Sob o mesmo teto

Do governador de Minas Gerais, Itamar Franco, negando ter problema em se encontrar com o presidente FH e o ex-presidente Fernando Collor na posse do presidente do Supremo Tribunal Federal, Carlos Velloso, amanhã. “Vou esperar que o teto não desabe”, ironizou Itamar. Apesar das notícias plantadas em sentido contrário, Itamar segue criticando FH por se recusar a renegociar a dívida de Minas, apesar de ter revisado o acordo com o FMI.

Garfo
Ex-funcionários de um prestigiado jornal econômico que tentam sacar o dinheiro do FGTS têm o desprazer de constatar que os depósitos não são feitos há longo tempo. Isso depois de esses ex-empregados lerem no mesmo diário que os fundamentos da economia estão em franco processo de melhoria. Se a tunga não é causada pela crise, a explicação deve estar na antecipação da flexibilização trabalhista.

Crise
A divulgação de mais fitas comprometedoras alterou a agenda do presidente FH ontem. No início da manhã, a Secretaria de Imprensa e Divulgação informava que o presidente se encontraria às 15h com os ministros José Serra, da Saúde, e Pedro Parente, do Orçamento e Gestão. No início da tarde, a agenda mudou: FH se recolheu para despachos internos.

Alvo
Em seu programa de rádio, FH bradou ontem pelo desarmamento. São falsas as notícias de que o programa tem alguma relação com entrevista do deputado Jair Bolsonaro (PPB-RJ), domingo à noite.

Escolinha
O professor da PUC Gustavo Franco declarou que a desvalorização do real não foi uma alternativa “muito brilhante”. A declaração do professor era uma defesa da política de sobrevalorização do câmbio desenvolvida pelo então presidente do Banco Central, Gustavo Franco, e que, articulada à abertura comercial unilateral e aos juros escorchantes, produziu um rombo nas transações correntes do país em quatro anos superior a US$ 100 bilhões. Em matéria de brilhantismo, Franco não faz por menos.

Cartel telefônico
O anúncio do reajuste linear das tarifas telefônicas em 8,51%, em junho, mostra que a indexação só acabou para os salários. Mais grave, porém, que a aplicação da política “do bolo de aniversário” – para usar palavras do ministro Pedro Malan contra os reajustes automáticos de tarifas – é a ameaça de que a assinatura básica poderá ser aumentada em até nove pontos percentuais acima do reajuste geral, ou seja, em 17,51%.
Custo FH
Só para relembrar: no início do governo FH a tarifa básica custava R$ 0,61. Hoje, antes da nova ameaça de tarifaço, custa R$ 16,57, um aumento em quatro anos e meio de 2.616,39%! E Sérgio Motta ainda costumava vociferar - antes do escândalo das fitas, claro – que a privatização era para baratear os serviços públicos.

Nuclear
Aplicações da energia nuclear no mundo e no Brasil serão abordadas em palestra que a Secretaria de Energia, Indústria Naval e Petróleo promove hoje, a partir de 9h30, na Rua da Ajuda, 5 – 11º andar. Participarão o presidente da Associação Brasileira de Energia Nuclear (Aben), Everton Carvalho, e o assessor da Presidência da Eletronuclear Jair Albo.

Medalha
O secretário de Desenvolvimento Econômico e Turismo do Estado do Rio de Janeiro, Tito Ryff, recebeu ontem a Medalha do Mérito Industrial, oferecida pelas indústrias fluminenses no Dia da Indústria. Também foram agraciados o presidente do Sindicato da Indústria de Produtos Químicos e diretor da Petroflex, Isaac Plachta, e o empresário Ubirajara de Oliveira, presidente da Café Faraó, de Volta Redonda. Numa prova de que a medalha é mais ampla do que poderiam gostar alguns homenageados, também foi agraciado o presidente do BNDES, José Pio Borges, que mais uma vez anda às voltas com o escândalo das fitas da privatização da Telebrás.

Premonição ou advertência
Do líder do PFL na Câmara dos Deputados, Inocêncio de Oliveira, pouco depois de Luiz Carlos Mendonça de Barros ser eleito para uma das vice-presidências do PSDB: “Acho melhor o Mendonça de Barros ficar calado, porque ainda tem muita fita por aí.” Ontem, no entanto, Inocêncio engrossava o coro do “café requentado” com que o governo tentava desqualificar o prato cheio servido à opinião pública pela Folha de S.Paulo.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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