Sudeste e Nordeste lideram déficit habitacional

Número de famílias sem casa própria pulou de 5,7 milhões, em 2016, e deve chegar a 6,1 milhões em 2021. 

Levantamento realizado pela TCP Partners, com os dados da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e da Fundação João Pinheiro (FJP), revela que a Região Sudeste é a responsável pelo maior déficit habitacional do país com 39%, seguido pelo Nordeste com 30%. Já o Centro Oeste representa 8%. Segundo o estudo “As empresas do setor de materiais de construção terão um ciclo desafiador”, o aluguel representa 51% dos motivos para o desequilíbrio de moradias no Brasil.

“Por conta da pandemia do coronavírus, boa parte da população teve queda na renda familiar. O valor dos aluguéis aumentou muito por serem atrelados ao IGPM, que fechou 2020 em 23%. Os financiamentos foram impactados pelo aumento das taxas de juros que seguem em viés de alta. Os materiais de construção, indexados pelo INCC (8,5%), também apresentaram alta de preços”, explica Ricardo Jacomassi, sócio e economista-chefe da TCP Partners.

O número de famílias sem casa própria pulou de 5,7 milhões, em 2016, e deve chegar a 6,1 milhões em 2021, de acordo com a projeção da TCP Partners.

Entre os principais desafios do setor estão o abastecimento de insumos, o repasse de preços para o atacado e varejo.

“Apenas no segundo semestre de 2021 a produção industrial de materiais de constrção será normalizada” avalia Jacomassi.

Como consequência da crise do setor, o número de pedidos de recuperação judicial aumentou muito entre 2016 e 2021, especialmente entre indústria, varejo de materiais, construtoras e incorporadoras.

“A escalada dos preços dos insumos de materiais de construção impacta o setor, mas as previsões indicam recuperação para o ciclo de 2021-22”, avalia Jacomassi.

Já estudo da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) divulga nesta segunda-feira, 13, a nova edição da pesquisa do Índice, produzida pelo Instituto Brasileiro de Econome (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas (FGV), com os dados projetados do faturamento da indústria de materiais de construção em agosto. Na comparação com o mesmo mês do ano anterior, a pesquisa aponta para uma alta de 4,8% no faturamento deflacionado do setor. Com esse resultado, o crescimento acumulado da indústria de materiais chega ao oitavo mês do ano com alta de 18,8% na comparação com o mesmo período de 2020. Os dados apresentados pela pesquisa contribuem para a manutenção da estimativa de crescimento de 8% neste ano.

A pesquisa do índice de agosto aponta crescimento de 0,8% no faturamento deflacionado do setor em relação a julho. No acumulado em 12 meses, o crescimento registrado pela indústria de materiais de construção é de 16,7%. A desaceleração dos resultados apresentados já era esperada e a estimativa de crescimento para 2021 é fundamentada na metodologia adotada pelo Ibre na elaboração do indicador.

“A indústria de materiais de construção segue demonstrando sinais de recuperação em agosto, nos dando ainda mais confiança na projeção de 8% de crescimento no faturamento neste ano. Vale ressaltar que a partir de junho do ano passado, a produção industrial já registrava recuperação, com a retomada gradual das atividades econômicas, e por isso o crescimento relativo tende a diminuir nos próximos meses. Ainda assim, o avanço da vacinação, a flexibilização das atividades em diversos estados e a continuidade de um varejo e mercado imobiliário aquecidos trazem boas perspectivas ao crescimento do setor desde o segundo trimestre de 2020. Seguimos atuando proativamente junto aos nossos interlocutores, atentos e cautelosos com as potenciais consequências de alterações conjunturais decorrentes das diversas externalidades que permeiam o cenário econômico atual”, destaca Rodrigo Navarro, presidente da Abramat.

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