Tensões entre EUA e China abortam recuperação

Senado americano aprova lei que pode provocar a saída de empresas chinesas do mercado acionário do país.

Opinião do Analista / 10:27 - 21 de mai de 2020

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Ontem, foi dia positivo para os mercados acionários em todo o mundo, com investidores buscando maior volume de risco em suas posições. Aqui, a Bovespa terminou o dia com alta de 0,71%, e índice em 81.319 pontos, e com o dólar mostrando queda de 1,17% e cotado a R$ 5,69. No mercado americano, o Dow Jones com alta de 1,52% e o Nasdaq com valorização de 2,08%.

Hoje, mercados da Ásia encerraram o dia com quedas, capturando elevação da tensão entre os EUA e a China, Europa operando com queda nesse início de manhã e mercados futuros americanos com tendência de queda. Aqui seria bom se conseguíssemos manter o patamar do fechamento de ontem acima dos 81 mil pontos e tentar buscar faixa superior aos 83 mil pontos. Porém, o exterior fraco complica.

A tensão entre os EUA e a China vai chegando no limite, depois de o Senado ter aprovado lei que pode provocar a saída de empresas chinesas do mercado acionário americano, além de estudos de mais restrições para a atuação da Huawei no país, sem usar tecnologia americana. A Casa Branca culpa a China por atividade maligna e Donald Trump acaba de dizer que "espalharam dor e carnificina pelo mundo".

No Japão, as exportações de abril declinaram 21,9%, mas a expectativa era ainda pior em -22,7%. Lá, o índice PMI composto, que engloba indústria e serviços, subiu para 27,4 pontos em maio, vindo de 25,8 pontos. Indicadores PMI também para a Europa, e todos melhores. Na Alemanha, o PMI industrial de maio subiu para 36,8 pontos, de previsão de ficar em 28,5 pontos. O de serviços melhorou para 31,4 pontos. Na Zona do Euro, o PMI industrial foi para 39,5 pontos, serviços em 28,7 pontos e composto em 30,5 pontos. No Reino Unido, o industrial subiu para 40,6 pontos e composto em 28,7 pontos.

As estatísticas da Covid-19 no mundo indicam mais de 5 milhões de infectados. No mercado internacional, o petróleo WTI negociado em Nova Iorque mostrava alta de 2,30%, com o barril cotado a US$ 34,26. O euro era transacionado em alta para US$ 1,10 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros em 0,68%. O ouro e a prata tinham quedas na Comex e commodities agrícolas com viés de queda na Bolsa de Chicago. O minério de ferro negociado na China com alta de 1,35% e a tonelada em US$ 98,26.

No Brasil, a Covid-19 já fez 18.859 óbitos e o número de infectado subiu para 291.579. Ontem o presidente do BC disse que o principal canal de ajuda é através do crédito e pode fazer interferências no câmbio caso necessário. Segundo ele a crise pode ser mais longa e o desvio fiscal ainda maior, mas que o país vai voltar aos trilhos. Já a ociosidade da indústria, segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI) é a maior desde 2011 com 49% de utilização. A Fundação Getulio Vargas (FGV) mostrou a confiança da indústria em alta de 2,4 pontos em maio, para 60,6 pontos e diz que a utilização da capacidade está em 61%.

A inadimplência das famílias atingiu em maio recorde de 10,6% pela Confederação Nacional do Comércio CNC e seria a maior desde 2010. No mercado, o dia pode ser de Bovespa tentando manter patamar conquistado, mas está bem complicado pelo exterior. Minério e petróleo em alta pode ajudar com Petrobras, Vale e siderúrgicas (ADR de Petrobras mostra queda em Nova Iorque). Dólar fraco e juros em queda.

A agenda do dia traz indicadores que podem mexer com os mercados, como pedidos de auxílio-desemprego e índice de atividade de Filadélfia e PMI; além de discursos de dirigentes do Fed, Trump e Jerome Powell.

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Alvaro Bandeira

Economista-chefe do Banco Digital Modalmais

Fonte: www.modalmais.com.br/blog/falando-de-mercado

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