SUS não atualiza medicamentos para câncer de mama há quase 20 anos

Especialistas temem uma onda de câncer de mama em fase metastática no pós-pandemia.

A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) iniciou no último dia 10 a etapa de consulta pública para a incorporação de CDKs, classe terapêutica inovadora voltada ao tratamento de pacientes com câncer de mama localmente avançado ou metastático. Atualmente, o Sistema Único de Saúde já conta com esse tipo de inovação para apenas 20% dos casos, enquanto a maior parte das pacientes carece de novas opções de tratamento.

Desde o início da pandemia, números relatam uma queda de pelo menos 50% na realização de mamografias de rastreamento. Esse dado preocupa especialistas, que temem uma epidemia de diagnósticos de câncer de mama avançado para os próximos anos.

O câncer de mama, em alguns casos, se manifesta de maneira mais agressiva em mulheres mais jovens, com taxas de mortalidade mais elevadas quando comparadas às mulheres de idade mais avançada.

“Por isso a universalidade do SUS é tão necessária. É preciso que, cada vez mais, os medicamentos incorporados atendam todas as pacientes, de todas as faixas etárias. Também é nosso papel como cidadãos ter isso em mente e, quando chegar a oportunidade de contribuir com uma consulta pública, demonstrar a importância da inclusão de todos os pacientes na lista de medicamentos oferecidos no Sistema Único de Saúde, que é responsável por oferecer acesso à saúde a 75% da população brasileira”, diz André Abrahão, diretor médico da Novartis Oncologia.

Já o preço dos medicamentos vendidos aos hospitais no Brasil registrou em agosto a maior queda deste ano (-2,29%), o que representa o terceiro recuo consecutivo do índice após as quedas em julho (-1,90%) e junho (-0,81%). Os dados são do Índice de Preços de Medicamentos para Hospitais (IPM-H), indicador criado pela Fipe em parceria com a Bionexo – health tech líder em soluções digitais para gestão em saúde.

É o segundo maior recuo mensal da série histórica do índice, iniciada em janeiro de 2015, ficando atrás apenas de setembro do ano passado, quando houve queda de -2,48% (imagem abaixo). O resultado ficou abaixo do comportamento do IPCA/IBGE (+0,87%), da taxa média de câmbio (+1,84%) e do IGP-M/FGV (+0,66%) no período.

Em agosto, o comportamento do índice foi impactado pela queda nos preços de quase todo os grupos de medicamentos, com destaque para aparelho cardiovascular (-9,91%); sistema nervoso (-8,34%); sistema musculoesquelético (-5,97%); preparos hormonais (-4,84%); anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (-3,57%); aparelho digestivo/metabolismo (-2,29%); entre outros. Em contraste, os únicos grupos que registraram alta mensal nos preços em agosto foram imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+2,86%) e agentes antineoplásicos (+0,08%).

No acumulado do ano, a alta de 9,93% do IPM-H é influenciada pelos aumentos observados em quase todos os grupos de medicamentos incluídos na cesta do índice: sangue e órgãos hematopoiéticos (+19,70%), preparados hormonais (+16,72%), aparelho digestivo e metabolismo (+13,61%), sistema nervoso (+13,12%), imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+13,00%), órgãos sensitivos (+10,47%), sistema musculoesquelético (+8,88%), aparelho respiratório (+6,13%), agentes antineoplásicos (+6,07%), anti-infecciosos gerais para uso sistêmico (+5,66%) e aparelho geniturinário (+4,06%).

Já em relação aos últimos 12 meses encerrados em agosto/2021, a elevação apurada no IPM-H (+7,85%) é impulsionada pelas variações registradas nos seguintes grupos: aparelho digestivo e metabolismo (+28,27%), sangue e órgãos hematopoiéticos (+23,80%), sistema musculoesquelético (+13,58%), imunoterápicos, vacinas e antialérgicos (+13,42%), órgãos sensitivos (+9,62%), aparelho respiratório (+7,10%), sistema nervoso (+6,51%), aparelho geniturinário (+5,84%), preparados hormonais (+5,25%) e agentes antineoplásicos (+4,21%).

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