Super Bon

Por enquanto, nenhum economista tupiniquim atribuiu a diferença impressionante de valores a uma expressão da robustez da “nova classe média” produzida pela incubadora da Secretaria de Assuntos Estratégicos (SAE) da Presidência da República – aquela na qual se ingressa com renda per capita de R$ 291 a R$ 1.019. Mas o ingresso para o show de Bon Jovi, em São Paulo, que custa até R$ 680, na Alemanha, para ver o mesmo espetáculo, sai por 77 euros (cerca de R$ 204). Para a Espanha em recessão, o cantor estadunidense reduziu os valores para 18 euros (cerca de R$ 47) a 39 euros (R$ 103) para fugir da casa vazia.

Ultrapassada
A Europa está ficando para trás na comparação com os Estados Unidos na implantação da próxima geração de tecnologias móveis e dos serviços agregados, segundo relatório da associação GSMA: “No início, a Europa era a líder da área de mobilidade”, comentou Anne Bouverot, diretora-geral da GSMA.
Há apenas cinco anos, o mercado de serviços móveis da Europa apresentava desempenho tão bom ou até melhor do que o dos Estados Unidos. Não por coincidência, a decadência européia começa em 2007, com a crise mundial e as políticas de “frugalidade” impostas a partir de então.

Crise móvel
Em média, os consumidores dos EUA consomem cinco vezes o volume de minutos de voz e quase duas vezes o volume de dados do que os europeus. Até o fim deste ano, quase 20% das conexões nos EUA serão em redes LTE (mais avançadas), contra menos de 2% nos países da União Européia. A velocidade média das conexões móveis de dados nos EUA é agora 75% superior à observada na Europa e, até 2017, essas conexões serão duas vezes mais rápidas. O investimento em mobilidade nos EUA aumentou 70% desde 2007, enquanto que na UE esses gastos foram reduzidos.

Armazém
Todo o aumento da safra de soja no Brasil nos últimos três anos foi absorvido pela China. Não é o único dado preocupante. Em pelo menos dois anos, a soja representou 80% das exportações agrícolas brasileiras para os chineses, colocando nosso país na companhia de Argentina, Bolívia, Guatemala, México, Panamá, Paraguai, Peru e Venezuela, como países da América Latina que concentram em um único produto suas vendas de alimentos para a China. Brasil e Argentina concentram 90% das exportações de commodities agrícolas para o gigante asiático.

Democracia global
Incomodado com a década de mudança de paradigma econômico e político na Argentina, um “jornalão” tupiniquim dedica-se, faz semanas, a alertar os brasileiros sobre a ameaça que rondaria sobre a liberdade de expressão naquele país. Emblematicamente, nesse período, o mesmo diário teve oportunidade de exibir sua singular visão sobre o tema em assuntos internos. No primeiro caso, minimizou o tiroteio que acompanhou a participação do secretário de Segurança do Rio, José Beltrami, na corrida Desafio pela Paz, no Morro do Alemão, em contrate com a cobertura que dedicava a adversários, como Brizola e Garotinho, em episódios semelhantes. No segundo, ao referir-se à agressão do prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB), a um músico em restaurante, titulou: “Eduardo Paes se envolve em briga com músico, na Zona Sul carioca”, quando o próprio Paes pediu desculpas “à população pela maneira como agi”. Ou seja, o jornal foi mais realista do que o protegido.

Seletivos
A cobertura seletiva se repete no tratamento dada pelo conjunto da imprensa conservadora às previsões do ministro da Fazenda, Guido Mantega. Embora, com frequência, elas apontem para um país imaginário, em nada se distinguem da trajetória errática do então ministro Pedro Malan, nos seus oito anos de quiromancia. A diferença é que, enquanto se cobra, corretamente, de Mantega o que não entrega, o tucano tinha direito a novas previsões para substituir às anteriores, revogadas pela realidade.

Ilusões da Dilma
Se acredita, de fato, que a mistura de privatizações no setor de transportes e nova escalada dos juros vai pavimentar o caminho para a economia crescer em 2014 e, consequentemente, ajudar na sua reeleição, a presidente Dilma deveria retornar à Unicamp para concluir seu doutorado em economia.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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