Supremo alheio às tramas em Brasília

A Operação Lava Jato, por mais que receba – e mereça – apoio da população, não é imune a críticas. Ao contrário, como esta coluna e este jornal já advertiram em várias ocasiões, o combate à corrupção e à oligarquia que comanda a política brasileira não pode servir de escudo para solapar direitos garantidos pela Constituição. A justiça tem a obrigação de defender e seguir a Carta, aplicando a lei de forma isenta. Isto não significa impunidade, muito pelo contrário: a impunidade que frequenta o andar de cima acontece justamente pelo drible na lei, não pela sua aplicação. Muitos defendem a tese de que os fins justificam os meios, mas sobressai a pergunta: que fins? E está aí o exemplo sempre citado da Escola Base, de São Paulo, para provar que certezas absolutas podem ser fabricadas, e a verdade não tem nada a ver com isso.

Uma coisa, porém, é apontar erros e vícios; outra, bem diferente, é tramar para garantir a impunidade de investigados. O que se vê nas últimas delações premiadas é que poderosos ocupantes do poder em Brasília – alguns deles lá instalados há anos, com ou sem mandato – se movimentaram para bombardear a Lava Jato. As gravações feitas pelo ex-presidente da Transpetro Sergio Machado mostram que a saída de Dilma Rousseff era condição para um “acordão” que salvasse a pele de quem ainda não havia sido denunciado, ao mesmo tempo em que atendia aos interesses dos grupos que defendem uma radicalização do projeto neoliberal no país.

Por enquanto, apenas dois ministros do governo interino foram defenestrados. Mas, pela gravidade das acusações, muito mais deveria ter ocorrido. É só lembrar que, por declarações menos danosas, o então senador Delcídio do Amaral foi preso pelo Supremo e depois viria perder o mandato. Em um momento como este, é ensurdecedor o silêncio dos ministros do STF – o tribunal chegou a ser envolvido nas conversas divulgadas. Palavras e atos já deveriam ter vindo à luz; o Supremo, porém, ainda está na sombra.

Sem democracia

Em 31 de março de 1964, um golpe de estado instalou uma ditadura civil-militar no Brasil, inaugurando um sombrio período de 21 anos de suspensão das garantias civis e políticas. Hoje, 52 anos depois, o povo brasileiro enfrenta nova quebra na ordem democrática.” Assim começa o Manifesto em Defesa da Democracia no Brasil, lido no congresso Philosophy and Social Science, que aconteceu em Praga há uma semana. Entre os nomes que assinaram estão Axel Honneth, Rainer Forst, Charles Taylor e Nancy Fraser.

Hipnose

Recente pesquisa divulgada pela Universidade de Hull, na Inglaterra, prova que a hipnose clínica tem um real impacto no cérebro. Para debater o assunto, o XII Congresso Brasileiro de Hipnose será realizado no Rio de Janeiro e falará ainda sobre tratamentos contra transtornos psíquicos e físicos.

A realização está a cargo da Associação Brasileira de Hipnose (ASBH). O Congresso ocorrerá simultaneamente com o IV Simpósio de Hipnose do IBH (Instituto Brasileiro de Hipnose Aplicada), de 24 a 26 de novembro, de 9h às 18h, no Centro Cultural João XXXIII (Rua Bambina, 115 – Botafogo), no Rio de Janeiro.

Estão previstas as presenças de três conferencistas internacionais: o psiquiatra francês Claude Virot, presidente da Sociedade Internacional de Hipnose; o catedrático de psicologia Alberto Cobain; presidente-fundador da Associação Pan-americana e Caribenha de Hipnose Terapêutica; e a também catedrática em psicologia Adriana Shaik de Sandoval, fundadora e presidente da Associação Panamenha de Hipnose Terapêutica. Inscrições em http://www.asbhipnose.org/

Mercado no comando

Comentário de um ex-funcionário do BNDES: “Vem chumbo grosso no banco. O Departamento de Economia da PUC/RJ (depois do Eduardo Modiano, Edmar Bacha, Pérsio Arida, André Lara Resende) volta a tomar o controle do núcleo operacional do banco de desenvolvimento. E a auditoria e controle interno ficarão com o Banco Itaú. Saem Luciano Coutinho e João Carlos Ferraz, entram Maria Sílvia e Vinicius Carrasco, que prometem serem os carrascos dos neodesenvolvimentistas provenientes da Unicamp e da UFRJ.”

E completa: “Corram para os abrigos antiaéreos, que os bombardeios vão atingir até a população civil!”

Rápidas

O presidente da Força Sindical, deputado federal Paulinho da Força, José Rainha e lideranças da Frente Nacional de Lutas no Campo e Cidade (FNL) se reúnem nesta quarta-feira, às 11 horas, no Palácio do Planalto, com o presidente interino Michel Temer. É um grupo para lá de heterogêneo *** Na próxima sexta-feira, o advogado Paulo Parente Marques Mendes, sócio do escritório Di Blasi, Parente & Associados, participa do simpósio sobre os 20 anos da Lei de Propriedade Industrial, realizado pela Escola da Magistratura Regional Federal da 2ª Região (Emarf), no Rio de Janeiro *** Com a baixa nos estoques, o Hemorio, órgão da Secretaria de Estado de Saúde do Rio de Janeiro (SES), convoca a população para doar sangue. O hemocentro funciona todos os dias, incluindo sábados, domingos e feriados, das 7h às 18h. Mais informações em www.hemorio.rj.gov.br

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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