Solidão é pior que tabagismo e obesidade e afeta economia

Segundo a Organização Mundial da Saúde, solidão afeta pessoas de todas as idades, renda e regiões

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solidão, mulher sozinha em uma escadaria
Solidão (foto Pixabay)

A solidão traz riscos para a saúde tão graves como fumar até 15 cigarros por dia, e ainda maiores do que os associados à obesidade e à inatividade física, alertou o cirurgião-geral dos EUA, Vivek Murthy. Ele é copresidente de uma nova Comissão sobre Ligação Social, criada pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para abordar a solidão como uma ameaça premente à saúde.

A desconexão social também pode levar a piores resultados na educação; os jovens que vivenciam a solidão no ensino médio têm maior probabilidade de abandonar a universidade. Também pode levar a resultados econômicos mais fracos; sentir-se desconectado e sem apoio em seu trabalho pode levar a uma pior satisfação e desempenho no trabalho.

Também copresidida pelo Enviado da Juventude da União Africana, Chido Mpemba, a Comissão é composta por 11 decisores políticos, líderes de pensamento e defensores sociais. Com duração de três anos, analisará o papel central que a ligação social desempenha na melhoria da saúde de pessoas de todas as idades e delineará soluções para construir ligações sociais em grande escala.

Ao contrário do senso comum, o isolamento social – ter um número insuficiente de ligações sociais e solidão – e a dor social de não se sentir conectado não afetam somente as pessoas mais velhas nos países de rendimento elevado e têm impacto na saúde e no bem-estar de todas as faixas etárias em todo o mundo.

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Uma em cada quatro pessoas idosas sofre isolamento social, e as taxas são amplamente semelhantes em todas as regiões. Entre os adolescentes, entre 5% e 15% experimentam solidão, de acordo com resultados de pesquisas. No entanto, estes números são provavelmente subestimados.

Tedros Adhanom, da OMS (Foto: Elma Okic/ONU)
Tedros Adhanom, da OMS (foto de Elma Okic/ONU)

“Altas taxas de isolamento social e solidão em todo o mundo têm consequências graves para a saúde e o bem-estar. Pessoas sem ligações sociais suficientemente fortes correm maior risco de acidente vascular cerebral, ansiedade, demência, depressão, suicídio e muito mais”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus.

A falta de ligação social acarreta um risco equivalente, ou até maior, de morte precoce que outros fatores de risco mais conhecidos – como o tabagismo, o consumo excessivo de álcool, a inatividade física, a obesidade e a poluição atmosférica.

A solidão também tem sérios impactos na saúde física e mental; estudos mostram que tem sido associada à ansiedade e à depressão e pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares em 30%.

A nova Comissão da OMS que abordará a solidão definirá uma agenda global sobre conexão social; aumentar a sensibilização e construir colaborações que impulsionem soluções baseadas em evidências para países, comunidades e indivíduos. Esta agenda tem um significado particular neste momento, dada a forma como a pandemia e as suas repercussões sociais e econômicas minaram as ligações sociais.

A Comissão realizará a sua primeira reunião de liderança de 6 a 8 de dezembro de 2023. O primeiro resultado importante será um relatório que será divulgado por volta da metade da iniciativa, prevista para durar três anos.

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