Superestímulo de Biden pode aumentar confiança empresarial

Na última semana, o presidente americano sancionou medidas de estímulo fiscal de US$ 1,9 trilhão na economia.

O pacote de estímulo de US$ 1,9 trilhão nos EUA, promulgado na última semana pelo presidente americano Joe Biden, levará a um aumento adicional nas importações de bens e serviços de US$ 360 bilhões ao longo de 2021-2022. A análise é do time global de economistas da seguradora de crédito Euler Hermes, que acreditam que o pacote deve criar um efeito positivo de confiança na demanda doméstica.
“Estamos revisando nossas projeções de crescimento do PIB dos EUA para +5,3% a/a em 2021 (de +3,6%) e +3,8% em 2022 (de +3,1%), após -3,5% contração em 2020. Projetamos agora que a taxa de desemprego alcance 4,3% no final de 2022 (vs. 6,2% em fevereiro de 2021), o que significa que o excesso de poupança das famílias acumulado durante a crise deve ser liberado mais rápido do que o esperado”, analisa Ludovic Subran, economista-chefe da seguradora.
Além disso, os economistas esperam que a taxa de poupança das famílias dos EUA alcance 7% da renda disponível bruta no final de 2022 (contra 20,5% em janeiro de 2021). O estímulo também aumentará a confiança empresarial, apoiando o investimento não residencial. Este aumento na demanda doméstica não será totalmente absorvido pelos produtores norte-americanos. “Esperamos que o déficit comercial dos EUA aumente para 4,5% do PIB, em média, entre 2021-2022, em comparação com 2,9% (média nos últimos cinco anos). Mais precisamente, estimamos que uma alta de +1% na demanda interna leve a um aumento de +2,6% nas importações nos EUA”, explica Subran.
De acordo com os economistas, o “superestímulo” do presidente Biden beneficiará os exportadores ao redor do mundo. Por setor, os ganhos adicionais nas exportações em 2021-2022 serão os maiores em eletrodomésticos (US$ 32 bilhões), computadores & telecomunicações (US$ 30 bilhões), fabricantes de automóveis (US$ 30 bilhões) e máquinas & equipamentos (US$ 29 bilhões).
Por região, os ganhos em 2021-2022 serão os maiores na Europa Ocidental (US$ 97 bilhões), Ásia, excluindo China (US$ 75 bilhões), China (US$ 60 bilhões) e América Latina (US$ 59 bilhões).
Dado o desenho da trajetória do estímulo e a recuperação econômica dos EUA, é estimado que cerca de três quartos do aumento nas exportações serão sentidos em 2021 (e cerca de um quarto em 2022).
Em termos absolutos, os economistas afirmam que os exportadores chineses, mexicanos e canadenses serão os mais beneficiados. Já o aumento das exportações da China para os EUA (US$ 60 bilhões no total em 2021-2022) provavelmente se concentrará em computadores & telecomunicações, eletrodomésticos e produtos têxteis. Os ganhos adicionais de exportação no México (US$ 45 bilhões no total) serão comparativamente mais importantes no setor automotivo. Na Europa, os exportadores da Alemanha estão mais bem posicionados para lucrar com o estímulo americano (US$ 22 bilhões em 2021-2022), seguidos pelo Reino Unido (US$ 16 bilhões), Irlanda (US$ 13 bilhões) e França (US$ 10 bilhões). Na Alemanha, os exportadores dos setores de máquinas & equipamentos, automotivo e farmacêutico estão particularmente expostos.
O documento analisa por fim que, em termos relativos, o aumento do PIB em 2021 será maior para o México, Vietnã, Irlanda, Canadá e Malásia. Os ganhos adicionais nas exportações chegam a 1,7% do PIB de 2021-2022 no México, 1,4% no Vietnã e 1,3% na Irlanda. No Vietnã, os exportadores têxteis e de computadores & telecomunicações, em particular, tirarão vantagem do estímulo dos EUA, assim como os exportadores de produtos farmacêuticos, químicos e serviços na Irlanda e eletrônicos na Malásia.

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