Supercentrão quer controle das comissões da Câmara

Reformas vivem incerteza no Congresso após novo atrito com Bolsonaro.

Política / 22:39 - 27 de fev de 2020

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Um novo bloco partidário foi formado dentro da Câmara dos Deputados. Com partidos do Centrão além de siglas como MDB e PSDB, o bloco reúne formalmente 14 partidos e 351 parlamentares, o equivalente a 68% da Câmara. A quantidade de deputados é suficiente para que o bloco sozinho consiga aprovar até matérias que exigem maioria qualificada, como propostas de emenda à Constituição.

A aliança é composta por legendas de centro e de direita, mas não reflete necessariamente coesão programática ou de posicionamentos. Algumas dessas legendas, inclusive, afirmam que não se enquadram no Centrão. Este conteúdo foi publicado antes no Congresso em Foco Premium, serviço exclusivo de informações sobre política e economia do Congresso em Foco. Para assinar, entre em contato: comercial@congressoemfoco.com.br.

O principal objetivo dos líderes partidários ao comporem o bloco é ter acesso a assentos em comissões da Casa, especialmente a de Orçamento. No novo bloco, cuja formação foi protocolada ainda antes do Carnaval, estão partidos de pouca afinidade ideológica, como, por exemplo, MDB e PSL. Compõem o bloco o PSL, PL, PP, PSD, MDB, PSDB, Republicanos, DEM, Solidariedade, PTB, PROS, PSC, Avante e Patriota.

Líder do novo bloco, o deputado Arthur Lira (PP-AL) ressaltou que a formação do grupo não vai se refletir na distribuição das comissões permanentes, já que esse cálculo leva em conta a composição do início de 2019. “O bloco é harmônico, não tem cunho ideológico nem partidário. Nada impede que outros partidos venham se juntar a nós. Defendemos o orçamento impositivo e ele deve ser partilhado por todos os congressistas”, afirmou ao Congresso em Foco. Segundo ele, a intenção dos partidos é ter maior espaço dentro da Comissão Mista de Orçamento.

Para Toninho Wandscheer (PR), que liderou a bancada do Pros em 2019, a aliança é importante para que o partido, que tem apenas dez deputados, postos em comissões relevantes da Casa. “Não é aliança programática e ideológica, é para acomodar e ter assento em comissões que queremos participar”, afirmou.

Um dos vice-líderes do bloco, o deputado Hildo Rocha (MDB-MA) afirmou ao Congresso em Foco que o grupo buscará afinar seu posicionamento em relação às principais pautas legislativas. Entre elas, a reforma tributária. O deputado é vice-presidente da comissão mista que discute o assunto e preside o colegiado sobre o mesmo tema na Câmara.

O grande objetivo do bloco, segundo ele, é garantir a participação desses partidos na Comissão Mista de Orçamento, por meio das relatorias setoriais e da presidência do colegiado, distribuídas conforme a proporcionalidade das bancadas. A relatoria-geral do Orçamento este ano caberá ao Senado.

Hildo nega, no entanto, que o MDB faça parte do Centrão. “O MDB é um partido que tem uma história muito grande, defende causas como a democracia e o fortalecimento dos municípios. Acho que essa forma de chamar de Centrão é mais uma tentativa de bater na gente. Estamos nesse bloco partidário, mas não nos consideramos Centrão. Esse nome é mais usado para partidos criados sem muita ideologia”, disse. De acordo com o deputado, o bloco pode discutir o lançamento de candidaturas à presidência da Câmara em 2021. “Mas não há nada definido”, ressaltou.

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