Terra arrasada

Embora parte do governo Lula resista em aumentar a carga sobre a pesada herança herdada da longa administração FH, é sempre importante lembrar ao distinto público que o Brasil fechou 2002 com uma dívida total líquida (interna e externa), incluídos débitos privados, de R$ 1,463,8 trilhão. Esse número representa 107,33% do produto interno bruto (PIB).

Papéis trocados
O líder do governo no Congresso, senador Aloizio Mercadante (PT-SP) disse que o aumento dos juros para 26,5% ao ano tem como objetivo deixar a inflação sob controle. Ele culpou “a expectativa de guerra e a herança do governo Fernando Henrique Cardoso” e prometeu que os juros cairão no futuro como uma reação “às medidas de austeridade na gestão econômica do governo Lula.”
Já o presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho, à vontade no seu papel de neo-oposição, disse que a entidade “lamenta profundamente essa insensível e nefasta decisão do Copom de elevar o juro. Ao aumentar a taxa, o atual governo dá sinal da assimetria entre as aspirações populares de empregos e crescimento econômico e os interesses dos especuladores”. E continuou: “Essa medida contraria qualquer projeto de estimular a retomada do crescimento econômico, como havia sido prometido durante o período eleitoral. Nos dá a impressão de que o governo olha o país pelo retrovisor.”

Bilateral
O ministro da Ciência e Tecnologia, Roberto Amaral, faz hoje e amanhã sua primeira visita oficial à Argentina. Em pauta, incrementar a cooperação bilateral, iniciada em 1980 com a assinatura do Acordo Brasil-Argentina de Cooperação Científica e Tecnológica. Atualmente, os principais projetos de ciência e tecnologia entre Brasil e Argentina estão nas áreas de biotecnologia, qualificação industrial, espacial, nuclear e ciências do mar.

Sem perder a ternura
Deixando de lado cicatrizes da campanha eleitoral, a governadora do Rio de Janeiro, Rosinha Garotinho, pediu à sua antecessora, a atual ministra de Assistência e Promoção Social, Benedita da Silva, auxílio para conseguir junto a Lula uma solução para o pagamento do 13° salário do funcionalismo estadual. “Tenho certeza de que os servidores iriam agradecer a ela profundamente”, acariciou. Mas a governadora não deixou de dar algumas alfinetadas. Sobrou para Benedita – “foi quem deixou de pagar o 13°” – e para a Justiça (que ameaça bloquear recursos estaduais caso os serventuários não recebam): “Se a Justiça pagar o que deve à Imprensa Oficial, eu garanto o 13° deles”, afirmou Rosinha. A dívida, segundo o governo, beira os R$ 300 milhões.

Esculacho
Depois do anúncio da nova alta de um ponto percentual da taxa básica de juros (Selic), que saltou para 26,5% ao ano e do compulsório sobre depósitos à vista de 45% para 60%, um desanimado, mas ainda irônico, eleitor de Lula, plagiou o traficante Elias Maluco para dirigir um apelo ao bloco hegemônico na direção do PT e do governo: “Pô, Articulação, o povo perdeu, mas não esculacha!”

Memória
A Associação Nacional dos Servidores da Previdência Social divulgou nota alertando para o fato de que as pressões para que seja votada a reforma da Previdência e a intenção de favorecer fundos de pensão privados, lembram a execução do programa de privatização. O documento da entidade destaca que, no caso da venda das estatais, os responsáveis “levaram para o lixo US$ 80 bilhões do nosso patrimônio público”.

Encaixou
O fabricante da esponja de aço Assolan continua sua campanha em que busca tirar fatias do mercado da tradicional líder, a Bombril. Os comerciais que entraram no ar no final de semana são feitos em cima das mudanças vividas pelo país e das novas lideranças – inclusive na política. O inusitado é que os anúncios foram feitos pelo publicitário Nizan Guanaes, responsável pela campanha do candidato à Presidência da República José Serra, derrotado por Lula, justamente por um desses líderes em ascensão.

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Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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