Suzano estuda investir em nova fábrica

Receita líquida de papel da produtora de celulose foi de R$ 1.302 milhões no 3T20, 28% maior que no trimestre anterior.

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Em entrevista nesta sexta-feira com jornalistas para explicar os resultados do terceiro trimestre, o presidente da Suzano, maior produtora de celulose de eucalipto do mundo, Walter Schalka, afirmou que as oportunidades estão no radar da companhia. “Estamos mais cautelosos na aprovação de investimentos para o próximo período”, admitiu.

O orçamento da Suzano para 2020 é de R$ 4,2 bilhões a R$ 4,3 bilhões, o valor de 2021 só será conhecido no próximo ano”, destacou o executivo. Sem detalhar nada, ele anunciou que a empresa investirá em uma nova fábrica de celulose. Ele não especificou quando isso ocorrerá.

A receita líquida de papel da produtora foi de R$ 1.302 milhões no 3T20, maior em 28% vs. 2T20, decorrente dos maiores volumes de vendas observados no 3T20 comparado ao segundo trimestre, mais impactado pelas medidas restritivas da Covid-19.

O preço líquido médio foi de R$ 4.081/ton no 3T20 apresentando um aumento de R$ 57/ton (+1%) em relação ao 3T19 em função do efeito câmbio nas exportações e uma redução de R$ 249/ton (-6%) em comparação com o 2T20, devido à queda dos preços de papel nos mercados internacionais.

Imaginamos que com a geração de caixa que temos e com eventual aumento de preços, dependendo do câmbio, poderemos chegar a um patamar adequado até o final de 2021”, disse Schalka .

No texto de apresentação dos resultados do terceiro trimestre, a empresa destacou que o impacto da Covid-19 na indústria global de papel e celulose no 3T20 foi diferente na forma e na intensidade nos principais mercados. A rápida retomada das atividades econômicas na China favoreceu, ao longo do terceiro trimestre, o gradual aquecimento da demanda por papéis de imprimir & escrever, especialidades e, especialmente, por papéis sanitários.

Na Europa, a recuperação da demanda por papéis de imprimir & escrever e especialidades vem acontecendo de forma ainda tímida, mas no final do trimestre a empresa percebeu uma melhor taxa de utilização dos ativos da indústria. Paralelamente, a demanda por papéis sanitários continuou demonstrando sólido crescimento, acima da média histórica em mercados como América do Norte e Europa, impulsionado, principalmente, pelo consumo doméstico (at home) e leve recuperação do segmento institucional durante as férias no hemisfério norte.

Papéis para embalagens continuaram performando positivamente, acompanhando os novos hábitos de consumo. Neste contexto, as vendas de celulose da Suzano no 3T20 totalizaram 2.527 mil toneladas, praticamente estáveis quando comparadas ao 3T19 e 9% abaixo do volume realizado no 2T20”, reportou o relatório.

A produção de celulose de eucalipto da Suzano tem capacidade para 11 milhões de toneladas anuais. A empresa conseguiu aumentar o valor da tonelada de celulose vendida à China, que voltou ao patamar de 470 dólares, após quedas em trimestres anteriores. A Suzano aumentou em 20 dólares o valor da tonelada.

 

Otimismo

 

A empresa acredita poder ampliar a produção no próximo ano e de conseguir reduzir a dívida. No terceiro trimestre, a Suzano teve vendas estáveis de celulose ante mesmo período de 2019, as vendas de papel tiveram leve elevação e a companhia conseguiu reduzir sua alavancagem para 4,4 vezes dívida líquida sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda).

Schalka disse que o aumento que houve na China não ocorreu nos Estados Unidos e na Europa, onde a pandemia de coronavírus continua impactando as economias.

Somos cautelosamente otimistas. Mas tem eleição (nos EUA) e as ondas da pandemia...Não sabemos se vai haver novos lockdowns, quando vacinas vão ser implementadas...Apesar de sermos cautelosamente otimistas, estamos olhando com muita granularidade para o que está acontecendo”, disse Schalka.

Conforme a Reuters, as ações da companhia eram uma das poucas que subiam nesta sexta-feira, a 3,85% às 12h23, junto com os papéis da rival Klabin, que tinham ganho de 1,4%.

O diretor comercial de celulose da Suzano, Carlos Aníbal, está otimista com o aumento da demanda por celulose no quarto trimestre.

Todas as regiões em que atuamos melhoraram a demanda no terceiro trimestre...Este trimestre vai ser forte em produção de papel na China e isso tem a ver com alta na demanda doméstica e aumento de exportações para a região, o que é um impulsionador para a celulose”, disse Aníbal.

No trimestre, a celulose foi comercializada pela Suzano a um preço líquido médio de US$ 454/tonelada, apresentando uma queda de US$ 12/ton (-3%) com relação ao 2T20 e US$ 73/ton (-14%) frente ao 3T19 resultante da correção do preço da celulose no mercado global. O preço médio líquido no mercado externo ficou em US$ 458/ton (frente a US$ 471/ton no 2T20 e US$ 526/ton no 3T19).

Fechamos o mês (de outubro) e concluímos negócios com o novo preço (470 dólares). Tivemos sucesso em implementar o reajuste...O ano de 2021, por causa de menores paradas para manutenção, indica que vamos produzir mais que 2020”, afirmou o executivo sem dar detalhes.

Para os três últimos meses do ano, a Suzano espera conseguir manter seu custo caixa ao redor de R$ 600 a tonelada, mesmo patamar dos últimos dois trimestres, disse Schalka.

O executivo afirmou que a empresa tem olhado para oportunidades de crescimento, mas segue firme no propósito de reduzir a avalancagem para “nível adequado”, que seria algo entre duas e três vezes, podendo chegar a 3,5 vezes se a empresa embarcar em um projeto relevante de expansão de capacidade.

Vendas

As vendas de papel da Suzano (imprimir e escrever, papel cartão e tissue) no Brasil totalizaram 220 mil toneladas no 3T20, um aumento de 57% em comparação com o 2T20 e de 4% em comparação ao 3T19, resultantes de maiores vendas de produtos para embalagem e papéis utilizados para campanhas eleitorais municipais. As vendas de papéis no mercado interno e externo no 3T20 totalizaram 319 mil toneladas, um aumento de 36% vs. o 2T20, e de 2% na comparação com o 3T19. As exportações de papel representaram 31% do volume total vendido (vs. 40% e 33% no 2T20 e 3T19, respectivamente).

 

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