O setor financeiro ainda é um dos mais atingidos por ataques cibernéticos no Brasil. Levantamento divulgado pela empresa de soluções de cibersegurança Fortinet, com base nos dados do FortiGuard Labs, indica que o Brasil foi o segundo país mais atingido da América Latina em 2022, com 103,16 bilhões de tentativas de ataques cibernéticos, aumento de 16% com relação ao ano anterior (88,5 bilhões). Na região, o país fica atrás apenas do México (com 187 bilhões), seguido por Colômbia (20 bilhões) e Peru (15,4 bilhões).
O total da América Latina e Caribe, de acordo com a pesquisa, foi de mais de 360 bilhões de tentativas de ciberataques em 2022. Segundo o estudo, na comparação entre o último trimestre do ano e o anterior, houve um aumento de 61,7% no número de tentativas de ataques cibernéticos sofridas pelo país.
Nesta quinta-feira, o Laboratório de Segurança Cibernética da Federação Brasileira de Bancos (Febraban) encerrou o 5º Exercício de Gerenciamento de Crise Cibernética, com a participação de integrantes de 14 bancos associados e de parceiros estratégicos da entidade, como Banco Central, ComDCiber (Comando de Defesa Cibernética do Exército Brasileiro) e Núclea (antiga CIP). Nesta quinta-feira, último dia, o exercício foi voltado para as equipes estratégicas das instituições, focadas na tomada de decisões.
No evento de simulação de crise cibernética, 55 participantes foram expostos à diferentes cenários de ataques referentes ao setor financeiro e seu funcionamento. Nos três primeiros dias (27 a 29 de novembro), as equipes técnicas dos participantes tiveram de lidar com até três cenários de ataques diferentes em cada dia.
“A integração das instituições na construção de estratégias e procedimentos comuns para o enfrentamento de crises cibernéticas é um dos principais objetivos deste simulado. Com isso, esperamos contribuir para elevar cada vez mais o grau de maturidade do setor financeiro e da sociedade como um todo em segurança cibernética, requisito essencial para a manutenção de um ambiente de negócios saudável, seguro e inovador”, afirma Isaac Sidney, presidente da Febraban.
No último dia do exercício, o público foi formado por 22 pessoas de cargos estratégicos como executivos responsáveis por segurança cibernética, comunicação, área jurídica, DPO (Data Protection Office, profissional encarregado de proteger os dados da empresa), responsáveis por governança de riscos e compliance e os parceiros convidados. Eles receberam relatórios feitos pelos participantes dos outros dias e tomaram decisões para solucionar os problemas encontrados.
Inaugurado em setembro de 2020 pela Febraban, o Laboratório de Segurança Cibernética completa três anos de atividades com 105 treinamentos/workshops gratuitos que
somaram 500 horas direcionadas para profissionais dos 115 bancos associados voltados para prevenção, conscientização e combate a crimes digitais. Deste total, 20 treinamentos foram exercícios práticos para o combate de ameaças cibernéticas em tempo real.
Ao longo de três anos, o Laboratório registrou 11 mil participações de funcionários de bancos, incluindo parcerias feitas de treinamentos com funcionários do Supremo Tribunal Federal, Ministério da Justiça, polícias Federal e Civil.
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