Suprema Corte dos EUA libera regra de Trump que impede identificação de pessoas trans em passaportes

Suprema Corte dos EUA restabelece política de Trump que impede pessoas trans de usar identidade de gênero em passaportes

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protesto em prol dos direitos de pessoas transexuais
Foto: Unsplash

A Suprema Corte dos Estados Unidos restabeleceu nesta quinta-feira (7) uma política do ex-presidente Donald Trump que proíbe a inclusão da identidade de gênero nos passaportes norte-americanos. A medida, que havia sido suspensa por instâncias inferiores, limita o reconhecimento legal de pessoas trans e reflete a oposição do governo republicano ao que chama de “ideologia de gênero”.

O Departamento de Justiça havia recorrido à Suprema Corte em setembro, após tribunais inferiores bloquearem a política com base no argumento de que ela se apoiava em “preconceito irracional”.

A maioria dos juízes do tribunal, por seis votos a três, decidiu que “mostrar aos portadores de passaporte o sexo que lhes foi atribuído no nascimento não viola os princípios de igualdade perante a lei mais do que mostrar seu país de nascimento”, informou o site The Hill. Segundo a decisão não assinada, “em ambos os casos, o governo está simplesmente atestando um fato histórico sem submeter ninguém a tratamento discriminatório”.

As juízas Ketanji Brown Jackson, Elena Kagan e Sonia Sotomayor votaram contra a medida. Em voto divergente, Brown classificou a decisão como uma “perversão inútil, mas dolorosa” e criticou o que chamou de “evasão sem sentido do resultado equitativo óbvio”. Ela acrescentou:

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Também se tornou prática padrão para mim recusar-me a olhar para o outro lado quando princípios básicos são seletivamente descartados

O procurador-geral dos EUA, John Sauer, defendeu a política e afirmou que as decisões anteriores que haviam bloqueado a medida eram “insustentáveis”, por violarem a autoridade constitucional do presidente em assuntos externos, já que a política está vinculada ao Departamento de Estado.

Com o restabelecimento da regra, a pasta chefiada por Marco Rubio remove a opção de selecionar “X” como gênero e exige que os passaportes indiquem o sexo atribuído ao nascimento, impedindo que pessoas trans escolham sua identidade de gênero.

A medida foi criticada por organizações de direitos civis. O advogado da American Civil Liberties Union (ACLU), que representa cidadãos transgêneros e não-binários em uma ação contra o Departamento de Estado, afirmou em documentos judiciais que “essa nova política potencialmente coloca pessoas transgêneros, não-binárias e intersexuais em perigo toda vez que usam um passaporte”.

As alegações da ACLU de que a política viola a lei federal e o direito constitucional à igualdade haviam convencido um juiz distrital federal e o Tribunal de Apelações do Primeiro Circuito a suspender a medida.

O restabelecimento da regra se soma a outras decisões da Suprema Corte que favoreceram o governo Trump, incluindo a permissão para barrar pessoas trans de servirem nas Forças Armadas e o cancelamento de subsídios de saúde voltados à diversidade.

Fonte: EuropaPress

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