Stoque projeta faturar R$ 70 milhões em 2021

Empresa registrou crescimento de 17% acima do previsto no primeiro trimestre do ano.

A pesquisa global Automation with Intelligence, realizada pela Deloitte, mostra que 73% das organizações investiram em automação inteligente em 2020, o que representa um aumento de 58% se comparado com 2019. O setor financeiro é um dos que mais vem investindo em tecnologia nos últimos anos. No Brasil, de acordo com a Febraban, o orçamento dos bancos nesta área foi de R$ 24,6 bilhões em 2019, um crescimento de 48% se comparado ao ano anterior. Neste cenário, empresas como a mineira Stoque, que oferece soluções de automação e digitalização de processos e documentos, vêm ganhando ainda mais relevância nacional. O resultado do primeiro trimestre de 2021 foi 17% acima do previsto e a empresa projeta faturar R$ 70 milhões até o final do ano.

Fundada em 2003, em Belo Horizonte (MG), a companhia oferece soluções para todas as etapas da gestão de documentos, do papel ao digital. São serviços que vão desde a captura, digitalização, armazenamento das informações em cloud, processamento com a identificação e extração dos dados, até o gerenciamento de documentos e a impressão de alto volume. “O objetivo é otimizar os fluxos de trabalho, oferecer mais eficiência e segurança aos trâmites documentais e de dados no ambiente corporativo e uma melhor experiência aos usuários”, afirma Thiago Assis, CEO da companhia.

Com o crescimento dos bancos digitais e fintechs, a empresa tem atuado cada vez mais no setor financeiro. A Stoque é responsável pela automação de esteiras de crédito consignado e imobiliário de grandes bancos dos país, melhorando a eficiência, reduzindo o tempo de análise e custos da operação. Além disso, desenvolve projetos customizados de automação e digitalização com o uso de inteligência artificial (IA), RPA e análise e cruzamento de dados para abertura de contas e depósito de cheques de bancos digitais.

Na abertura de conta digital, por exemplo, a automação com IA aplicada pela Stoque consegue comparar se a selfie, enviada pelo cliente por aplicativo, é compatível com a foto do documento de identidade, garantindo assim maior precisão técnica e agilidade sem a interferência humana.

Atualmente, a companhia possui na carteira mais de 230 clientes ativos, entre eles os maiores bancos do país, empresas de serviços, educação e indústria. A Stoque também passou a integrar o programa de inovação do Banco Bradesco, o Inovabra, em 2020. O espaço, que reúne grandes empresas e também startups e scale-ups, promove o desenvolvimento de novas tecnologias e inovação para gerar negócios entre os integrantes.

“A pandemia acelerou a transformação digital, com a quebra de paradigmas, regras e adequações de leis para atender esse novo cenário. No entanto, ainda tem muita empresa com pouca maturidade digital no Brasil, por isso, existe um grande espaço para as tecnologias atuarem”, explica Murilo Taranto, sócio fundador e diretor de novos negócios e tecnologia da Stoque.

Mercado potencial e visão inovadora

A Stoque nasceu quando o mercado de automação andava a passos lentos. Murilo Taranto, que já havia trabalhado no mercado financeiro e de tecnologia, foi convidado para assumir a recém-lançada divisão voltada à digitalização de documentos da unidade da Xerox de Minas Gerais em 2001. Foi lá que ele viu um nicho de mercado e começou a investir no próprio negócio junto com cinco colegas. Em 2003, com um investimento de R$ 300 mil somado entre os sócios, foi fundada a Stoque, especializada em outsourcing de impressão, unidade de negócio que cresceu rapidamente e por muito tempo representou a maior parte do faturamento, e digitalização de documentos.

Com a demanda do serviço de digitalização aumentando, a Stoque desenvolveu um software próprio para o armazenamento de documentos, o Ábaris, hoje uma plataforma completa, 100% digital, de gestão de conteúdo (ECM) e que também permite automatizar e gerenciar fluxos de trabalho (BPM). Em 2009 a empresa começou a entrar no mercado de automação de processos digitais (DPA). Com a automação crescendo, impulsionada principalmente pelas fintechs e bancos digitais, a Stoque chamou a atenção do fundo Kinase Investments, criado em 2017 pelo administrador Thiago de Assis e um grupo de investidores.

A Kinase é uma operação de investimentos do tipo search fund. Nesta modalidade, o administrador levanta fundos para adquirir uma única empresa com grande potencial de crescimento, além de assumir a gestão da companhia. A Stoque foi escolhida entre 400 empresas avaliadas pelo fundo e adquirida por R$ 70 milhões em 2019. Com o investimento, a Kinase detém 95% da empresa e Taranto, os outros 5%. Os demais sócios, que fundaram a Stoque, venderam suas partes em diferentes momentos do negócio.

“Na Stoque enxergamos a existência de diversas variáveis que foram decisivas para a aquisição, como contratos recorrentes de longo prazo, rentabilidade atrativa, histórico de crescimento e exposição a tendências favoráveis”, explica Assis.

Investimento em gestão e cultura

Com a entrada do fundo Kinase, a Stoque passou por várias mudanças e investimentos mais intensos na área de gestão e cultura. Setores como o de RH, marketing e vendas e planejamento estratégico foram ampliados e reestruturados. Só para se ter uma ideia, o quadro de colaboradores passou de 360 em 2018 para quase 500 atualmente. A empresa também se prepara para mudar-se para uma nova sede. Além da matriz em Belo Horizonte, a companhia possui escritórios em São Paulo, Vitória, Belém e outras 20 bases técnicas espalhadas pelo país.

Com a tendência de forte crescimento da digitalização e automação de processos, demonstrado pelo crescente número de contratos da Stoque, a empresa espera desenvolver ainda mais suas tecnologias e ajudar as companhias brasileiras a se digitalizarem. “Estamos em processo de pivotar, animados com perspectivas de desenvolvimento do mercado. Somos uma empresa de Minas, com abrangência nacional e referências globais. Queremos crescer com bom ritmo e rentabilidade”, diz Assis.

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