Superávit comercial de US$ 6,135 bi no 1º trimestre

Corrente de comércio atingiu US$ 94,055 bilhões; em março, saldo ficou positivo em US$ 4,713 bilhões.

Negócios Internacionais / 16:49 - 6 de abr de 2020

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A balança comercial registrou superávit de US$ 6,135 bilhões no primeiro trimestre de 2020, com uma corrente de comércio de US$ 94,055 bilhões. O saldo teve um recuo de 33,1%, pela média diária, em relação ao alcançado em igual período de 2019, de US$ 9,025 bilhões. Já a corrente de comércio baixou 0,8% sobre o mesmo período anterior, quando totalizou US$ 93,311 bilhões. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (01/04) pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do Ministério da Economia.

No acumulado de 2020, as exportações chegaram a US$ 50,095 bilhões, queda de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior, quando totalizaram US$ 51,168. As importações somaram US$ 43,960 bilhões, aumento de 2,6%, pela média diária, sobre os US$ 42,143 bilhões do mesmo período de 2019.

Em março, o superávit da balança foi de US$ 4,713 bilhões, valor 5,2% inferior ao de igual período de 2019, de US$ 4,296 bilhões. A corrente de comércio do país no mês foi de US$ 33,764 bilhões, diminuição de 4,6%, pela média diária, na mesma comparação. As exportações no mês atingiram US$ 19,239 bilhões, queda de 4,7% em relação a março de 2019 e de 3,8% em relação a fevereiro de 2020. As importações totalizaram US$ 14,525 bilhões, uma redução de 4,5% sobre março do ano passado e de 10,4% na comparação com fevereiro de 2020.

Segundo o subsecretário de Inteligência e Estatísticas de Comércio Exterior, Herlon Brandão, o comportamento do trimestre foi influenciado, entre outros fatores, por um comércio mundial pouco dinâmico, agravado pela pandemia da Covid-19. Ele explicou que o cenário externo foi marcado pelo baixo desempenho do comércio mundial, com queda principalmente dos preços de produtos nos mais distintos setores, desde commodities a bens da indústria de transformação.

Brandão salienta, no entanto, que houve aumento médio de 1,9% na quantidade de exportações. O crescimento foi de 6,1% nas indústrias extrativas e de 5,8% na agropecuária. As indústrias de transformação, por sua vez, tiveram recuo de 3,1% nas quantidades vendidas para o exterior. “É importante destacar que as exportações Brasileiras para a China cresceram 4,3% no trimestre, em relação ao mesmo período de 2019, principalmente por conta de maiores vendas de carne bovina e suína, minério de ferro, soja e algodão”, acrescentou.

No período de abril de 2019 a março de 2020, o superávit foi de US$ 45,145 bilhões, valor 18,9% inferior ao de equivalente período anterior – US$ 54,816 bilhões. A corrente de comércio, em 12 meses, decresceu 4,7%, pela média diária, de US$ 416,716 bilhões para US$ 403,476 bilhões. As exportações somaram US$ 224,311 bilhões. Sobre o período de abril de 2018 a março de 2019, quando as exportações atingiram US$ 235,766 bilhões, houve diminuição de 6,4%, pela média diária. Já as importações totalizaram US$ 179,165 bilhões, queda de 2,5% sobre o mesmo período anterior, de US$ 180,950 bilhões.

As exportações do trimestre diminuíram 3,7% em relação a igual período de 2019, por conta da diminuição nas vendas de produtos manufaturados (-14,7%, para US$ 16,295 bilhões) e semimanufaturados (-6,7%, para US$ 6,535 bilhões). Por outro lado, cresceram as vendas de produtos básicos (+5,3%, para US$ 27,266 bilhões).

Por mercados compradores, no primeiro trimestre, diminuíram as vendas para: América Central e Caribe (-64,2%), Oriente Médio (-27,8%), Estados Unidos (-20%), Mercosul (-12,6%) e União Europeia (-2%). Por outro lado, cresceram as vendas para: Oceania (+24,8%), Ásia (+10,7%) e África (+1%). Os principais países de destino das exportações foram: 1º) China, Hong Kong e Macau (US$ 14,621 bilhões), 2º) Estados Unidos (US$ 5,288 bilhões), 3º) Argentina (US$ 2,168 bilhões), 4º) Países Baixos (US$ 2,067 bilhões) e 5º) Cingapura (US$ 1,698 bilhão).

No mês de março, as exportações de básicos foram de US$ 10,872 bilhões, manufaturados chegaram a US$ 5,843 bilhões e semimanufaturados, US$ 2,523 bilhões. Sobre o ano anterior, pelas médias diárias, caíram as exportações de produtos manufaturados (-14,9%) e básicos (-0,6%), enquanto cresceram as vendas de produtos semimanufaturados (+6,1%).

Por mercados compradores, no mês, caíram as vendas para Oriente Médio (-46,3%), Estados Unidos (-20,2%), Mercosul (-14,9%), União Europeia (-6,3%) e América Central e Caribe (-3,5%). Por outro lado, cresceram as vendas para África (+10,2%), Oceania (+7,4%) e Ásia (+6,1%). Os cinco principais países compradores foram China, Hong Kong e Macau (US$ 6,082 bilhões), Estados Unidos (US$ 1,966 bilhão), Países Baixos (US$ 797 milhões), Argentina (US$ 771 milhões) e Cingapura (US$ 714 milhões).

 

Exportação deve cair US$ 18,6 bilhões

A recessão global gerada pela pandemia do novo coronavírus pode reduzir as exportações brasileiras em pelo menos US$ 18,6 bilhões, informou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Isso equivale a 8,25% dos US$ 225,4 bilhões exportados pelo País em 2019. A entidade fez projeções iniciais baseada na estimativa de que o Produto Interno Bruto (PIB) global encolherá 1,1% em 2020.

Em termos de volume, a pandemia de covid-19 deve acarretar a diminuição da quantidade exportada em 56 milhões de toneladas. Isso representa queda de 11% em relação ao volume embarcado do Brasil para o exterior em 2019.

Em nota, a CNI destacou que a projeção é preliminar porque os balanços se baseiam num cenário de recessão global ampla. O levantamento não se refere a exportações para mercados específicos porque ainda não há dados separados por país ou região. A entidade, no entanto, informou que o impacto sobre as exportações industriais dependerá das medidas tomadas por outros países latino-americanos, os principais destinos dos manufaturados brasileiros.

 

Apex desenvolve Painel de Comércio–Covid

Para auxiliar as empresas brasileiras e os formuladores de políticas públicas na identificação dos eventuais impactos provocados pela pandemia do coronavírus (Covid-19) no comércio exterior brasileiro, a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) desenvolveu o Painel de Comércio – Covid-19. Acessível a qualquer instituição, o Painel é uma ferramenta exclusiva da Apex-Brasil e se propõe a apresentar a evolução paralela dos indicadores comerciais e dos casos confirmados de Covid-19. Dessa forma, ele permite que o usuário visualize e correlacione os dados de modo ágil, para facilitar os processos de tomada de decisão. Dada a natureza interativa e dinâmica do Painel, sugere-se que os usuários o mantenham como instrumento permanente de consulta. Para proporcionar a melhor experiência possível, a Agência atualizará o Painel constantemente, incluindo novos dados e novas funcionalidades.

Informações no Portal da Apexa Brasil.

 

Simplificação de importação temporária

A partir desta quarta-feira (1º) a importação temporária amparada pelo ATA Carnet está simplificada no Brasil. Os usuários estrangeiros não precisarão mais solicitar a isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) nas secretarias de estado de Fazenda. A medida ajuda no combate à Covid-19 uma vez que reduz a circulação de documentos entre os países e favorece a importação temporária de equipamentos de trabalho e para fins científicos.

O Brasil passa a estar alinhado às melhores práticas globais para a importação temporária. Além de ajudar na guerra contra o coronavírus, a medida vai facilitar a participação de estrangeiros em feiras de exposição e congressos no país no pós-crise”, comentou a gerente de Serviços de Internacionalização na Confederação Nacional da Indústria (CNI), Sarah Saldanha.

A medida de simplificação para a importação temporária só foi possível graças à articulação da CNI com o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e com a Receita Federal e ao desenvolvimento de um sistema que permite o monitoramento da circulação de bens e equipamentos com Ata Carnet pelos governos estaduais. O fim da exigência do pedido de isenção do ICMS para produtos com Ata Carnet é fruto de uma decisão tomada em dezembro de 2019 no Confaz.

Apesar de a medida ter sido adotada no fim de 2019, com vigência a partir de 1º de abril, ela se encaixa como uma luva no contexto atual de combate ao coronavírus. Primeiro porque reduz a circulação de papéis entre os países, um dos meios de contágio da Covid-19, e diminui o fluxo de pessoas nas secretarias estaduais de Fazenda, contribuindo para resguardar a saúde do servidor e do usuário do Ata Carnet.

Segundo porque facilita a importação temporária de equipamentos profissionais de alta tecnologia para fins de pesquisas contra a Covid-19.

 

Contato com o colunista: pietrobelliantonio0@gmail.com

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