Solução final

O Fundo Monetário Internacional (FMI) decidiu extrapolar em suas proposta de regressão social, visando a resolver o que apresenta como o “problema da previdência social”. O FMI justifica a defesa de propostas como a redução de aposentadorias e aumento da idade para se aposentar com o bizarro argumento do “risco de que as pessoas vivam mais do que o esperado.” É o que os economistas do fundo, comandados pelo José Viñals batizaram de “risco de longevidade”.

Risco vida
Pelos cálculos dos darwinistas sociais do FMI, se o tempo de vida médio aumentar três anos mais além do previsto para 2050, o “custo do envelhecimento” cresceria 50%” nas economias avançadas, tendo como referência o PIB de 2010. Para os países emergentes, o FMI estima esse “custo adicional” em 25%. Os cálculos e recomendações fazem parte de um rascunho do documento que o FMI vai apresentar na sua reunião de cúpula semestral: “Viver mais é bom, porém, leva a um risco financeiro importante”, prega Viñals.

Nababos
Ao mesmo tempo em que pousa de austero ou, a depender do olhar do observado, de socialmente perverso em relação à aposentadoria dos outros, o FMI é bem mais generoso quando se trata de distribuir benesses entre os seus. No fundo, os menores salários, pagos a motoristas, variam de US$ 2.360 (cerca de R$ 4,3 mil) a US$ 3.538 (cerca de R$ 6,4 mil). No topo dos marajás, o diretor-gerente do FMI embolsa US$ 31.365 (cerca de US$ 57,3 mil) mensais, mais uma ajuda de custo de US$ 5.165 (cerca de US$ 9,4 mil) por mês. Tudo isso, livre de impostos, tanto nos Estados Unidos, quanto no país de origem. Como se vê, austeridade apenas para os outros.

10 estrelas
Fiel ao padrão FMI de austeridade, o então diretor-geral do FMI, Dominique Strauss-Kahn, pagava diárias de US$ 3 mil no Hotel Sofitel, em Nova York, onde se envolveu num escândalo sexual com uma camareira, que levou a sua renúncia ao cargo.

Democracia à Miami
O treinador da equipe de beisebol dos Los Marlins, de Miami, o venezuelano Osvaldo Guillén, foi suspenso por cinco partidas. Motivo: em entrevista à revista Time, Guillén declarou seu respeito e admiração pelo presidente de Cuba, Fidel Castro. Diante da campanha comandada pelos meios de comunicação locais e dos insultos e ameaças a sua integridade física, o treinador, que incluíram o prefeito do condado de Miami-Dade, Carlos Giménez, que pediu a demissão do treinador, este viu-se obrigado a retratar-se publicamente. Sanção que incluiu ainda críticas compulsórias ao presidente da Venezuela, Hugo Chávez, a quem, em 2005, ao ganhar as Séries Mundiais, Guillén saudara, gritando “Viva Chávez!”

Curral do Paes
A alienação de certos políticos em relação ao cotidiano da população produz coisas assim. O prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), decidiu confinar os pedestres em grades que separam a calçada da Avenida Presidente Vargas. Segunda-feira, em pleno temporal no fim da tarde, passageiros que desciam nos pontos perto da Central do Brasil não conseguiam caminhar nem para a gare nem para o terminal rodoviário. Encurralados pelas grades, eram obrigados a retornar, enfrentando além do temporal, a água levantada pelos carros que passavam pelas poças formadas nas ruas. Caso Paes andasse menos de helicóptero e uma vez por mês de ônibus, certamente, o tratamento ao contribuinte melhoraria.

República dos Idiotas
Embora de poucos resultados efetivos, a visita da presidente Dilma aos Estados Unidos resultou numa contribuição simbólica que tem o seu valor. Ela ajuda a reduzir o NIN (Nível de Idiotia Nacional). É que, durante a campanha eleitoral, entre o festival de baboseiras que pipocaram em sites obscuros da internet, um assegurava que, se eleita, Dilma não poderia ir ao país de Obama, sequer à ONU – embora esta tenha status internacional – por ter participado do “sequestro do embaixador dos EUA”. Pois bem, para esse tipo de “pensador”, a visita deveria ser um “furo” mundial.

Realinhamento eleitoral
Domingo de Páscoa, um jovem se prepara para atravessar o sinal para a Praia de Ipanema, quando vê o ex-deputado Fernando Gabeira (PV), pedalando sua bicicleta, emparelhar ao seu lado e provocou: “Quem fuma e quem cheira, vota no… Sérgio Cabral.”
Sem conter a gargalhada, Gabeira devolveu: “Infelizmente, é verdade.”

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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