Só 10%

O professor de Direito da Universidade de Brasília Roberto Aguiar atacou a política do governo federal para a segurança pública. “O Plano Nacional de Segurança Pública é tratado retoricamente e espasmodicamente. Somente quando há fatos de grande repercussão na imprensa, como a morte de prefeitos, o governo se manifesta”. Para Aguiar, que foi secretário de Segurança Pública do governo Cristóvam Buarque, no Distrito Federal, 10% dos recursos destinados ao Proer (programa de socorro aos bancos) seriam suficientes para a área da segurança no Brasil. “A segurança pública não é prioridade para o governo federal, que ainda tenta transferir aos estados a responsabilidade sobre o assunto, esquecendo-se de seu dever constitucional de tratar da matéria. Os recursos existem, mas são destinados a outros setores, nem sempre prioritários”, protestou.

Prioridades
Diante da escassez de resultados positivos em sete anos de governo para apresentar ao eleitorado, os gurus do tucanato cunharam a expressão “rede de proteção social” para exibirem como sinônimo da suposta compaixão do governo FH por aqueles que governa. Fiel ao roteiro, a Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda produziu uma peça publicitária destinada a dourar os gastos sociais do governo. Segundo a secretaria, em 2000 – últimos dados disponíveis nos escaninhos oficiais – os subsídios e renúncias fiscais com finalidades sociais somaram R$ 16,273 bilhões, o que significaria mais 28,8% em relação a 1999, quando foram destinados R$ 872 milhões a esse tipo de finalidade.
Essa, no entanto, está longe de ser a melhor base de comparação para dissecar para quem o presidente FH governa. Contrária ao lema “o que é bom a gente fatura, o que é ruim a gente esconde”, esta coluna lembra que, também em 2000, o governo FH destinou R$ 78,1 bilhões ao pagamento de juros e encargos financeiros. Ou seja, o carinho monetário destinado à banca e aos rentistas superou em 4,6 vezes o que restou para subsidiar o social.

Coke
Paralelo aos sérios temas debatidos no II Fórum Social Mundial, em Porto Alegre, alguma coisa pitoresca aparecia. Nas manifestações e atividades que vão desdobrar o fórum, está previsto até um dia de protesto contra a Coca-Cola, nos Estados Unidos.

Agressão
A Associação Nacional de Jornais (ANJ) distribuiu nota de repúdio “contra as agressões sofridas pelos repórteres fotográficos Daniel Barreto e Mastrangelo de Paula Reino, profissionais da Tribuna Impressa, de Araraquara/SP, quando estavam no exercício da atividade profissional.”
As agressões, que resultaram em lesões corporais e foram seguidas de ameaças de morte, bem como a inutilização de material e equipamento fotográfico do jornal, “demonstram claramente uma tentativa de intimidar a ação da imprensa e desrespeitam o princípio constitucional que assegura a liberdade de imprensa no país”, diz a nota.

Histeria militarista
A isralense Lily Trauban, representante da organização Mulheres de Negro no II Fórum Social Mundial (FSM), deu um depoimento impressionante sobre como o militarismo e o medo fazem parte do dia-a-dia do povo israelense. “O governo faz questão de manter um constante estado de alerta, no qual, a qualquer momento, pode ocorrer um atentado terrorista”, lamenta. Ela contou, ainda, que os militares, principalmente os homens, são valorizados quando prestam o serviço militar e recebem privilégios. O resultado deste treinamento militar é uma crescente violência contra as mulheres. “O número de mulheres assassinadas e agredidas duplicou nos últimos anos”, disse.
Lily conta que os gastos militares são enormes em detrimento da qualidade de vida do povo que a cada dia se torna mais pobre. “A segurança está sempre no centro do poder e a banalização da violência é uma realidade”, disse a israelense, que denunciou ainda o comprometimento dos meios de comunicação, que ignoram os protestos contra a ordem vigente e destacam a necessidade de defesa por armas.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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