Sonho de consumo de brasileiros é ‘resto de rico’

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Carros de Porsche são mostrados na terceira Exposição Internacional de Produtos de Consumo da China (CICPE) em Haikou, a cidade capital da Província de Hainan no sul da China, em 10 de abril de 2023. (Xinhua/Zhang Liyun)

Nos últimos anos, os brasileiros presenciaram um aumento drástico no preço dos carros zero quilômetro, o que levou os consumidores a procurarem outras alternativas na hora de comprar um veículo. Sem dúvidas, uma dessas alternativas está no mercado de automóveis seminovos e usados. Além disso, outro atrativo dos modelos seminovos é o valor. A média de preços no mercado de carros usados caiu 7,6% no Brasil nos últimos 12 meses. A categoria que mais desvalorizou, segundo os dados da Bright Consulting, foi a dos hatchbacks, que ficou 11% mais barata.

O resultado acontece em um momento de mercado aquecido no volume de vendas. Para efeito de comparação, os seminovos vendem até 5,9 vezes mais que veículos novos no país.

Mas, se os usados e seminovos podem ser uma boa opção de custo-benefício para quem deseja adquirir um carro, há alguns cuidados que devem ser tomados para que o comprador não fique no prejuízo. Um desses cuidados está nos chamados “restos de rico”, isto é, carros de luxo que, após alguns anos de uso, voltam para o mercado com preços atrativos.

“Hoje em dia, vivemos a febre dos SUVs que, em suas versões de entrada, tendem a custar mais de 100 mil reais por um nível básico de equipamentos. Quem é que não gostaria de gastar esse mesmo valor por um carro de luxo, que entrega mais conforto, tecnologia e potência? Mas, muitos consumidores esquecem de alguns fatores importantes na hora de escolher um veículo, como, por exemplo, o custo para mantê-lo”, ressalta Yago Almeida, CEO da Olho no Carro.

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Segundo Almeida, ao cogitar a compra de um carro de luxo usado, é necessário ter em mente o que isso representa financeiramente a curto, médio e longo prazo. Nesse sentido, é necessário que o comprador se prepare, não apenas analisando o histórico do veículo e o valor pelo qual o mesmo está sendo ofertado, mas entendendo também os custos de seguro e manutenção, que tendem a ser elevados se comparado a veículos mais básicos.

Range Rover (foto divulgação Land Rover)
Range Rover (foto divulgação Land Rover)

Almeida explica que A Olho no Carro, plataforma de consulta veicular para pessoas físicas do país, pode ajudar com isso. Apenas com a placa ou o número do chassi, o site analisa aproximadamente 30 itens sobre o veículo. Em poucos minutos, é possível saber informações como os preços de peças, as principais falhas que o modelo apresenta e avaliações de donos de veículos iguais.

Com apenas a placa ou o número do chassi do carro, o consumidor consegue fazer duas modalidades de consulta na plataforma da Olho no Carro: uma mais simples, sem custo; e uma mais completa, por R$ 59,90. Ao total, é gerado um relatório de mais de trinta itens, que vão desde informações sobre a passagem do carro por um leilão, por exemplo; se tem sinistro, se foi roubado ou se já participou de algum recall. Também é possível saber preços de peças e revisões e a opinião de outros donos que possuem o mesmo modelo.

Site da Olho no Carro
Site da Olho no Carro (Imagem: Internet)

Almeida separa uma lista com cinco itens que devem ser evitados por aqueles que não querem dores de cabeça:

Suspensão de ar da Land Rover

Que a marca Land Rover é conhecida por ter carros de alto custo de manutenção, isso é fato. No entanto, com um design único, os modelos da montadora inglesa caíram no gosto dos brasileiros. Os problemas que o dono de uma Land Rover usada pode enfrentar são diversos, como a troca da correia dentada dos modelos Discovery 3 e 4, porém, o maior abalo financeiro acontece quando é preciso trocar as bolsas de ar dos modelos equipados com suspensão pneumática.

Transmissão de dupla embreagem da Volvo

O modelo XC60 fez muito sucesso e ajudou a consolidar a Volvo como uma das marcas de luxo mais desejadas no Brasil. Porém, os exemplares vendidos até 2014 na versão 2.0 de quatro cilindros são equipados com a transmissão automatizada de dupla embreagem conhecida como Powershift, que causou e pode causar muitas dores de cabeça para os donos do modelo, principalmente pela sua fama de dar problema e pelo seu alto custo de substituição.

Motor N46 da BMW

Com um visual mais agressivo, a BMW chama a atenção de muitos entusiastas por carros. Ainda assim, é preciso tomar alguns cuidados na hora de comprar um veículo usado da marca. Entre os anos de 2010 e 2012, os modelos 320i, 120i e X1 da BMW tinham a opção de serem equipados com o motor 2.0 aspirado conhecido como N46. No entanto, esse motor apresenta um defeito na vedação da tampa e dos retentores de válvulas, o que pode desencadear em um vazamento de óleo e, portanto, diversos outros problemas que certamente causarão dor de cabeça para os donos de veículos destes modelos.

Motor M271 da Mercedes-Benz

A Mercedes-Benz está no topo da lista dos sonhos de muitos motoristas, principalmente por causa do seu visual mais clássico. No entanto, é aconselhável prestar uma atenção especial quando o assunto é o motor M271, que equipou diversos modelos entre os anos de 2008 e 2013 – como no caso do C180, do C200 e do C250. O motor em questão pode apresentar um desgaste prematuro nas engrenagens do comando de válvulas e gerar um grande prejuízo para seus donos.

Porsche

O apelo esportivo dos modelos da Porsche sem dúvidas chama a atenção de muitos compradores. No entanto, não é apenas o design que vai para um lado mais esportivo, as peças também vão. Desenvolvidas com materiais nobres e muita tecnologia, as peças que equipam os modelos da Porsche têm um valor proporcionalmente mais caro em relação a todas as outras marcas que estão nessa lista.

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