Sol poente

“É a maior bolha do mundo, mais importante que a que estourou na (bolsa eletrônica norte-americana) Nasdaq”. O alerta foi dado pelo vice-presidente da Goldman Sachs Asia, Kenneth Courtis, em entrevistas à Agência France Press este mês. Courtis afirmou que a combinação de dívida pública inchada e juros próximos a zero criou condições para uma quebra dos mercados de títulos, que teria repercussões globais. Segundo o boletim Solidariedade Ibero-americana, editado no Brasil pelo MSIA, citando dados do Institute of American Enterprise, a dívida nacional japonesa chega a quase 18% do PIB global. “Se o governo do Japão fosse uma empresa teria, no máximo, qualificação de bônus-lixo (junk bonds)”, afirmou uma fonte do instituto. Os Estados Unidos seriam especialmente vulneráveis a uma crise no mercado japonês, pois depende do parceiro para fechar um déficit em conta corrente acima de US$ 400 bilhões.
Com taxa de juros próxima a zero, o Japão é um convite para especuladores internacionais pegarem empréstimos e aplicarem em bolsas de valores, especialmente em Nova York. Os títulos do governo japonês, apesar de todos estes problemas, continuam com cotação máxima na avaliação das agências de risco internacionais. Noventa e cinco por cento da dívida está na mão de poupadores e investidores individuais, num montante de US$ 12 trilhões – ou um terço da poupança mundial. À taxa atual, a dívida do país atingiria 290% do PIB nacional em 2010; no Brasil, onde já está num nível preocupante, a relação está em 50% do PIB.

Futuro impresso
A indústria de jornais no Brasil teve uma boa performance, porém o futuro está sob pressão. O alerta é de Jorge Fergie, sócio-diretor da McKinsey & Co., uma das maiores empresas de consultoria do mundo. Ele será um dos palestrantes do 3º Congresso Brasileiro de Jornais e 1º de Fórum de Editores, que a Associação Nacional de Jornais (ANJ) realiza dias 13 e 14 de agosto, no Sheraton Hotel & Towers, no Rio de Janeiro. A palestra de Fergie será sobre “Futuro dos jornais brasileiros; o mundo após a Internet”, e vai analisar a indústria de jornais, que vem passando por transformações profundas em diversas dimensões.

Alternativos
Nos Estados Unidos é possível achar o jornal Homeless Voice, da comunidade dos sem-teto, um dos muitos da imprensa alternativa. Apesar da impressão ultrapassada, está cheio de anúncios – de barbearias e padarias a corretoras de seguros, já que sem-teto norte-americano não é tão desamparado quanto os do Terceiro Mundo. No Brasil, um exemplo semelhante – mas muito mais luxuoso – é a revista Rumo Certo, distribuída na favela da Rocinha, Zona Sul do Rio de Janeiro. Editada pela ONG Instituto Rumo Certo, com apoio financeiro da Capital Services, a revista conta com anunciantes como Casas Bahia e Furnas, atentas ao marketing social.

Câmbio
O professor e pesquisador do Colégio de México Gerardo Esquivel Hernandez acredita que, ao menos na América Latina, “o que determina uma crise é uma mudança súbita na taxa de câmbio”. Ontem, no seminário “Arquitetura Financeira Internacional”, promovido pela Fundação Getúlio Vargas (FGV-RJ), ele contabilizou que, nos últimos 25 anos, “diminuiu a vulnerabilidade externa no continente”. Segundo o professor, “entre 1976 e  1990, a média era de 2,44 países em crise por ano. Já entre 91 e 2000 esta média caiu para 1,1”.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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