Superávit contido: importação cai 28,5% exportação 9,8%

O resultado está bem longe do verificado em agosto de 2017, quando o superávit atingiu a US 48,085 bilhões.

Conjuntura / 22:32 - 17 de set de 2020

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor

O saldo da balança comercial de agosto somou US$ 6,6 bilhões, elevando o superávit acumulado no ano para US$ 36,3 bilhões. O resultado positivo, como tem ocorrido ao longo do ano, é explicado pela acentuada queda nas importações que somaram US$ 102,040 bilhões (28,5% entre os meses de agosto de 2019 e 2020) e não por uma melhora nas exportações US$ 138,321 bilhões, que recuaram 9,8%. O resultado está bem longe do verificado em agosto de 2017, quando o superávit atingiu a US 48,085 bilhões.

No mês de agosto, as operações com plataformas de petróleo não influenciaram os resultados, mas, na análise do acumulado do ano, é importante separá-las. No caso das importações, a variação no acumulado até agosto em relação a igual período de 2019 registrou uma queda de 6,6% (com plataforma) e de 9,4% (sem plataforma). Para as exportações, a diferença é menor. Observa-se que o ritmo de crescimento no volume exportado desacelerou (2,2%) na comparação interanual do mês de agosto em relação aos resultados dos meses de junho e julho, quando os percentuais na variação ficaram ao redor de 11%.

O recuo nas importações entre agosto de 2020 e 2019 foi de 21,7%, menor do que o da comparação interanual do mês de julho (queda de 28%), mas mesmo assim foi alto e não permite concluir que os efeitos da desvalorização cambial estejam começando a ter um impacto significativo na queda das importações.

Os preços das commodities mantiveram o mesmo comportamento na série de comparação interanual mensal e recuaram 15,6% no mês de agosto. O volume exportado das commodities cresceu 14,3%, menos do que foi registrado na comparação dos meses de junho (30,2%) e julho (29,7%) entre 2019 e 2020. As exportações de não commodities continuaram em declínio e agosto registrou a segunda maior queda na comparação interanual (22,5%) após julho (27,4%). A desaceleração no ritmo de crescimento das exportações está associada, portanto, ao comportamento da commodities, que explicaram 67% das exportações brasileiras em agosto.

Em agosto, todos os 10 principais produtos exportados pelo Brasil foram commodities e explicaram 60% da pauta brasileira. Cinco produtos registram variação positiva: açúcar (107%); ouro não monetário (35%); soja (25%), carne bovina (16%); e farelo de soja (5,4%). A predominância dos produtos agropecuários está refletida nos resultados das exportações por setor de atividade.

O volume exportado da agropecuária cresceu (13,8%) na comparação entre os meses de agosto e 20,1%, entre o acumulado do ano. O setor extrativo registrou queda em agosto (1,1%), mas, entre o acumulado do ano até agosto de 2019 e 2020, aumentou 2,0%. O pior desempenho continua sendo o da indústria de transformação com queda de 5% na comparação interanual dos oito primeiros meses dos anos de 2019 e 2020. Após ter crescido 1,8% na comparação mensal de julho, o resultado do setor foi de estagnação em agosto. Ressalta-se que 45% das exportações da indústria de transformação são commodities.

Siga o Monitor no twitter.com/sigaomonitor