Tensão com a China

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Ontem, foi dia de investidores ampliaram o apetite ao risco indo às compras e mercados encerrarem com boas altas em todo o mundo. Aqui a Bovespa registrou valorização de 2,90%, aos 87.946 pontos, na máxima, e dólar encerrando em mais uma queda (a sexta seguida) e cotado a R$ 5,28. No mercado americano, o Dow Jones com +2,21% e Nasdaq revertendo queda, com alta de 0,77%.

Mas hoje mercados iniciam o dia sob tensão por conta das relações diplomáticas entre os EUA e a China, tendo Hong Kong como foco. Na Ásia, mercados encerraram o dia com comportamento misto, Europa operando em alta nesse início de manhã e futuros do mercado americano também com comportamento misto. Aqui, dia também tenso com o desgaste das relações entre Jair Bolsonaro e o STF, mas a análise gráfica indica que podemos ainda tentar aquele objetivo que falávamos perto de 92 mil pontos, depois de o mercado destravar longa acumulação.

Os investidores estão preocupados com a relação entre EUA e China, já que foi aprovado na China elaborar lei de segurança nacional para Hong Kong. Com isso, o secretário de Donald Trump, Mike Pompeo, disse que as chances de reconhecer Hong Kong como território autônomo ficaram remotas. O presidente Trump coloca mais tensão falando em assinar, em breve, ordem executiva sobre mídias sociais. Com isso o Nasdaq opera em queda, com Facebook e Twitter com desvalorizações.

Na Coreia do Sul, o Banco Central optou por reduzir juros em 0,25%, para 0,50%, na menor taxa histórica. Na Europa, clima ainda de otimismo com o pacote de ajuda de 750 bilhões de euros da União Europeia, e também com declarações do BoE (o BC inglês) sobre que é melhor errar pelo excesso que pela falta de estímulos monetários. A libra está em queda.

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Na Zona do Euro, o índice de sentimento econômico subiu para 67,5 pontos, vindo de 64,9 pontos, mas a previsão era de alta para 70,0 pontos. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava queda de 1,58%, com o barril cotado a US$ 32,29. O euro era transacionado em US$ 1,10 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 0,69%. O ouro e a prata tinham altas na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto.

Aqui, a estatística da Covid-19 mostra o Brasil no primeiro lugar do ranking, com 20.599 novos casos e 1.086 óbitos. Essa trágica notoriedade vem exatamente quando alguns Estados começam a fazer a reabertura das economias. O risco segue elevado. O governo também pediu que o STF suspenda o depoimento do ministro Weintraub e tranque o inquérito.

Já o filho do presidente, Eduardo Bolsonaro, fala que o momento é de ruptura e versa sobre a necessidade de medidas enérgicas. A fissura prossegue grande nas relações entre os poderes. O bom é que o presidente finalmente sancionou o socorro aos estados e municípios e vetou o reajuste salarial de servidores até o final de 2021.

Na economia, o IGP-M fechado do mês de maio mostrou deflação de 0,28%, deixando a inflação de 2020 em 2,79% e em 12 meses com 6,51%. Destaque para a alta de 0,66% do IPA industrial. A FGV também mostrou a confiança do segmento de serviços em alta de 9,4 pontos em maio para 60,5 pontos.

O dia pode mostrar a Bovespa tentando mais uma sessão positiva, o dólar deve operar mais forte e juros em alta. Mas a agenda forte do dia pode alterar o comportamento dos mercados. Aqui, ainda teremos a nota de política monetária de abril e o resultado primário do governo central de abril; além de dados da Pnad contínua do trimestre encerrado em abril, com a taxa de desemprego podendo chegar a 13,2%.

Nos EUA, nova leitura do PIB, os pedidos de auxílio-desemprego e estoque de petróleo e derivados; além das encomendas de bens duráveis e discursos de dirigentes do Fed.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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