Surpresa instigante

Advogados de clientes em situação inapelável costumam recorrer a chicanas e tecnicalidades. A estratégia não é negar o envolvimento do cliente, mas procurar brechas na legislação que permitam livrá-lo das garras da Lei, apesar desse envolvimento. Os advogados do presidente FH na imprensa chapa branca recorrem a estratégia semelhante: não negam as digitais presidenciais nas manobras do leilão, apenas tentam dar valoração positiva a essa participação, como parte dos esforços para alcançar o melhor preço.
O primarismo dessa manobra merece, no mínimo, a acusação de incompetência, por resultar na venda por ágio de apenas 1% de operadora que engloba 16 estados. Restam duas linhas de argumentação: a de que o consórcio beneficiado não levou o que pretendiam que levasse e a falta de comprovação de recebimento de algo por intervenção tão indevida.
Estão aí dois bons motivos para a CPI das Teles. O primeiro passo seria investigar por que os articuladores pró-Telecom Itália/Opportunitty foram surpreendidos pelos vencedores dos leilões da Telesp e da Tele Centro Sul. Foi essa surpresa que desarranjou o resultado pretendido para a Telemar, que acabou no colo de um “daqueles consórcios borocoxós”, que o ex-ministro Luiz Carlos Mendonça de Barros se orgulhava de “fazer e desfazer”.
Por último, mas não o último, vale a pena seguir o caminho aonde vai dar a exposição das tripas de certos homens públicos.

Educar é mais barato
O aumento da expectativa de idade dos americanos e o envelhecimento da população carcerária submetida a longas penas faz com que em alguns estados daquele país os gastos com o sistema penitenciário já superem os destinados à Educação. Os dados são ONG Human Rights Watch. Nos Estados Unidos, o número de presos já chega a 1,6 milhão, cerca de dez vezes o número de encarcerados no Brasil. Só a título de comparação, o Exército brasileiro hoje tem menos de 200 mil homens para um território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados.

Forca
Parece piada, mas foi sério: o presidente FH deu posse ontem ao Conselho de Ética do Serviço Público. O objetivo da comissão será definir padrões, critérios e a ética na conduta do serviço público.

Carteira cassada
Ainda de FH: em discurso ontem, o presidente disse que a oposição trata o impeachment como se fosse Código de Trânsito: “Impeachment não é multa para ser aplicado toda hora”, reclamou. Acrescentado: “A toda hora tem multa, multa, multa…” Onde algum observador atento acrescentaria, sobre o atual governo: “A toda hora tem infração, infração, infração…”

Love, love, love
FH, de novo. O presidente terminou seu discurso reclamando da banalização da privacidade “para fazer barulho”, da hipocrisia e da “apelação pseudo-ética de quem”, segundo ele, “não sabe separar o que é abuso do que é crítica e o que é suspeita do que é fato.” Disse que não se pode permitir que pessoas idôneas sejam “postas no pelourinho”. Diante disso tudo, encerrou ele, sem que muitos entendessem a relação, “o que é preciso no Brasil é mais educação”. E repetiu “mais educação” diversas vezes.

Distantes
Na cerimônia de posse do ministro Carlos Velloso, na presidência do STF (Supremo Tribunal Federal), FH e Itamar sentaram-se em lugares distantes e não se encontraram. Momentos antes, o governador de Minas Gerais defendera a realização de eleições gerais no ano 2000, inclusive – talvez principalmente - para presidente da República.

Autoridade
A ONU/Otan ainda não confirmou se alguns dos generais que comandam o bombardeio à Iugoslávia serão convidados para compor o Tribunal Internacional que se arvorou o direito de julgar o presidente Milosevic.

Força de trabalho
Dos 6,2 milhões de pessoas que compõem a população economicamente ativa (PEA) do Estado do Rio de Janeiro, 600 mil, ou quase 10%, trabalham com artesanato e em profissões domésticas. Esse número corresponde a 20% dos  trabalhadores informais do estado, que somam 3 milhões. A renda média mensal do setor que engloba artesãos e trabalhadores domésticos é de R$ 400. Os dados são da Secretaria estadual de Desenvolvimento e Turismo do Rio de Janeiro.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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