Temor

“Eles querem, na verdade, é abortar o crescimento, que dá maior poder de barganha aos trabalhadores.” O comentário é do economista José Carlos de Assis, presidente do Instituto Desemprego Zero, ao contestar os colegas Raul Veloso e Afonso Pastore, para os quais o Brasil caminha para o pleno emprego: “Muitos economistas conservadores dizem que baixar muito o desemprego geraria inflação. O que eles temem mesmo é a força que os sindicatos ganhariam, pois o pleno emprego de verdade dá mais chances aos trabalhadores formais”, disse, frisando que o Brasil está muito longe de chegar ao desemprego zero.

ObaMerckel
Se insistirem em atuar apenas por um lado – fiscal ou financeiro – Europa e Estados Unidos terão sérias dificuldades para saírem da crise. Como ensinam os clássicos da economia, nesta área, medidas isoladas, geralmente, são insuficiente para dar conta das questões a serem resolvidas. Por isso, a insistência da União Européia em tentar conciliar o indispensável controle do sistema financeiro com a “reverência fiscal” – para citar George Soros – resultará num modelo esquizofrênico.
Nele, a desaceleração da economia reduz a arrecadação, que, dentro da lógica dogmática, amplia o aperto fiscal, deflagrando um ciclo vicioso, mesmo com juros mais baixos e bancos menos alavancados.
Já os Estados Unidos se equilibram na defesa do aumento dos gastos públicos, mas, como se recusam a um controle mais efetivo do cassino financeiro, terminam por criar um empoçamento da economia, no qual bancos capitalizados preferem ganhar juros aplicando em papéis públicos, em vez de ampliar o crédito.
O ideal seria misturar um pouco de cada: elevar os gastos públicos na Europa – como já pediu o próprio Barack Obama – e ampliar o controle sobre o sistema financeiro estadunidense, principalmente, sobre os mamutes grandes demais para quebrar, mas livres o suficiente para levarem a economia ao caos. Sem esquecer, porém, que, em matéria de regulamentação, o diabo está sempre nos detalhes.

Inovações
O texto básico do Novo Regulamento do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza (ISSQN), que vigora no Município de São Paulo desde 1º de Outubro de 2009, está na segunda edição do livro Regulamento do ISS 2010 (R$ 125, FISCOSoft Editora). Em linguagem didática, os autores analisam as principais inovações trazidas pelo novo regulamento, em especial as questões envolvendo o chamado Cadastro das Empresas Prestadoras de Outros Municípios (Cepom), a Nota Fiscal Eletrônica de Serviços, a geração de crédito para abatimento no IPTU, o Cadin Municipal, entre tantas outras. O livro pode ser adquirido em www.fiscosof.com.br/livraria

Ruído
A propósito de nota publicada aqui sobre divergências de informações internas no Banco do Brasil sobre a capitalização do BB via mercado de capitais, o dado correto era uma junção de duas versões. A confusão surgiu porque a central de ações do banco informou às agências que apenas os correntistas do BB, acionistas ou não, estariam habilitados a participar da operação, e não os detentores de papéis, independentemente de terem conta ou não na instituição. Na verdade, a capitalização é restrita aos acionistas do BB, correntistas ou não. Nas agências desta instituição é que apenas seus correntistas – desde que, até 24 de maio, já detivessem BB ON – poderão se credenciar para a compra. Os demais acionistas devem reservar os papéis em outras instituições ou corretoras.

Sem alma
O pífio desempenho das seleções africanas em seu próprio continente, com apenas Gana passando à oitavas de final, reafirma que, também no futebol, abdicar da própria identidade para aderir de forma acrítica ao projeto do colonizador resulta, como regra, em maus resultados. Ao abrirem mão da criatividade e do gingado que caracterizavam a infância do futebol africano para tentar seguir a disciplina tática européia, as equipes da África perderam os primeiros sem passarem a praticar a segunda. Mais ou menos como países em desenvolvimento que trocam a trilha da industrialização pela aventura de se especializarem em commodities.

Sono
A Copa do Mundo está criando levas de torcedores… de tênis, basquete, vôlei…

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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