“Os altos índices de desemprego e informalidade geram incertezas no longo prazo para a economia e criam instabilidade na poupança dos trabalhadores para a aposentadoria”, afirma.

O Brasil registra hoje mais de 14 milhões de desocupados e mais de 34 milhões de trabalhadores sem carteira assinada, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse cenário indica que uma parcela significativa da população brasileira não está aplicando nenhum tipo de recurso visando a previdência, tanto no sistema público quanto na esfera privada.

“Como essas pessoas não conseguem ter períodos de estabilidade financeira, elas passam a se preocupar apenas com o consumo corrente e deixam de poupar para o longo prazo”, pontua o economista.

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