SP: vendas de imóveis residenciais novos crescem em junho na capital

Sindicato da Habitação aponta aumento na comercialização pelo segundo mês consecutivo.

Conjuntura / 16:27 - 31 de jul de 2020

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A Pesquisa do Mercado Imobiliário do Secovi-SP (Sindicato da Habitação) apurou em junho a comercialização de 2.984 unidades residenciais novas na cidade de São Paulo. O resultado foi 24,1% maior que o mês anterior (2.405 unidades), e 56,0% abaixo das vendas de junho de 2019 (6.789 unidades). No acumulado de 12 meses (julho de 2019 a junho de 2020), as 46.480 unidades comercializadas representaram um aumento de 23,7% em relação ao período anterior (julho de 2018 a junho 2019), quando foram negociadas 37.569 unidades.

A capital paulista encerrou o mês de junho com a oferta de 31.225 unidades disponíveis para venda - quantidade de oferta 3,7% inferior à registrada em maio de 2020 (32.438 unidades), e 31,8% acima do volume de junho do ano passado (23.691 unidades). Esta oferta é composta por imóveis na planta, em construção e prontos (estoque), lançados nos últimos 36 meses (julho de 2017 a junho de 2020).

 Os imóveis de dois dormitórios destacaram-se no mês de junho em todos os indicadores: vendas (2.044 unidades), oferta (17.894 unidades), Valor Global de Venda (R$ 584,7 milhões), Valor Global de Oferta (R$ 5,6 bilhões), lançamentos (1.231 unidades) e no índice Venda Sobre Oferta (10,3%), resultado das 2.044 unidades comercializadas em relação aos 19.938 imóveis ofertados.

Também a pandemia do novo coronavírus mudou a realidade das pessoas em todo o mundo, tanto na vida pessoal, como profissional. Considerado uma medida eficaz contra a disseminação do vírus, o isolamento social trouxe novos hábitos para a rotina diária dos indivíduos, como passar mais tempo em casa e menos ou nenhum período no local de trabalho. Ainda segundo o Secovi, novos costumes geram novas tendências e isto já está sendo observado no setor imobiliário.

E essa mudança, segundo o CEO da Epar Business Experts e sócio da Alug+, Eduardo Luíz, tem mais relação com a latência do que com uma tendência propriamente dita. "As pessoas estavam com necessidades reprimidas, que acabaram sendo impostas a elas por determinadas tipologias de produtos e unidades habitacionais. E, neste contexto, essa crise do novo coronavírus fez aflorar um pouco dessa latência."

Eduardo comenta que há um movimento crescente na busca por casas e loteamentos, principalmente devido à necessidade cada vez maior das pessoas de terem posse de espaços maiores, bem como de locais capazes de serem catalisadores e formadores de bem-estar.

Isso porque, em meio à pandemia, houve uma mudança nos aspectos considerados essenciais em uma moradia. Se antes, as pessoas tinham menos tempo dentro de caso e, por isso, procuravam por locais mais práticos, funcionais e de baixo custo, hoje, com o isolamento social, migrou-se para uma busca por comodidade e bem-estar, o tornando um espaço de convívio e não de apenas moradia.

"O produto que precisa ser oferecido atualmente é aquele que vai entregar conforto, um pouco mais de espaço, estruturas para o home office e meios de que a relação familiar seja mais próxima, como áreas comuns", pontua.

Além do aumento pela busca de locais que atendem às necessidades do comprador, bem como um movimento de moradias entre apartamentos e residências, como casas e condomínios, o CEO da Epar Business Experts explica que mudanças no ramo de moradias em prédios também sofreram mudanças.

"Antes, era comum e aceitável que fossem entregues prédios com características aquém, no que diz respeito a espaço, mas com um local comum que 'enchia os olhos', como as áreas de lazer, por exemplo. Mas, hoje, não se pode ter acesso a esse tipo de compartilhamento com naturalidade. Então, os apartamentos vão ter que sofrer adequações, ser um pouco maiores e oferecer salas, varandas e locais de trabalho dentro do apartamento em si."

Eduardo destaca, ainda, que mesmo com a crise financeira, em função da pandemia causada pelo novo coronavírus, não há perspectiva de queda nos preços de casas, loteamentos e unidades habitacionais, justificando-se pela demanda constante.

"O Brasil tem um déficit habitacional histórico e recorrente próximo de 7 milhões de moradias. E a realidade é que nem a maior consultora do país consegue entregar 10% do que representa esse déficit no ano. Então, há e continuará a ter um movimento grande na busca por moradia, ou seja, a demanda é contínua, sendo, neste momento, superaquecida pela necessidade de determinadas tipologias."

 

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