Terminou em tragédia

Ao defender o controle de capitais para evitar a volatilidade no câmbio, o economista Plínio de Arruda Sampaio Júnior, da Unicamp, acusou o governo de adotar a “teoria da boate Kiss: não importa o volume (de dólares) que entra, a gente segura na saída”, ironiza, acrescentando que câmbio livre para um país com passivo externo da ordem de US$ 1,5 trilhão significa abdicar da soberania na condução da economia.
 
Manifesto
Em relação aos protestos pelas ruas do Brasil, Plínio de Arruda Sampaio Jr. considera que querer resolver a questão do financiamento de políticas públicas sem romper com a Lei de Responsabilidade Fiscal “é querer fazer a quadratura do círculo”. Para ele, as ruas pedem outra ordem de prioridades, entre elas “o fim do superávit primário e a renegociação das dívidas estaduais”, diz o economista da Unicamp. “O neodesenvolvimentismo do governo já foi desmontado. Está na hora de outro manifesto dos economistas”, advoga.
 
Culpa do Abreu
Com os sistemas dos bancos Bradesco e Caixa fora do ar, nesta sexta-feira, os clientes, já transtornados nas filas quilométricas nas agências pelo país afora, colocaram a culpa nos bancos, em “hackers do Movimento Passe Livre (MPL)” e até em tempestade geomagnética causada pelo sol. A desculpa dos bancos foi que “houve intermitência” em seus sistemas centrais. Só para relembrar: o sistema dos bancos já ficou fora do ar em maio e junho desse ano.
 
Desafios
Silvio Sinedino, presidente, e Fernando Siqueira, vice-presidente da Aepet, vão proferir palestra nesta segunda-feira, às 17h30, com o tema “A Petrobras hoje: problemas e desafios”. O evento é organizado pelo Movimento em Defesa da Economia Nacional (Modecon) e ocorrerá na Associação Brasileira de Imprensa (ABI, Av. Araújo Porto Alegre, 71, 7º andar, Centro/RJ).
 
Vida privada
A Booz Allen Hamilton (BAH), empresa para a qual trabalhava Edward Snowden (que denunciou a espionagem global realizada pelos Estados Unidos), recebe do governo estadunidense 99% da sua receita, que somou US$ 5,8 bilhões em 2012. O site AlterNet.org mostra que 70% do orçamento de inteligência dos EUA são destinados às empresas privadas, o que representa cerca de US$ 56 bilhões anuais. São mais de 1.200 organizações governamentais e mais de 1.900 empresas privadas, das quais cerca de 500 mil funcionários detêm classificações “Top Secret”, o que lhes garante o acesso ao mesmo nível de informações que Snowden.
A BAH teve origem na consultora Booz Allen, da qual se separou em 2008, vendida por US$ 2,54 bilhões ao Carlyle Group, empresa de investimentos de US$ 170 bilhões, que tem ou já teve entre os seus dirigentes e conselheiros nomes como o do ex-presidente George H.W. Bush, o ex-premier britânico John Major e o ex-secretário de Defesa Frank Carlucci.
 
Lucro próprio
“Independentemente do destino do ex-analista de inteligência Edward Snowden, as suas revelações sobre o vasto conluio da Agência de Segurança Nacional (NSA, na sigla em inglês) com empresas operadoras de telefonia e internet, para espionar os usuários, escancararam não apenas as colossais dimensões do complexo de segurança nacional estadunidense, mas também a sua virtual privatização, que contribui grandemente para transformá-lo numa instituição predominantemente voltada para lucrar com a sua autopreservação”, critica o boletim eletrônico semanal Resenha Estratégica.
 
Porta giratória
Finalmente, lembra a Resenha Estratégica, há a porta giratória – ou o que o presidente Dwight D. Eisenhower chamava “influência indevida”. “Com poucos regulamentos ou sem perguntas feitas no Capitólio, centenas de ex-altos funcionáiros da NSA e da CIA migraram do governo para o setor privado, e de volta para o governo. O astro deles é Michael McConnell, que foi diretor da NSA no primeiro mandato de Bill Clinton, voltou à Booz Allen por dez anos, foi diretor de Inteligência Nacional de George W. Bush, de 2007 a 2009, e retornou à Booz Allen.”
 
Vai e volta
Qualquer semelhança com BNDES e Banco Central…
 
Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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