Teratologia

Às vésperas do Natal, os idosos brasileiros são contemplados por um Papai Noel que reafirma o caráter das relações do governo Lula com a terceira idade. Sob a alegação de investigar “gastos excessivos” com saúde, a Receita Federal glosou milhares de declarações de renda, muitas das quais de pessoas em idade avançada. O que poderia ser justificado como uma atitude em defesa das boas normas tributárias se revela uma perversão social, quando milhares de velhinhos dispostos a comprovar os gastos feitos em 2004 com médicos e dentistas são informados de que só poderão fazê-los após notificados. Coisa de cinco anos. Quando, talvez acalantem burocratas, a morada de muitos seja em lugar distante dessas maldades terrenas, mas talvez desnecessitada de bens materiais.

A cura
O sociólogo polonês Peter Sloterdijk cunhou a expressão razão cínica para definir o exercício da hipocrisia do bom-mocismo feito pela ideologia oficial, para dissimular seu caráter perverso. O termo ganhou maior popularidade com sua importação para a Psicanálise pelo esloveno Slajov Zizek, que o trouxe para o campo do gozo perverso, tal como este é compreendido pelo campo lacaniano.
Esse conceito se opõe à kynisme, definido por Sloterdijk como uma espécie de “cinismo positivo”, apropriado pelos dissidentes, para se opor ao discurso oficial. No Brasil, a kynisme tem na paródia irônica de Machado de Assis um dos seus melhores momentos. Já a razão cínica tem na súbita preocupação com os gastos sociais de estados e municípios que assaltou a equipe econômica sua manifestação mais recente, embora longe de ser a mais original.
Na boca da equipe econômica do presidente Lula, o discurso do bom-mocismo, manifesto na cobrança de contrapartida das demais entidades federativas a programas de saúde e educação, convive com a suspensão do repasse de recursos para estados e municípios. O resultado líquido é o aumento da precariedade das condições de saúde e educação, justamente a matéria prima da retórica da equipe econômica para justificar a transferência desses recursos para engordar o superávit primário. Sob a retórica da preocupação social, fazem a alegria da turma que não enfrenta qualquer obstáculo para receber um ervanário expresso no pagamento de juros que somará, somente em 2005, cerca de R$ 176 bilhões.
Se esse exercício da razão cínica partisse de pessoas que não detivessem o poder concentrado pelos integrantes da equipe econômica, estaríamos apenas diante de casos patalógicos, a serem tratados numa boa clínica da Suíça, por exemplo. Como eles, na prática, governam o país, é o caso de recorrer a outro tipo de interdição. À das urnas, por exemplo, punindo os que permitem a nomenclatura sem votar tocar o país como se fôssemos 180 milhões de vassalos dos 15 mil detentores da dívida pública.

Caminho do petróleo
Será lançado, amanhã, às 13h, na Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ), o Guia Macaé, que pretende transmitir de forma clara e objetiva as principais informações sobre a cidade a moradores, governantes ou investidores. A publicação apresenta a empresários o potencial do município, que cresce em ritmo chinês graças à expansão do setor petrolífero. Durante o lançamento, secretário municipais apresentarão oportunidades de negócio em Macaé.

Fila
Luiz Gonzaga Beluzzo, eleito Intelectual do Ano de 2005 pela União Brasileira de Escritores, foi um dos economistas e personalidades que contribuíram para o curso “Pensamento Econômico e Filosofia” levar a Casa do Saber a bater seu recorde de participação e fila de espera, que exigiu a implantação de salas extras com transmissão simultânea. Participam dos oito módulos do curso – que contribuiu para uma visão do mundo e do Brasil a partir da filosofia e das idéias dos principais formuladores da teoria econômica – Delfim Netto, José Serra, Eduardo Suplicy e Persio Arida.

Sem fome
A Legião da Boa Vontade (LBV) inicia, hoje, em todo o país, a entrega dos alimentos arrecadados com a Campanha Natal de Jesus, O Pão Nosso de cada Dia!, para milhares de famílias que vivem em situação de risco social.  Com o apoio de artistas, empresários, voluntários, e estudantes, a campanha arrecadou 350 toneladas de alimentos, que serão distribuídos em forma de cestas.


Esta coluna apóia o aumento das vendas do comércio e a alegria das pessoas em dar e receber presentes, mas crê que o nó criado na Avenida Presidente Vargas, no Rio, nos últimos dias, reclama solução urgente. A ausência do poder público faz com que bandalhas e desrespeito generalizado às leis de trânsito sejam a regra na curta distância entre o Sambódromo e a Praça da República, que, em tempos natalinos, leva de 20 minutos a 25 minutos para ser percorrida.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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