Tentando recuperar alta

Ontem foi um mau dia para os mercados de risco em todo o mundo.

Ontem foi um mau dia para os mercados de risco em todo o mundo, com os investidores aguardando a divulgação da ata do Fed da última reunião, para tentar extrair o pensamento sobre inflação futura e comportamento dos juros. Essa foi a grande preocupação de momento dos investidores.

A ata repetiu partes de textos anteriores, falou em forte recuperação da economia e inflação, em boa parte transitória pelos desarranjos provocados pela pandemia, mas também falou em debater mais para frente o programa de flexibilização monetária. A reação dos investidores foi negativa quanto a isso e mercados voltaram a ceder.

Hoje, as Bolsas da Ásia encerraram o dia majoritariamente negativas, Europa tentando recuperar o campo positivo nesse início de manhã e futuros do mercado americano em queda, mas já afastado das mínimas alcançadas. Aqui, seria bom não perdermos o patamar de 121 mil pontos do Ibovespa, num dia de agenda econômica fraca, mas com ruídos políticos fortes já que teremos a continuidade do depoimento de Eduardo Pazuello, ex-ministro da Saúde.

No Japão durante a madrugada foi anunciado que as exportações de abril cresceram 38% no ano, com mais de 45% para os EUA e 33,8% para a China. Aliás, a China anunciou que manteve a taxa referencial de empréstimos. Na Alemanha, a inflação medida pelo PPI (atacado) de abril cresceu 0,8%, e no comparativo com igual período, 5,2%. Israel é que manteve os ataques contra a faixa de Gaza, mesmo com os EUA pedindo o cessar-fogo.

Nos EUA, o órgão de saúde disse que será necessário um reforço da vacina contra Covid-19 em cerca de um ano. Citamos também as quedas observadas ontem com criptomoedas, com o bitcoin perdendo mais de 30% e recuperando um pouco no final. No mercado internacional, o petróleo WTI, negociado em Nova Iorque, tinha nova queda na sessão de hoje de 1,45%, com o barril cotado a US$ 62,44, depois de boas notícias divulgadas sob o acordo nuclear com o Irã. O euro era transacionado em US$ 1,219 e notes americanos de 10 anos com taxa de juros de 1,658%. O ouro e a prata em dia de queda na Comex e commodities agrícolas com comportamento misto na Bolsa de Chicago.

Aqui, a nova versão da MP da Eletrobras teve o texto base aprovado com placar de 297 x 143, e todos os destaques foram rejeitados. O BC também anunciou novas regras para cartão de crédito e contas pré-pagas. Pazuello volta para concluir seu depoimento na CPI da Covid-19, depois de confusão se passou mal ou não durante a sessão.

Na agenda, a Receita Federal divulga a arrecadação de abril e nos EUA, teremos o índice de atividade industrial da Filadélfia de maio, os pedidos de auxílio-desemprego da semana anterior e o índice de indicadores antecedentes do Conference Board de abril.

Expectativa para o dia de Bovespa tentando recuperar, mas a volatilidade prossegue, dólar podendo ficar mais fraco e juros em queda.

O temor inflacionário é sem dúvida a maior preocupação dos investidores em todo o mundo e tem aumentado de dimensão nas últimas semanas. Ontem todos vão estar buscando “agulha no palheiro” da ata do Fed. Com isso, por precaução, os mercados atuaram com quedas na sessão da quarta-feira e na busca por maior nível de proteção, com o ouro fechando em alta na Comex.

E não faltaram declarações sobre isso no exterior, principalmente após a divulgação da inflação no Reino Unido e Zona do Euro, com os títulos alemães e ingleses com taxas de juros em alta. O Banco Central Europeu (BCE) apontou riscos elevados à estabilidade financeira na Zona do Euro e que a retirada de estímulos pode redundar em salto de falências.

O Fed pode revisar em junho em seu Summary of Economic projections as projeções de PIB e inflação, dentre outros dados, mas com direção de alta. Os dirigentes regionais do Fed, que falaram hoje, disseram que a inflação em 2022 será maior que 2%, que estão programados para qualquer situação adiante, que a demanda está respondendo mais rápida que a oferta, enquanto James Bullard, do Fed de St. Louis, disse que está chegando perto de debaterem sobre a flexibilização monetária (QE), mas que ainda é cedo.

Por mais que dirigentes do Fed pareçam tranquilos com relação a inflação futura e consequente curva de juros, ainda assim os investidores seguem nervosos. O Institute of International Finance (IIF) diz que se os juros dos treasuries americanos continuarem em alta, os países emergentes sentirão a pressão, e se mostram preocupados especialmente com o Brasil, África do Sul e Turquia.

A ata do Fed repetiu muita coisa das anteriores, mas também destacou que atividade avançou acentuadamente e apontou indicadores melhores, mas seguem longe da meta de inflação e emprego. Há pressões salariais pela difícil contratação e problemas no abastecimento de suprimentos, se continuarem, vão pressionar inflação. Houve melhora nos mercados logo no início da divulgação, mas depois os juros longos dos treasuries subiram forte e bolsas aceleraram perdas.

Ainda no exterior, a China proibiu pagamentos em criptomoedas e o mercado delas desabou mais de 30% hoje. No mercado internacional o petróleo WTI chegou a mostrar queda de mais de 5% em Nova Iorque, recuperando um pouco em seguida. Estava depois com queda de 3,18% e cotado a US$ 63,41. O euro era transacionado em queda para US$ 1,217 e notes americanos com taxas oscilante e na casa de 1,674%. O ouro em alta e a prata em queda na Comex e commodities agrícolas com desempenho negativo na Bolsa de Chicago. O minério de ferro também interrompeu alta forte e encerrou na madrugada em Qingdao, na China, em queda de 3,83% e com a tonelada em US$ 216,16.

Aqui, a segunda prévia do IGP-M assustou analistas com aceleração de 3,83%, contra anterior de 1,17% e o fluxo cambial divulgado pelo BC até o dia 14 de maio ficou negativo em US$ 524 milhões, com saídas pelo canal financeiro de 417 milhões. No ano o fluxo é positivo em US$ 12,19 bilhões. O BC relatou ganhos com operações de swap cambial de R$ 4,26 bilhões e a posição cambial líquida estava em US$ 275,4 bilhões.

No mercado, a quarta foi dia de dólar fechando depois de muita oscilação em +1,17% e cotado a R$ 5,316. Na B3, na sessão do último dia 17, os investidores estrangeiros alocaram recursos no montante de R$ 1,1 bilhão, deixando o saldo positivo de maio em R$ 7,63 bilhões e o ano com ingresso líquido de R$ 26,8 bilhões. No mercado acionário, dia de queda da Bolsa de Londres de 1,19%, Paris com -1,43% e Frankfurt com -1,77%. Madri e Milão com perdas de respectivamente 1,23% e 1,58%. No mercado americano, muita oscilação depois da divulgação da ata do Fed, mas o Dow Jones fechou com -0,48% e Nasdaq com -0,03%. Na B3, dia de queda de 0,28% e índice em 122.631 pontos. Destaque positivo para ações de bancos e de commodities agrícolas.

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Alvaro Bandeira

Sócio e economista-chefe do Banco Digital Modalmais

 

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