Supermercados tiveram queda de 7,15% em vendas

Período avaliado em São Paulo foi de 12 meses, já Rio registra expansão de 41,5% de novas unidades no primeiro semestre.

As vendas dos supermercados no Estado de São Paulo tiveram redução de 7,15% nos últimos 12 meses, conforme aponta o Índice de Vendas dos Supermercados (IVS), apurado pela Associação Paulista de Supermercados (Apas), com base no mês de agosto. Ao compararmos agosto de 2020 com agosto de 2021, o setor registrou queda de 10,46% no faturamento real. No acumulado do ano, de janeiro a agosto, o recuo no faturamento do setor supermercadista do Estado de São Paulo é de 10,01%.

Para o Departamento de Economia e Pesquisa da Apas, o resultado pode ser explicado por dois fatores: a base de comparação do consumo em 2020, considerada a mais alta dos últimos anos; a crise que o país atravessa atualmente, com desemprego em níveis elevados; a alta variação de preços, que tem freado o consumo das famílias, e os custos decorrentes de energia elétrica. Em termos reais, por exemplo, o poder de compra do salário do brasileiro está 2,5% menor no acumulado de janeiro a agosto e chega a 6% menor nos últimos 12 meses.

Com o objetivo de acompanhar e analisar o desempenho das vendas do setor supermercadista no Estado de São Paulo, nos conceitos de “mesmas lojas” (lojas abertas há pelo menos um ano) e “todas lojas” (lojas criadas no período pesquisado), o Índice de Vendas dos Supermercados (IVS) mede o faturamento real dos hipermercados e supermercados (que representam 85% do setor supermercadista paulista), dessazonalizado e deflacionado pelo Índice de Preços dos Supermercados (IPS) – Índice calculado pela Associação Paulista de Supermercados (APS) e pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), que mede a variação de preço dos produtos comercializados no setor supermercadista do Estado de São Paulo.

Já levantamento realizado pela Geofusion, entretanto, aponta que o Estado do Rio de Janeiro teve um ritmo de abertura de supermercados no primeiro semestre de 2021 ainda inferior ao índice registrado no período pré-pandemia, mas com leve recuperação. Enquanto o primeiro semestre de 2019 houve aumento de 59% de novas unidades, nos seis primeiros meses de 2021, esse número registrou alta de 41,5% – em números absolutos isso significa mais 2.600 unidades abertas no estado. Em 2020, esse dado ficou em 14,3%. O potencial de per capita de compras no estado, neste ano, é de R$ 2,16 mil. Do ponto de vista nacional, o levantamento aponta que o ritmo de abertura de supermercados no primeiro semestre de 2021 superou o índice registrado no período pré-pandemia. Enquanto o primeiro semestre de 2020 teve 8,4% novas lojas a mais que no mesmo período do ano anterior, nos seis primeiros meses de 2021, o número de novas unidades registrou alta de 43,9%.

O setor, considerado essencial para o comércio varejista, foi um dos poucos que se manteve a pleno vapor mesmo durante o auge da crise sanitária. Destacam-se, nesse contexto, o fato de as pessoas terem ficado mais tempo em casa, com o aumento do consumo de alimentos nos domicílios, e o pagamento do auxílio emergencial, que garantiu renda mínima aos mais vulneráveis.

Com o início da pandemia em 2020, muitas inaugurações foram adiadas. Os dados mais atuais mostram que no primeiro semestre deste ano o setor de supermercados recuperou seu ritmo de crescimento pré-pandemia. O segmento de supermercados tem apresentado tendência de expansão desde 2015 em todo o país. Até 2018, houve variação entre 15% e 20%, no primeiro semestre. De janeiro a junho de 2019, o aumento do número de novas unidades foi ainda maior: 39,5% em relação ao primeiro semestre de 2018. Com o início da pandemia em 2020, muitas inaugurações acabaram sendo adiadas.

As 10 UFs que registram maior expansão, no primeiro semestre de 2021, foram Acre (86,0%), Sergipe (70,5%), Pernambuco (63,9%), Roraima (63,5%), Bahia (61,9%), Piauí (59,6%), São Paulo (56,5%), Amapá (56,5%), Tocantins (52,2%) e Paraíba (48,0%), todas vinham apresentando crescimento no indicador, e, em diversos momentos, estiveram no ranking dos estados com maior expansão em termos proporcionais.

Quando se trata de números absolutos, destacam-se São Paulo, com abertura de quase sete mil lojas; Bahia, com quase quatro mil unidades; Minas Gerais, com 3,3 mil; Rio de Janeiro, com 2,6 mil; Rio Grande do Sul e Ceará, ambas com aberturas de aproximadamente 2,2 mil unidades, e por fim, Pará, Goiás, Paraná e Pernambuco, com cerca de 1,8 mil novos estabelecimentos.

A estimativa anual per capita de consumo de alimentos no domicílio é maior nas seguintes UFs: Rio Grande do Sul (R$ 2,60 mil), São Paulo (R$ 2,56 mil), Santa Catarina (R$ 2,56 mil), Amapá (R$ 2,52 mil), Distrito Federal (R$ 2,50 mil), Rio Grande do Norte (R$ 2,44 mil), Paraná (R$ 2,26 mil), Mato Grosso do Sul (R$ 2,20 mil), Goiás (R$ 2,16 mil) e Rio de Janeiro (R$ 2,16 mil).

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