Socialismo de mercado

O Goldman Sachs destinou, ano passado, US$ 12,22 bilhões (cerca de R$ 22 bilhões) para remunerar seus 33.300 empregados, 21% menos do que em 2010. Entre um ano e outro, porém, o quadro de funcionários do principal banco de investimento dos Estados Unidos foi reduzido em 7%. Cada um dos 33.300 empregados embolsou, em média, US$ 366.967 (cerca de R$ 650 mil). Ano passado, o Goldman lucrou US$ 2,51 bilhões (US$ 4,45 bilhões), 67,5% menos do que em 2010.

Socialismo de mercado – 2
O Goldman, que a exemplo dos seus congêneres do mercado financeiro, recorre ao mantra da redução de direitos sociais, dos outros, claro, “para conquistar a confiança do mercado”, destina 42,4% dos seus ganhos a sua folha de pagamentos. Essa não é a única contradição entre os paradigmas defendidos pelo banco e os que ele pratica. Após a crise de 2008, o Goldman embolsou US$ 10 bilhões do contribuinte estadunidense, via Programa de Alívio para os Ativos com Problemas do Tesouro dos Estados Unidos (Tarp, na sigla em inglês). Apesar disso, pouco depois, o presidente financeiro da instituição, David Viniar, se queixava das restrições impostas aos bancos beneficiados com dinheiro público na definição da remuneração nababesca de seus executivos.

Ganho fácil
O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, admite que os bancos europeus podem estar praticando o carry trade, “pois o BCE (Banco Central Europeu) financia o risco a juro baixo e os bancos ganham com os juros altos pagos pelos títulos públicos dos países em crise”. Ele reconheceu que quase 500 bilhões de euros liberados para os bancos não estão sendo repassados para empresas e famílias – e tampouco evitaram a quebra de mais de 300 bancos em 2011, somente na Europa.

Sem catástrofe
Para Coutinho, o cenário externo está “incerto e volátil”, sobretudo por causa da crise na Europa, mas não há possibilidade de “catástrofes”, por causa da intervenção do Banco Central Europeu.
Quanto aos EUA, o presidente do BNDES apontou que há setores em recessão, como o imobiliário, e outros em franca expansão. “Novas descobertas de reservas de gás, por exemplo, derrubaram os custos do aquecimento no inverno. Por outro lado, há empresários com recursos robustos para financiar a inovação”.
Finalmente, sobre a China, Coutinho espera uma desaceleração branda, sem riscos à economia mundial.

Renda não é problema
Relatório do Fórum Econômico Mundial baseado em entrevistas com 469 especialistas da indústria, governos, o mundo acadêmico e a sociedade civil, analisa os riscos globais econômicos, ambientais, geopolíticos, sociais e tecnológicos. Os cinco maiores riscos em termos de probabilidade são: enormes disparidades de renda, desequilíbrios fiscais crônicos, aumento das emissões de gases de efeito estufa, ataques cibernéticos e crise de abastecimento de água.
Porém, em termos de impacto, a disparidade de renda desaparece. A lista é encabeçada por colapso financeiro sistêmico grave, vindo a seguir: crise de abastecimento de água, crise pela falta de alimentos, desequilíbrios fiscais crônicos e extrema volatilidade dos preços de produtos agrícolas e de energia.

Democracia
Com 75% dos votos, a chapa 2 venceu as eleições da Associação de Engenheiros da Petrobras (Aepet). Para o vice-presidente eleito, Fernando Siqueira, foi uma vitória da democracia: “Apesar da diferença significativa de votos, a chapa 2 venceu, mas, fundamentalmente, venceu a democracia. Duas chapas de grandes companheiros disputaram com lisura, respeito e um nível elevado de comportamento durante o pleito. A entidade saiu fortalecida e seguirá a sua luta pela Petrobras, pelo seu corpo técnico e pela soberania nacional, como nos seus primeiros 50 anos”, avalia o engenheiro, que aponta como uma das prioridades da nova direção “a defesa do Projeto de Lei que recupera a propriedade do petróleo para a nação”.

O explosivo
Se o homem é o estilo, o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), expôs como poucos sua alma ao adotar medida radical contra os bueiros-bomba com que a Light e a CEG ameaçam os que circulam pelas ruas da capital: proibiu os motoristas de estacionarem sobre os bueiros. O próximo passo, talvez, seja multar os pedestres que danifiquem os bueiros com os quais se choquem.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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