Subsídios aos combustíveis fósseis atingiram recorde de US$ 7 trilhões

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Contas em alta (foto de Li Ying, Xinhua)
Contas em alta (foto de Li Ying, Xinhua)

Diante dos aumentos dos preços de energia após o início do conflito na Ucrânia e as sanções dos Estados Unidos contra a Rússia, os governos passaram a apoiar os consumidores e as empresas para fazer frente aos gastos. Assim, os subsídios aos combustíveis fósseis atingiram um recorde de US$ 7 trilhões no ano passado.

O dado foi levantado pelos membros do Fundo Monetário Internacional (FMI) Simon Black, Ian Parry e Nate Vernon.

Cerca de 2/3 dos gastos com saúde

“Os subsídios ao petróleo, ao carvão e ao gás natural custam o equivalente a 7,1% do Produto Interno Bruto global. Isto é mais do que os governos gastam anualmente em educação (4,3% do rendimento global) e cerca de dois terços do que gastam em cuidados de saúde (10,9%)”, relata o FMI.

Os subsídios aos combustíveis fósseis aumentaram em US$ 2 trilhões nos últimos dois anos. Os subsídios explícitos (valor abaixo dos custos de abastecimento) mais do que duplicaram, para US$ 1,3 trilhões.

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O estudo do FMI fornece estimativas atualizadas em 170 países de subsídios explícitos e implícitos (cobrança insuficiente de custos ambientais e renúncia a impostos sobre o consumo).

Total de subsídios aos combustíveis fósseis, em US$ trilhões

gráfico subsídios aos combustíveis fósseis
Dados de 2019 em diante são projeções baseadas no uso de combustíveis (elaboração FMI)

A grande maioria dos subsídios está implícita, de acordo com o levantamento, “uma vez que os custos ambientais muitas vezes não se refletem nos preços dos combustíveis fósseis, especialmente do carvão e do diesel.

A análise do FMI mostra que os consumidores deixaram de pagar mais de US$ 5 trilhões em custos ambientais no ano passado. “Este número seria quase o dobro se os danos ao clima fossem avaliados nos níveis encontrados num estudo recente publicado na revista científica Nature, em vez da nossa suposição básica de que os custos do aquecimento global são iguais ao preço das emissões necessário para cumprir as metas de temperatura do Acordo de Paris.”

O FMI prevê que os subsídios implícitos crescerão à medida que os países em desenvolvimento aumentam o seu consumo de combustíveis fósseis para níveis das economias avançadas.

Fim dos subsídios aos combustíveis fósseis faria preços da energia dispararem

“Se os governos eliminassem os subsídios explícitos e impusessem impostos corretivos, os preços dos combustíveis aumentariam”, admite o Fundo Monetário.

Porém, os autores do estudo acreditam que o fim dos subsídios aos combustíveis fósseis “levaria as empresas e as famílias a considerar os custos ambientais ao tomarem decisões de consumo e investimento. O resultado seria uma redução significativa das emissões globais de dióxido de carbono, um ar mais limpo, menos doenças pulmonares e cardíacas e mais espaço fiscal para os governos”.

O FMI não menciona o impacto na qualidade de vida nem os custos que empresas e consumidores teriam de arcar.

“Estimamos que a eliminação dos subsídios aos combustíveis fósseis, explícitos e implícitos, evitaria 1,6 milhão de mortes prematuras anualmente, aumentaria as receitas do governo em US$ 4,4 trilhões e colocaria as emissões no caminho certo para atingir as metas de aquecimento global. Também redistribuiria o rendimento, uma vez que os subsídios aos combustíveis beneficiariam mais as famílias ricas do que as pobres.”

Os autores admitem que a remoção dos subsídios aos combustíveis fósseis pode ser complicada. “Uma parte do aumento das receitas deverá ser utilizada para compensar os agregados familiares vulneráveis pelos preços mais elevados da energia. O restante poderia ser usado para reduzir impostos sobre o trabalho e o investimento e financiar bens públicos como educação, saúde e energia limpa”, acreditam.

“Com os preços globais da energia diminuindo e as emissões aumentando, é o momento certo para eliminar gradualmente os subsídios aos combustíveis fósseis, explícitos e implícitos, para um planeta mais saudável e mais sustentável”, finalizam.

Matéria atualizada dia 25/08 às 08h06 para inclusão de conteúdo

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