Subterrâneos do terror

Às voltas com supostos ataques de bioterrorismo, o governo dos Estados Unidos está diante de oportunidade ímpar para provar ao mundo a sinceridade de sua cruzada contra esse tipo especialmente repugnante de arma. Em agosto passado, os EUA apresentaram três pretextos para se recusarem a assinar, em Genebra, o protocolo de verificação de armas biológicas: razões de segurança nacional, proteção dos direitos de propriedade industrial e inutilidade das inspeções contra o bioterrorismo. Diante dos últimos acontecimentos, a adesão fervorosa ao protocolo soaria bem mais convincente do que mil viagens do general Colin Powell à Ásia.
Subterrâneos do terror II
Transformada de jornalista em notícia, por ser a primeira pessoa nos EUA a abrir um envelope com antraz, a repórter Judith Miller ,do The New York Times, recém-lançou o livro Germs, biological weapons and America”s Secret War (Germes, armas biológicas e a guerra secreta americana), no qual revela que o governo norte-americano reativou programas de armas biológicas proibidos por convenção internacional de 1975. A imprensa dos EUA já publicou informações que vazaram sobre dois desses programas. Um deles, conduzido pela Defense Threat Reduction Agency (Detra), fica em Nevada, justamente um dos lugares onde foi registrado um dos ataques com antraz. Fotos desse laboratório foram publicadas em reportagens de Judith Miller.

Spa aéreo
Parece que as companhias aéreas estão ampliando a política da devolução. Começaram pelas aeronaves e agora chegaram à refeição. Naturalmente deve ser uma nova campanha de marketing do tipo “voe sem engordar” ou “despressurização sem peso”, que levou a Transbrasil a limitar em refrigerantes, água mineral e cafezinho seu serviço de bordo para quem embarcou às 10h40m no Santos-Dumont e levou quatro horas para chegar em Porto Alegre, após parar em São Paulo e Navegantes (Santa Catarina), na semana passada. Como consolo, uma demorada atuação do comissário falando mais do que guia de ônibus de turismo.

Pensamento único
A prova a que o BNDES submeteu os candidatos a uma vaga nos seus quadros não deixa margem a dúvidas. A instituição procura constituir uma nova categoria de gerentões e financistas, com pouca ou nenhuma preocupação com o desenvolvimento autônomo e com investimentos no social. A esmagadora maioria das questões se prendeu a operações de engenharia financeira, inclusive, no temerário mercado de derivativos. Até uma das poucas questões relacionadas à economia real, o desenvolvimento de um projeto para uma empresa de energia, previa a privatização da companhia, certamente, depois de “saneada” com dinheiro do contribuinte administrado pelo BNDES.

Enrolada
O pedido de concordata da Fazendas Reunidas Boi Gordo não surpreendeu os jornalistas que compareceram, há cerca de dois anos, ao lançamento oficial da empresa no Rio. Pelo cardápio oferecido pela empresa no Jóquei Clube – macarronada – suspeitou-se que a empresa teria problemas.

Conversibilidade
Com o real desabando em relação ao dólar, uma cliente da clínica Moura Brasil propôs, segunda-feira, pagar sua consulta pelo valor convertido em dólar. A direção da empresa topou, mas a cotação proposta, de R$  2,750, tornou as negociações bem mais penosas do que a cliente pretendia.

Mídia
A campanha presidencial do ministro da Saúde, José Serra, já está nas ruas – ou, mais especificamente, nas farmácias. Os panfletos se transformaram, sinal dos tempos modernos, em embalagens de remédios genéricos. Por determinação do governo, os genéricos agora vêm com um “G” azul estampado em cima de uma faixa amarela – por coincidência, as cores do PSDB, partido pelo qual Serra alimenta as esperanças de sair candidato.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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