Sub judice

A concessão de autonomia para os estados estabelecerem a seu bel-prazer subtetos para os três poderes em nível estadual pode custar caro ao contribuinte. Sob a simpática  retórica contra os salários de marajás, essa autonomia fornecerá poderosa moeda de troca para governadores com passivos futuros com a Justiça negociarem com Judiciários, digamos mais compreensivos. O teto salarial poderá variar, assim, de acordo com o bom ou mau comportamento dos juízes em relação às pendências dos governadores.

Revólver no lugar de pistola
As novas taxas de juros da Caixa Econômica Federal mostram o grau de virtualismo do último pacote do governo FH. No crédito pessoal, os juros tiveram a expressiva queda de 4,90% ao mês para 4,65% ao mês. Para bens de consumo duráveis de pessoa física, a taxa desabou de 4,65% para 4,50%. Em bens de consumo duráveis para pessoa jurídica, o recuo fantástico foi de 4,30% para 3,9%. Já as pessoas físicas com cheque azul devem enlouquecer de alegria com a queda de 8,50% para 8,2%.
O grau de espoliação do cliente fica ainda mais em evidência quando se sabe que a Caixa se orgulha de praticar, na maioria das suas carteiras, os juros mais baixos do mercado.

Desespero
Um grupo de funcionários da Fundação Nacional de Saúde (FNS) demitidos pelo ministro José Serra realizou na última sexta-feira passeata e ato de protesto próximo a dois supermercados do Bairro de Fátima, Centro do Rio. Caso a situação de desrespeito aos direitos trabalhistas, que se arrasta há meses, não seja resolvida logo, eles avisam que não vão se limitar a protestar. Ameaçam entrar nos supermercados.

Conselheiro Acácio
A comissão do Banco Central que gastou três longos meses para descobrir, entre outras revelações acacianas, que o lucro líquido médio dos bancos com o cheque especial chega a 31%, poderia ter economizado tempo e dinheiro do contribuinte se lesse aqui mesmo no MM as tabelas da Anefac sobre o tema. Segundo as pesquisas da Anefac, a diferença entre os juros médios cobrados pelos bancos, entre agosto de 95 e setembro de 99, e a inflação medida pela Fipe, no mesmo período, chegou a escandalosos 41,888,84%.

Mal educado
A etiqueta ainda não chegou aos usuários de celular. No auditório da Associação Comercial do Rio existem quatro placas indicando para não se usar telefone celular, sobretudo em eventos. Sexta-feira, no entanto, o que mais se ouvia durante o debate com deputados federais sobre o Plano Plurianual (PPA) não eram os argumentos dos debatedores, mas os celulares tocando na platéia.

Lobby por lobby
Apesar do forte lobby para transferir a sede da Agência Nacional de Petróleo (ANP) do Rio de Janeiro para Brasília, o deputado federal Márcio Fortes (PSDB) garante que essa hipótese está totalmente fora de questão. Ele afirmou diante de uma platéia de empresários fluminenses, na última sexta-feira, que já o presidente FH comprometeu-se a vetar a proposta, caso ela chegue a ele. Para quem ainda acredita que FH mande em alguma coisa, não deixa de ser uma esperança.

Sem racha
O secretário estadual de Desenvolvimento do Rio, Tyto Riff, disse não acreditar que as declarações do governador Anthony Garotinho, classificando o PT como um partido “neurastênico”, seriam o prenúncio de um racha com o PDT. Ryff insistiu em que não existe qualquer risco de ruptura, porque a convivência entre PT e PDT é produtiva.

Pelo telefone
A proposta do governador Mário Covas de taxar os donos de linhas telefônicas fixas e celulares em R$ 2,50, para supostamente fazer o que ele não faz pela segurança do estado, já ganhou um apelido dos paulistas mais gozadores: teleassalto.

Antecedentes
A escolha de Zélia Cardoso para o Ministério da Economia pode ter uma gênese acadêmica. O ex-presidente Collor foi reprovado, na cadeira de Microeconomia, na Universidade Federal de Alagoas (Ufal), no segundo semestre de 1974. Collor foi um dos oito reprovados, em uma turma de 40 alunos. Esse fato custou a seu professor uma convocação do então diretor do Centro de Ciências Sociais Aplicadas, que explicou-lhe os inconvenientes de reprovar um membro da família Collor. O professor aceitou voltar atrás, com a condição de que pudesse dar dez a todos os outros alunos e que a alteração fosse assinada pelo diretor. Acordo fechado, ele acrescentou no pé do fichário nota explicativa, com todos os detalhes da conversa. Em represália, o então reitor da Ufal, general Nabuco Lopes,  obrigou o professor a um exílio de seis meses numa instituição no interior do estado, limitado a projetos para micro e pequenas empresas, sem direito a lecionar, dar palestras ou se manifestar politicamente.

Pagão
Os amigos que ainda restam ao governador Mão Santa, do Piauí, andam estranhando a ausência de editoriais nas TVs e nos “jornalões” contra o uso de “grampos” para denunciar os porões dos governos. Não precisaria nem, para citar o presidente FH, “ser a favor até demais”. Com 10% da compreensão mostrada pela imprensa “chapa branca” no escândalo do BNDES, a turma do governador e do seu ex-secretário de Segurança já se davam por satisfeitos.

Pró-multinacional
Os operadores brasileiros dos interesses do capital estrangeiro não se cansam. Depois de venderem barato as autorizações para que multinacionais explorem o petróleo da Bacia de Campos, ainda pegam R$ 2 bilhões do fundo de trabalhadores da Petrobras para investir nas mesmas “parcerias”. Vale lembrar que os beneficiários e seus dependentes nos fundos já têm levado prejuízos homéricos devido a ordens cujos mandantes se encobrem no anonimato.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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