Sobra

À época da privatização da Telebrás era comum ouvir, como argumento pró-venda, que o número de telefones por habitante no Brasil era baixo, inferior a países como Argentina, Itália, Espanha, para não falar nos Estados Unidos. Analistas menos comprometidos com o fundamentalismo privatista, porém, alegavam que seria preciso considerar, além da quantidade de terminais e do tamanho da população, a renda, encontrando-se um índice de número de linhas por renda per capita. Nesse ranking o país aparecia entre os primeiros colocados, à frente da maioria dos países da América Latina e mesmo da Europa. Passados três anos da venda da Telebrás, o que se vê são as novas teles privadas sofrendo para cumprir a meta de instalação de terminais – a falta de linhas se restringe a algumas regiões de poucas cidades – enquanto enfrentam aumento da inadimplência. Na Telemar, a maior operadora, a taxa de desligamento de telefones, por falta de pagamento ou desistência do assinante, está beirando os 10% do número de linhas instaladas. A razão ficou com aqueles que identificaram que o número de telefones instalados no Brasil na época estatal acompanhou a capacidade da população em pagar o serviço – com algumas exceções, como o Rio de Janeiro, onde a falta de linhas se devia à incompetência da Telerj. Contribui para o aumento da inadimplência e sobra de terminais a brutal elevação dos valores cobrados pós-privatização – a tarifa de assinatura subir espantosos 2.600% no período entre 1996 (início do processo de venda) até hoje.

Arraiá
Em plena campanha – a princípio para presidente – o governador Anthony Garotinho bate ponto neste sábado na Feira de São Cristóvão, tradicional local de encontro dos nordestinos no Rio de Janeiro. Acompanhado da primeira-dama Rosinha, ele abre os festejos juninos na cidade com um show de Elba Ramalho, patrocinado pelo Governo do Estado e Secretaria de Cultura.

Fantoche
O mercado financeiro argentino foi agitado esta semana por fortes boatos sobre a saúde do presidente Fernando de la Rúa. O presidente, que, sexta-feira passada, fora submetido a uma angioplastia para desobstruir a artéria coronária direita, voltou ao trabalho no início da semana, mas persistiram os rumores de que ele teria um problema mais sério de saúde. Os boatos foram estimulados pela declaração do ministro da Saúde, Héctor Lombardo, de que o presidente sofre de arteriosclerose, doença associada à incapacidade mental. O chefe de gabinete do presidente, Christian Colombo, pediu a renúncia de Lombardo, mas a nomeação de Domingo Cavallo – que amealhou parcos 10% dos votos nas eleições para presidente – para ministro com poderes excepcionais parece dar razão a Lombardo.

Vendendo ar
A Telemar parece ter descoberto uma fonte extra infalível para aumentar sua arrecadação: cobrar por serviços do 102 que não foram solicitados pelo usuário. Este mês, um cliente recebeu, pela terceira vez consecutiva, cobrança por consultas ao 102 que não fez.

Abismo
A se confirmar a nova queda dos juros básicos norte-americanos para 3,75% ao ano, como prevêem entre outros, o Lloyds TSB, o Banco Central do Brasil terá de recorrer a malabarismos retóricos cada vez mais complicados para justificar a nova alta da Selic que pretende perpetrar na próximo reunião do Comitê de Política Monetária (Copom). Caso o Federal Reserve – o BC pós-moderno dos EUA – sancione as previsões dos analistas, a diferença entre a taxa básica dos dois países saltará para 13 pontos percentuais. Esse spread abissal deve servir de alerta mais do que suficiente para Armínio Fraga & Cia não cometerem novo desatino na próxima reunião do Copom.

O sonho acabou
A produção da indústria – carro-chefe de qualquer economia não virtual – está em queda  livre há nove meses nos Estados Unidos. A informação é de David Gulley, economista-sênior de metais da PricewaterhouseCoopers LLP. Ele destaca que o efeito do recuo consecutivo da produção industrial sobre o setor de  fabricação – um dos principais usuários de metais – tem sido significativo. Gulley ressalva apenas que a queda das vendas de veículos e da construção de casas ainda não seria “alarmante”.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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