Submissão

As afirmações do chefe da missão técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI) que está no Brasil, Lorenzo Pérez, que recomendou a exclusão dos investimentos das estatais na solução da crise energética, foram criticadas pelo secretário de Energia, Indústria Naval e Petróleo do Estado do Rio de Janeiro, Wagner Victer. Ele considera que a retirada dos investimentos das estatais do cálculo do superávit primário existente em acordos internacionais é fundamental para liberar os investimentos de empresas como Eletrobrás, Furnas, Chesf, Eletronuclear, Eletronorte e Petrobras. “Tais afirmações, neste momento de crise energética, se sobrepõem à soberania nacional. Por conta desta submissão inaceitável, somente no estado do Rio de Janeiro existem mais de 3 mil MW de investimentos paralisados, como os de Furnas (São Gonçalo, Roberto Silveira, Santa Cruz e Simplício), Eletrobrás (Resende e Macaé) e Eletronuclear (Angra III)”.
Lista ampla
Wagner Victer não deixou de elogiar a decisão da Câmara de Gestão da Crise de Energia (GCE), que considerou a sugestão do governo do Rio de não promover cortes de energia nos serviços considerados essenciais. “Porém, também devem ser incluídos nesta lista serviços como Corpo de Bombeiros, iluminação pública, Defesa Civil e batalhões de Polícia, que são de extrema importância para o bem estar e segurança da população”.

Herança
Iniciadas sob a era Collor, as privatizações já transferiram até o sétimo ano do reinado de FH cerca de 120 empresas para mãos privadas. O resultado para os contribuintes é conhecido: disparada alucinada de preços e tarifas, queda da qualidade dos serviços, aumento da arrogância exibida aos consumidores e não cumprimento das promessas de investimentos. Em pouco mais de dez anos, 540 mil funcionários perderam seus empregos, o que também se refletiu sobre outros setores da sociedade, como a queda de vendas no comércio, cortes em despesas com serviços e, talvez conseqüência de maior visibilidade, aumento do número de vans e congêneres nas ruas do país. Os dados constam do site do líder do PSB na Câmara de Vereadores do Rio, Ricardo Maranhão, (www.ricardomaranhao.com.br/artigos/index2.htm).

Democracia formal
“Abaixo a ditadura!” É o que brada a manchete do jornal Ombro a Ombro, de ampla circulação no meio militar. A matéria condena a decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) de considerar constitucionais as punições elaboradas pelo governo federal para quem não economizar energia. O jornal afirma que o país está “à mercê da insensibilidade e dos caprichos do grupo político” dominante. De acordo com a publicação, a “democracia” brasileira é formal e em nenhum outro governo ficou tão patente o caráter mistificador do nosso sistema de governo, “demonstrada na cooptação dos poderes Legislativo e Judiciário”.

Terrorismo de Estado
Afinal qual a posição do Tribunal Penal Internacional (TPI) sobre a decisão anunciada oficialmente por Israel de manter a política de “assassinato seletivo” de dirigentes palestinos?

Deu no NYT
O The New York Times publicou ampla reportagem sobre a fama da cidade gaúcha de Pelotas, conhecida nacionalmente – e agora internacionalmente – como a capital gay do Brasil. O título é injusto com a cidade que, informa o jornal, não tem ao menos um movimento gay organizado.

Crise anunciada
As medidas anunciadas ontem pelo governo para evitar a propagação do racionamento para os próximos anos foram recebidas com preocupação por especialistas em energia. Para técnicos ouvidos pela coluna, as medidas apenas transferem o problema para o ano que vem. Além disso, o governo insiste no mesmo modelo que levou o país ao apagão: mudança da matriz energética para energia a gás, expectativa de investimentos privados no setor e manutenção da média de recursos aplicados pelo Estado. Aplicada essa fórmula, a única maneira de evitar a continuidade do racionamento seria uma brutal recessão. Algo como escapar da pneumonia para morrer de overdose de antibiótico.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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