Só dormindo

A venda da Cesp-Tietê por R$ 938 milhões para a AES não traz nenhuma esperança de melhora para os menores da Febem nem de dias menos tensos para o restante da população. Embora uma pequena parte do dinheiro arrecadado com a venda da empresa ajudasse a amenizar o problema mais agudo vivido pelos paulistas, o Governo Mário Covas vai esterilizá-lo integralmente no abatimento da dívida do estado.
Claro, que, como aconteceu no seu primeiro mandato, a dívida continuará crescendo geometricamente. Covas, porém, mantém a coerência com o principal compromisso de seu governo: o pagamento religioso dos juros da dívida, principal mecanismo de transferência de recursos do estado mais rico da federação para rentistas e especuladores.
Aos menores da Febem e ao restante da população de São Paulo não resta sequer o consolo de sonhar com liberação tão célere de recursos quanto os R$ 360,8 milhões que BNDES vai garantir à AES. Nem esperar qualquer mobilização do governador para pressionar o banco nesse sentido.
A única maneira de rebeliões de menores serem elevadas ao patamar de risco sistemático seria Covas cumprir outra promessa, esta feita na penúltima rebelião: passar a dormir na Febem até resolver o problema. Nesse caso, no mínimo, os menores e seus familiares não teriam que se queixar das instalações.
Abandono
Será que as rebeliões na Febem têm alguma relação com a extinção da Secretaria do Menor – fundamental para a “austeridade” administrativa – e com a consequente falta de uma política do Estado de São Paulo para o setor?

Independência
A nota “carregada de xenofobia”, como bem assinalou o governador em exercício de Minas, Newton Cardoso, da embaixada dos EUA sobre a Cemig forneceu excelente oportunidade para o Supremo Tribunal Federal (STF) exercer a independência dos poderes. É no STF que deve acabar o contencioso entre o governo mineiro e os gulosos minoritários da estatal.

Pobreza eleita
Do ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, na sua entrevista-palestra no programa de Jô Soares, terça-feira à noite: “O governo tem é que cuidar dos pobres.” É verdade, pobres banqueiros, empreiteiros, empresas estrangeiras….

Feudo
Durante os primeiros três dias de novembro de 1999, Toronto (Canadá) será sede do V Fórum Empresarial das Américas. Estarão reunidos cerca de mil líderes empresariais de 34 países para debater assuntos-chave relacionados ao comércio exterior na região. A expectativa na América do Norte é dar um passo para empurrar a Alca (Área de Livre Comércio das Américas) goela abaixo dos países abaixo do Rio Grande. A proposta oficial da Alca é integrar as economias em uma única zona de livre comércio até o ano 2005. A tradução  mais prática é deixar a América Latina como feudo comercial dos produtos dos EUA. Trata-se de um mercado composto por 800 milhões de pessoas.

Sem troco
Apesar de as estatísticas oficiais da Secretaria de Segurança apontarem para a queda do número de assaltos a ônibus na cidade do Rio de Janeiro, várias empresas do setor estão recolhendo o dinheiro arrecadado a cada viagem. Com isso, gerou-se situação tão inusitada quanto incômoda: a do trocador sem troco. Que tal aumentar a prevenção a esse tipo de crime, em vez de esvaziar a gaveta do trocador e submeter o usuário ao constrangimento de pular a roleta ou saltar pela porta de trás?

Combate
A secretária estadual de Educação do Rio, Lia Faria, e o comandante geral da Polícia Militar, coronel Sérgio da Cruz, assinaram ontem convênio para o início do trabalho preventivo contra o uso de drogas por alunos das escolas públicas. O convênio prevê visitas de policiais a escolas, para cursos e dramatizações alertando os alunos para os perigos do uso de drogas.

Visita
A primeira-dama do Chile, Marta Larraecha de Frei, visitou ontem a Escola Municipal Salvador Allende, em Vila Isabel. Marta foi recepcionada pelas primeiras-damas da República e do município, Ruth Cardoso e Rizza Conde. A mulher do presidente do Chile participou do encerramento do projeto “Pintando com los Niños”, que reuniu alunos da escolas e artistas plásticos brasileiros e chilenos numa jornada de pintura.

Cultura nacional
A Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara aprovou projeto de lei do deputado Wilson Santos (PMDB-MT) que eleva a alíquota sobre o Imposto de Renda retido na fonte sobre as remessas ao exterior provenientes das produções cinematográficas estrangeiras de 25% para 40%. O objetivo é oferecer à produção nacional tratamento diferenciado, pois o que estava acontecendo não era justo, em termos de tributação, segundo o deputado peemedebista. Para o deputado Padre Roque  (PT-PR), relator do projeto, não se trata de prejudicar a exibição de obras estrangeiras em nosso país e sim de canalizar recursos permanentes que estimulem a arte e a cultura nacionais, fazendo como os outros países, que taxam nossas produções de forma rigorosa.

Injustiça fiscal
A reforma tributária em andamento não está levando em conta princípios de justiça e de capacidade contributiva. A conclusão consta do documento Carta de Curitiba, distribuído por auditores-fiscais da Secretaria da Receita Federal após seminário sobre o tema. A carta destaca que mais de 40% do valor dos tributos são usados para atender as necessidades dos 20% mais ricos do país, enquanto apenas 20% da despesa pública destinam-se aos 50% mais pobres.

Valorização a jato
A Embraer foi privatizada em 13 de dezembro de 1994 por US$ 182,9 milhões – ou cerca de 10% menos que os atuais proprietários pretendem obter pela venda de apenas 20% das ações da empresa. O ágio, na ocasião, foi de 0,29%. Comandava o processo de desestatização do Governo o então ministro Ciro Gomes, recém convertido às causas nacionais.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Artigo anteriorCurto circuito
Próximo artigoRuído

Artigos Relacionados

Brics+ será gigante em alimentos e energia

Bloco ampliado desafia EUA rumo a nova ordem mundial.

Para combater Putin, adeus livre mercado

Teto para preço do petróleo é nova sanção desesperada do G7.

Inflação engorda lucros de bilionários de energia e alimentos

Fortunas dos ricaços desses 2 setores aumentaram US$ 1 bilhão a cada 2 dias desde 2020.

Últimas Notícias

Acusações de palhaça e possível ação da CVM fazem ação da TC desabar

Papéis chegaram a recuar mais de 25% no pregão desta quinta-feira.

Aqui, na terra, a coisa está preta

Por Paulo Alonso.

Setor público registrou superavit de R$ 358 bi em 2021

O setor público brasileiro registrou um superavit orçamentário de R$ 358 bilhões em 2021, resultado que deriva dos cerca de R$ 6,3 trilhões em...

Triste realidade

Em cada 4 bairros do Rio, 1 tem milicianos ou traficantes

Pré-candidatura de Ceciliano ao Senado ganha apoio na Região Serrana

Prefeito do PSB vira as costas para candidato do partido.