TecBan: mercado, linhas de negócio e perspectivas

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Marcelo Gomes (foto divulgação TecBan)
Marcelo Gomes (foto divulgação TecBan)

Conversamos sobre a TecBan com Marcelo Gomes, CFO da companhia.

 

O principal negócio da TecBan é o Banco24Horas. Você pode nos dar uma visão geral sobre as demais unidades de negócio da companhia?

Além do Banco24Horas, a TecBan é formada pela TBForte, transportadora de valores, TBNet, empresa de telecom, e TBSI, empresa de serviços integrados de logística e infraestrutura que criamos recentemente para o atendimento de varejistas, instituições financeiras ou mesmo fabricantes de equipamentos, que, por exemplo, precisam viabilizar suas instalações.

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Com relação ao Banco24Horas, ele é muito conhecido pelo caixa eletrônico onde é feito o saque, mas, dentro dele, existem várias linhas de negócio onde atuamos fortemente. Uma das mais antigas e importantes é o ATM Manager, o nosso serviço de gestão de rede. Por exemplo, um banco pode contratar a TecBan para fazer a gestão da sua rede de ATMs (Automatic Teller Machine, ou, na forma como se chama no Brasil, caixa eletrônico).

Nesse serviço, nós temos os maiores bancos, entre eles os cinco acionistas da TecBan (Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal), bancos médios e bancos digitais, que, em algum momento da sua curva de crescimento, entendem que precisam ter uma rede de ATM para atender uma parcela da sua clientela.

Mais recentemente, desenvolvemos o produto Mais Varejo, que está embasado em equipamentos recicladores, os caixas eletrônicos que aceitam depósitos. Os recursos depositados nesses ATMs, depois de sensibilizar a conta, são utilizados na recirculação para operações de saque, o que traz uma eficiência muito grande, tanto para o cliente, principalmente os varejistas, quanto para nós, por causa do custo de transporte de numerário.

Dentro do trabalho de inclusão financeira, desenvolvemos uma solução móvel chamada Banco 24Horas Itinerante. Nessa solução, os ATMs são colocados em caminhões e levados até a população nas mais diversas situações, como uma cidade que sofreu uma inundação, e que precisa de um serviço de emergência, ou um evento festivo de grandes proporções.

Nós também temos os espaços Banco24Horas, projeto que iniciamos em 2019 e que visa a ampliação da oferta de serviços. Através desses espaços, atuamos em cidades que possuem uma rede bancária muito restrita, com uma capacidade limitada para atender a população, ou que estão muito remotas, onde é muito difícil prover esse tipo de serviço por uma questão de circulação de numerário. Nesses espaços, colocamos os nossos ATMs e agregamos algum serviço de utilidade pública.

Outro serviço que temos agregado ao próprio ATM é uma mídia Out of Home (OOH) colocada em cima do equipamento. Isso começou há três anos, e já temos mais de mil campanhas veiculadas.

Há pouco tempo, começamos com o Santander o Banco24Horas em Agências. Com isso, o banco tem a opção de não ter, necessariamente, um caixa eletrônico que seja da sua rede. Depois do Santander, já estamos em negociação com o Banco do Brasil para expandirmos esse serviço.

Com a digitalização dos serviços financeiros, desenvolvemos o Saque Digital, que permite ao cliente, através de um token ou QR Code, fazer transações sem a utilização de cartão. Com essa solução, já fizemos mais de 35 milhões de transações.

Ainda no digital, criamos o totem, que possui as funcionalidades de caixa eletrônico, mas que não dispensa dinheiro. Como ele está agregado a um estabelecimento comercial, o cliente tem condições de fazer a retirada do dinheiro no caixa. Além disso, temos o Atmos, um POS que também faz esse serviço. Com essas soluções, o comerciante consegue criar um microecossistema de circulação de dinheiro, o que lhe permite ter um volume maior de negócios. Vale ressaltar que esses equipamentos são muito importantes para áreas muito remotas do país, que não têm acesso a numerário.

 

Qual o propósito do ecossistema que a TecBan está montando?

A nossa ideia é fazer a convergência do físico com o digital. Na conjunção desses fatores, conseguimos trazer eficiência, inovação e segurança. Estrategicamente, podemos ser um acelerador de eficiência para os nossos acionistas e rede de associados.

Quando entramos na cadeia de valor dos bancos, oferecendo serviços e infraestrutura, damos capilaridade, competitividade e serviços que vão muito além do saque. Com os formatos que comentei, conseguimos prover a eficiência que os bancos precisam.

Com relação à TBForte, queremos ampliar muito mais esse trabalho no sentido de termos uma atuação macro na circulação do dinheiro no país. Não só fazer a parte micro: recolher de um banco e levar para outro, recolher do varejista e levar para base ou fazer a distribuição nos ATMs. Não. Nós entendemos que hoje o dinheiro tem um custo bastante representativo na sua circulação. Como estamos trabalhando há muitos anos nesse ramo, identificamos várias oportunidades para fazermos com que o ciclo de numerário, tanto entre bancos como no próprio varejo, possa ser mais eficiente.

Com relação ao Open Finance, tanto Open Banking quanto Open Insurance, fomos os pioneiros. Trabalhamos com uma empresa do Reino Unido, que também foi pioneira na implantação do Open Finance de lá, e começamos a oferecer esses serviços para as instituições financeiras que optaram por contratar esse serviço, e não implementá-lo como fizeram os grandes bancos, que optaram por desenvolver soluções internas.

 

Então a TecBan pretende explorar o Open Insurance apenas para prestar serviços?

Exatamente. A nossa condição de switch natural do sistema financeiro permite esse compartilhamento de informações do cliente para as instituições, sejam bancos ou seguradoras. O trabalho que vamos fazer é a conexão, o motor por trás dessas atividades. É como fazemos hoje com as criptomoedas. Nós não somos uma empresa que gera a moeda digital, mas estamos na ponta final: quando um cliente que transformar cripto em dinheiro físico, ele faz a transação no ambiente do banco, que disponibiliza, através da nossa rede, o dinheiro físico.

 

A TecBan possui algum plano de se transformar em banco digital?

Nós nunca tivemos esse plano. Independente de ser um banco tradicional, digital ou uma fintech, entendemos que o nosso papel nesse ecossistema é permitir a troca de informações. Não é ser um end point, um negócio fim. Para nós, o mais importante é estarmos inseridos nessas cadeias de valor, dando sustentação através de conectividade, alta disponibilidade e segurança, e não, necessariamente, ser um provedor do serviço final.

O hub digital é uma plataforma que criamos, justamente, para agregar as fintechs e os bancos digitais na cadeia de valor do sistema financeiro. Qualquer cliente de fintech e banco digital, na última milha, ainda quer o dinheiro físico. Quando eles se associam à nossa rede, eles podem oferecer isso aos seus clientes. Nós vemos muito mais valor nessa linha, suportando e catalisando todo o modelo que já existe de bancos tradicionais, bancos digitais e fintechs no sistema financeiro.

 

Como a TecBan está vendo as perspectivas do Banco24Horas?

Nós estamos muito tranquilos com relação às perspectivas do Banco24Horas. Em termos de volumetria, o negócio se mantém bastante estável. A utilização do dinheiro físico no Brasil ainda é muito importante, e a distribuição desse dinheiro é fundamental.

Na própria pandemia, tivemos um crescimento na circulação de numerário por conta das iniciativas do governo, como o Auxílio Emergencial. Por exemplo, 34 milhões de pessoas, que não têm acesso a bancos, precisaram desse dinheiro. O pico de utilização de dinheiro se manteve nesse patamar com uma ligeira queda.

 

Como a TecBan está vendo o futuro do dinheiro físico no Brasil?

O dinheiro físico vai coexistir com o digital por muito tempo. O que tem que ser trabalhado é a racionalização da distribuição do numerário, de forma a que o dinheiro esteja sempre nas mãos das pessoas quando elas precisam.

Como disse, existem 34 milhões de brasileiros que não possuem contas bancárias. Recentemente, vimos um dado que apenas corroborou a nossa sensibilidade de negócio: mais da metade dos brasileiros utilizam dinheiro físico. Por mais que o Brasil seja um earlier adopter de tecnologia, 80% da população tem acesso precário à internet. Isso pode ser muito complicado para a pessoa, dependendo da situação em que ela esteja.

Na cultura da população brasileira e na nossa realidade socioeconômica, o dinheiro tem um papel fundamental.

 

Como a TecBan tem visto a concorrência de fintechs nos seus mercados?

Nós não vemos isso como uma concorrência, e sim como uma oportunidade. É justamente aquilo que comentei: a TecBan pode ser o motor dentro do ecossistema, trazendo acesso ao dinheiro para aqueles que têm contas digitais.

Por mais que os clientes de bancos digitais e fintechs estejam ali por causa das vantagens de custos e funcionalidades, no final das contas, eles precisam de acesso ao dinheiro. Com essas parceiras, conseguimos dar esse acesso.

Além disso, temos um cliente do ATM Manager, o Agibank, que está construindo a sua rede de atendimento. Ele é um banco digital que quer ter uma rede de atendimento.

Inclusive, verificamos que com a adesão de bancos digitais e fintechs, tivemos um aumento das transações digitais na nossa rede. Ou seja, além de fazer transações digitais através do aplicativo ou do computador, esses clientes também fizeram transações digitais nos nossos caixas eletrônicos, trazendo uma volumetria interessante.

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