Temporários

Ao comentar, no Daily Telegraph de 19 de março, a intervenção do Fed para evitar a quebra do Bear Stearns, o editor Ambrose Evans-Pritchard escreveu: “Como alguns outros ursos do livre mercado, eu me acho agora em uma posição esquisita… Agora, mudamos de lado; estamos do outro lado, defendendo estímulos monetários, até mesmo defendendo o controle estatal da dívida do Bear Stearns. Não há dúvida de que teremos que defender intervenções ainda mais significativas do Estado, antes que tudo isso acabe. Todos nós nos tornamos socialistas temporários.” O artigo – que na classificação do boletim eletrônico Resenha Estratégica, resvala no cinismo – tem o emblemático título de “Melhor o socorro do Federal Reserve do que a década de 1930 revisitada”.

Troca de guarda
Já o economista estadunidense Jeffrey Frankel, professor da Universidade de Harvard, considera que, nos próximos dez anos, o euro poderá substituir o dólar como a nova moeda internacional. Frankel lembrou que, contrariando as previsões dos anos 90, nem o iene japonês nem o marco alemão conseguiram se firmar como moedas internacionais. Segundo ele, isso ocorreu porque as economias desses países eram menores do que a dos Estados Unidos e seus mercados financeiros menos desenvolvidos e líquidos do que o de Nova York. Frankel salienta, porém, que o euro tem a capacidade de desafiar o dólar, porque “a zona do euro tem aproximadamente o mesmo tamanho dos EUA e o euro tem mostrado uma reserva de valor melhor do que o dólar”, afirmou em entrevista ao International Economy.

Alternativa
A Cooperativa de Crédito dos Empregados de Furnas e Eletronuclear conseguiu recuperar todo o seu patrimônio líquido, num crescimento de 492,58%, após o prejuízo de R$ 17 milhões contabilizado em 2005. Em 2007, a carteira de empréstimos cresceu 85,53%. Um dos fatores que ajudam são os juros reais mais baixos do que os de mercado (cheque especial, 2,9%; empréstimos até dez vezes, 1,75%; e empréstimos até 48 vezes, 2,1%). A cooperativa não cobra pelo fornecimento de talão de cheques nem do cartão de débito. E, de quebra, vai destinar R$ 100 mil, ou R$ 10 por associado, para aquisição, plantio e conservação de mudas de árvores nativas em áreas devastadas do Grande Rio.

Passivo pode
Para o serviço telefônico 190 do Rio de Janeiro, propaganda nazista não é questão de polícia. Há cerca de duas semanas, um jornalista viu, num bar da Praça Mauá, no Centro do Rio, um homem com traços orientais vestindo uma camisa que ostentava a suástica. Ao ligar para a PM, foi informado pela atendente que, como o indivíduo – provavelmente algum marinheiro à procura de diversão nas casas de tolerância da área – não estava incomodando ninguém, a polícia nada tinha a fazer. Pelo visto, contrariando a Constituição brasileira, propaganda nazista para ser reprimida pela PM do Rio só se degenerar em alguma espécie de Noite de Cristais.

Desafinou
O secretário municipal das Culturas do Rio, Ricardo Macieira, em seu depoimento na CPI da Cidade da Música, na Câmara do Rio de Janeiro, sexta-feira, não explicou por que a Prefeitura contratou, sem licitação, por cerca de R$ 10 milhões, duas empresas criadas menos de um ano antes da assinatura do contrato, em maio de 2003. A acusação é do vereador Roberto Monteiro (PCdoB), que acrescenta que as firmas não funcionam no endereço indicado. Perguntado sobre a dispensa de licitação, o secretário teria se limitado a dizer: “A decisão foi minha”.

“Real life”
Há quase uma semana a Rua Marcílio Dias – na qual ficam os fundos do Ministério do Exército, no Centro do Rio – está às escuras. A Rioluz já foi informada várias vezes, mas parece instalada na mesma comunidade do prefeito César Maia no Second Life, na qual todas ruas são limpas, iluminadas, cheiram bem e não existem buracos nem risco de assalto para seus habitantes. Mas se, na vida real, isso acontece na rua da segunda principal unidade do Exército no país, dá para imaginar o estado de abandono em que se encontra as demais áreas da cidade.

Genérico
Entidades empresariais, como CNI, CNC, Conar e ABP, serão chamadas a participar de uma campanha preventiva e educativa contra a pirataria de produtos na Copa de 2014, no Brasil. A informação é do advogado Pedro Bhering, da Fifa. Essa ação será a primeira conseqüência do acordo assinado, em Zurique, entre a entidade e o INPI. A campanha teria mais chances de sucesso se acoplada a uma redução dos preços dos produtos licenciados, que ficam a léguas do poder aquisitivo do torcedor brasileiro.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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