A taxa de juros real neutra do Brasil foi estimada em 5,7% ao ano no primeiro trimestre de 2025. Este número implicaria uma Taxa Selic nominal próxima de 9%, com inflação na meta de 3% e PIB operando em seu nível potencial.
O levantamento, conduzido pela Rio Bravo Investimentos, traz uma leitura abrangente sobre o custo estrutural do capital e sobre a eficiência da política monetária no Brasil, temas centrais para investidores e formuladores de política econômica.
A taxa de juros foi mantida pelo Banco Central em 15% ao ano, o que leva a taxa de juros real a 9,74%, a segunda maior do planeta, atrás apenas da Turquia (17,8%) e superior à da Rússia em guerra (9,1%) e da Argentina, cuja economia está quase quebrada (5,16%), de acordo com levantamento feito pela MoneYou.
O cálculo da Rio Bravo, obtido pelo modelo Holston, Laubach e Williams (HLW) – metodologia desenvolvida por economistas do Federal Reserve de Nova York – reforça que o país continuará convivendo com juros estruturalmente elevados, independentemente do ciclo monetário. A empresa de gestão foi fundada por ninguém menos que Gustavo Franco, que presidia o Banco Central quando o Brasil entrou na crise cambial de 1999.


Segundo o estudo, a explicação passa pela baixa sensibilidade da economia às variações da taxa básica de juros, o que reduz a potência da política monetária. Mesmo diante de um “gap” positivo entre a Selic real e o juro neutro, a atividade reage pouco, e a inflação corrente mostra resposta limitada ao hiato do produto.
“O modelo mostra que, mesmo com estabilidade de preços e crescimento próximo ao potencial, a economia brasileira requer juros reais elevados para conter pressões inflacionárias. Isso evidencia um sistema financeiro segmentado e uma transmissão ineficiente da política monetária”, afirma José Alfaix, economista da Rio Bravo Investimentos.
Juros seguirão altos, projeta a Rio Bravo
O estudo conclui que juros altos seguirão sendo parte do ambiente econômico brasileiro no futuro previsível. Mesmo após a convergência da inflação à meta, empresas e investidores devem planejar decisões de financiamento e alocação de capital com base em um custo estruturalmente elevado, segundo a Rio Bravo.
O documento destaca que apenas reformas institucionais e avanços na produtividade poderão, no longo prazo, reduzir o nível do juro real neutro. Até lá, a taxa neutra estimada em 9% segue como o ponto de equilíbrio de uma economia que ainda paga caro para manter a estabilidade.
Completando 25 anos desde a sua fundação, a Rio Bravo tem mais de R$13 bilhões em ativos sob gestão, distribuídos entre 40 fundos de investimento e mais de 200 mil cotistas.
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