Tea Party tupiniquim

Com menos de um ano de mandato e às vésperas de enfrentar a segunda rodada da recessão mundial iniciada em 2008, a presidente Dilma Housseff, não pode continuar a ser pautada pelo udenismo tardio da imprensa local, que, na ausência de divergências essenciais com a política econômica, optou por assumir o papel do Tea Party tupiniquim. Para isso, Dilma precisa aproveitar as nuvens sombrias que rondam Estados Unidos e Europa para deslanchar o projeto de desenvolvimento nacional e, em vez de insistir em pisar no freio da economia, acelerar, para fazer do fortalecimento do mercado interno, a melhor blindagem contra a crise externa.

Capitulacionismo de Obama
Apesar dos termos genéricos do armistício terem empurrado para adiante o embate sobre o papel do Estado no país, o vergonhoso acordo imposto pelos republicanos ao presidente Barack Obama confirma que a tentativa de Obama de buscar o consenso partidário entre antípodas, longe de distensionar o ambiente político, estimula os setores mais reacionários a buscarem aprofundar sua pauta fundamentalista. E, a exemplo do ocorrido na acachapante derrota sofrida na eleição para o Congresso, é possível que, no pleito presidencial de 2012, enquanto os eleitores que se opõem ao democrata mantenham o propósito de ir às urnas para sufragar o candidato republicano, os estadunidenses que acreditaram que Obama representaria uma mudança efetiva, principalmente os jovens e os que se inscreveram como independentes, desencantados com seu governo, optem por não votarem.

Só para constar
Brasileiros que desembarcam no aeroporto de Cancun, no México, são surpreendidos pelo excessivo rigor a que são submetidos os passageiros, com até três pedido de apresentação de passaporte, revista com cachorros e abertura de bagagens. Depois de todo esse infortúnio, que pode obrigar o viajante a levar até uma hora para sair do aeroporto, quem vai a algum das paradisíacas praias do lugar, como Isla Mujeres, pode ver donos de lanchas luxuosas e seus convidados fumando maconha a poucos metros da areia, sem sofrerem qualquer tipo de infortúnio.

Quem votou?
Convescote realizado mês passado em Nova York, tendo como tema o Brasil, reuniu banqueiros e gestores de fundos especulativos. Algumas pérolas colhidas na conferência:
“O Brasil atingiu o limite do crescimento sustentável”, afirmou Augusto de la Torre, economista-chefe para a América Latina no Banco Mundial (Bird).
“Enquanto enfrenta o dilema duplo de uma moeda que se fortaleceu 47% em comparação com o dólar desde o final de 2008, e o aumento de preços ao consumidor acima da meta do Banco Central, o Brasil pode tornar-se vítima de seu próprio hype”, disse Christopher Sabatini, diretor-sênior do Conselho das Américas.
Mas a mais emblemática frase foi dita por Michael Shaoul, todo poderoso do Marketfield Asset Management. Para ele, à medida que o Banco Central eleva as taxas de juros, a economia brasileira está prestes a passar por uma “recessão democrática moderna”.

Protecionismo
A União Européia (UE) tem ampliado, sem alarde, o seu arsenal alfandegário, para enfrentar as importações das economias emergentes como China, Índia e Brasil. No final de 2010, com a devida discrição, foi aprovada legislação que facilita a implementação de medidas antidumping e salvaguardas de todos os tipos, com maioria simples de votos dos países membros do bloco, em vez da maioria qualificada anteriormente necessária.

Ética
A prática educativa requer atitudes que alinhem ética e competência nos relacionamentos e nas decisões, afirma Vasco Pedro Moretto, especialista em Avaliação Institucional pela Universidade Católica de Brasília e mestre em Didática pela Universidade Laval (Canadá), que falará, neste sábado, sobre “Ética e Competência”, no Colégio Anglo-Americano, no Rio.

Soma zero
No caso improvável de o tucanato emplacar a CPI dos Transportes, os contribuintes devem pressionar para não se repetir o padrão das comissões anteriores. Nestas as descobertas de irregularidades do presente eram anuladas pelas revelações de malfeitorias do governo do PSDB. Na prática, em vez de expor as vísceras de todas administrações que precisam ser investigadas, as CPIs tucano-petistas servem para anistiar ambos os lados, que, entre mortos e feridos, saem todos impunes.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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