Temores da segunda onda e falta de estímulos afetam mercados globais

Bolsas europeias tiveram dia de perdas consideráveis em meio ao cenário de avanço da pandemia no continente.

Opinião do Analista / 15:02 - 16 de out de 2020

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Os mercados internacionais amargaram quedas consideráveis, tendo em vista o aumento no número de infectados por Covid-19 na Europa e a ausência de esperança quanto ao pacote de estímulos nos EUA. No Brasil, o risco fiscal e o exterior impactaram negativamente o principal índice da B3.

Nova Iorque teve um pregão marcado pelo risco advindo dos temores em relação à segunda onda de coronavírus e ao impasse entre Republicanos e Democratas, que se mostram cada vez mais distantes de encontrar um lugar comum para que o estímulo fiscal seja disponibilizado antes das eleições. Do ponto de vista da conjuntura econômica, o mercado de trabalho ainda evidencia estagnação com os números pedidos por seguro-desemprego, a decepcionar mais uma vez as estimativas do mercado.

O Dow Jones perdeu 0,07%. A Nasdaq e o S&P 500 tiveram retração de 0,15% e 0,47%, respectivamente.

As Bolsas europeias tiveram um dia de perdas consideráveis em meio ao cenário de avanço da pandemia no continente, que já começa a levar muitos países a endurecerem novamente suas políticas de restrição social, impactando a retomada da economia na região. Além disso, os impasses em relação ao Brexit continuam gerando ruídos entre o país insular e a União Europeia.

Milão e Frankfurt tiveram as maiores quedas, -2,77% e -2,49%, respectivamente. Paris perdeu 2,11%. Londres e Madri passaram por desvalorização de 1,73% e 1,44%.

No Brasil, o mercado foi influenciado pelo mau humor externo, levando o principal índice da B3 a fechar em queda. Os riscos internacionais fizeram os agentes ficarem avessos ao risco, buscando ativos mais seguros e saindo de ativos de risco, conforme já ficara evidenciado no começo do dia com a pressão contra as moedas emergentes.

Internamente, a nova estratégia de leilão de títulos por parte do tesouro foi frustrante, tendo em vista a abertura dos prêmios das LTNs. Mesmo com títulos mais curtos, não houve demanda suficiente pelos títulos, contribuindo para o avanço da taxa de juros longa para janeiro de 2027 em 7,50%.

Do ponto de vista da conjuntura econômica, o IBC-Br (+1,06%) ficou aquém das expectativas (1,60%), mas já foi suficiente para os players considerarem o resultado positivo, quando aliado aos dados do comércio e dos serviços.

O Ibovespa teve queda de 0,28%, cotado a 99.054,06 pontos, e o dólar teve elevação de 0,46%, a R$ 5,62.

O petróleo acompanhou o risco advindo dos demais mercados com o noticiário em torno da segunda onda de coronavírus no Hemisfério Norte, podendo levar os países a terem novas restrições econômicas, diminuindo o nível de atividade econômica. As perdas só não foram maiores por conta da queda nos estoques da commodity produzida em solo americano, com retração de mais de 3 milhões de barris.

O WTI para novembro teve queda de 0,19%, a US$ 40,96, e o Brent com entrega para dezembro fechou em US$ 43,16, queda de 0,37%.

Na madrugada de hoje (16) as Bolsas no Oriente fecharam sem direção única, com os agentes ainda a ponderar os impactos da nova onda de coronavírus na Europa e o desgaste em relação à impossibilidade de pacotes fiscais nos EUA.

Dentro do continente, o campo geopolítico continua a gerar ruídos. O governo de Pequim ameaça retaliações aos EUA após sanções dos americanos contra Hong Kong, por conta das imposições da China continental à ilha, além da tensão militar envolvendo Taiwan.

Na China, Xangai teve alta de 0,13% e Shenzhen perdeu 0,39%. Em Tóquio, o Nikkei teve perdas de 0,41%. Na Coreia do Sul, o Kospi teve queda de 0,83% Taiwan perdera 0,60% e Hong Kong subiu a 0,94%. Na Índia, o Sensex teve elevação de 0,64%.

 

Para hoje - No Brasil, o resultado da CSN (CSNA3) foi positivo, revertendo prejuízos e alcançando um lucro líquido de R$ 1,262 bilhões. O Ebitd ajustado teve elevação de 124% em relação ao mesmo período do ano passado, alcançado R$ 3,506 bilhões.

Além disso, para o setor, CSN, Usiminas e ArcelorMittal anunciaram aumento de preços do aço em novembro.

Os futuros em Nova Iorque e os mercados europeus abriram em alta, com a possibilidade das esperanças em relação ao estímulo fiscal nos EUA voltar ao radar dos agentes, pois o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse à Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados, que o presidente Donald Trump pode fazer um lobby junto aos Republicanos para que o pacote de estímulos seja aprovado.

Boris Johnson deve decidir se continuará com as negociações com a União Europeia, o que pressiona a libra esterlina. Mas há sinal para volatilidade em Nova Iorque devido ao vencimento de opções de ações. O mercado de metais sobe em Londres, após possibilidade de greve de trabalhadores no Chile.

Os indicadores de inflação continuam em níveis baixos, indicando que o nível de atividade da economia do grupo ainda passa por percursos ocasionados pela pandemia na região. Tendo em vista que o indicador é de setembro, os impactos da retomada no número de infecções durante o mês afetaram fortemente o resultado.

Na observação anterior, o núcleo do Índice de Preços ao Consumidor continuou em 0,2% ao ano e ao mês. O IPC amplo, na perspectiva mensal, teve elevação dentro das expectativas, saindo de -0,4%, atingindo 0,1%. Ao ano, o indicador continuou em -0,3%, continuando a preocupar os agentes no que diz respeito à possiblidade de deflação.

Quanto às contas externas, a diminuição da atividade comercial por conta da queda na renda global impactou negativamente a balança comercial do Eurogrupo em agosto.

Em julho, o saldo da balança comercial foi de 27,9 bilhões de euros, enquanto em agosto somou 14,7 bilhões de euros.

Segundo o relatório da Eurostat, na comparação de janeiro a agosto de 2019 contra de janeiro a agosto desse ano, houve retração de -12,4% nas exportações e de -13,1% nas importações.

O Census Bureau divulgará os números do varejo e dos estoques das empresas nos EUA para o mês de setembro. Após números aquém do esperado em agosto (crescimento de 0,6% contra expectativa de 1,0%), os agentes ajustaram suas expectativas em 0,7% no mês de setembro. Para o núcleo, isto é, excluindo a variação em automóveis, o indicador pode subir ainda menos, em 0,5%, contra 0,7% em agosto.

Apesar do aumento da atividade econômica no país, a fragilidade do mercado de trabalho, como vem sendo evidenciado pelos pedidos por seguro-desemprego acaba por impactar o consumo e consequentemente, o varejo.

O Federal Reserve System publicará os números da atividade industrial de setembro.

Como há receios de uma segunda onda de coronavírus em todo o Hemisfério Norte e devido às marcas da pandemia deixadas na economia do país, os agentes tendem a considerar uma variação menor para as vendas das indústrias no mês, saindo de 1,0% para 0,7%.

Na esfera da produção, os números também são conservadores, com expectativa de sensível elevação em setembro, saindo de 0,4% em agosto e atingindo 0,5% em setembro. Contudo, mesmo que as expectativas se concluam, no acumulado do ano, o indicador ainda apresenta retração.

A Universidade de Michigan disponibilizará os indicadores de percepção e confiança dos consumidores da região para o mês de outubro.

Apesar do começo de novos casos na região terem aumentado na primeira metade do mês, a letalidade do vírus não é tão elevada, contribuindo para que a percepção dos agentes melhore.

O mercado acredita que a confiança do consumidor tende a sair de 75,6 pontos em setembro e vá para 76,5 em outubro.

A percepção do consumidor possui perspectiva um pouco mais conservadora, saindo de 80,4 pontos para 80,5 segundo as estimativas.

Para o índice de percepção de condições atuais, espera-se avanço de 0,7 ponto, a 88,5 pontos em outubro, contra 87,8 em setembro.

Por fim, a companhia Baker Hughes, publicará o número de sondas em operação ao longo da semana, trazendo expectativas quanto a produção de petróleo evolui ao longo da semana.

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