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Terra do Nunca

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É aqui no Brasil que está a verdadeira Terra do Nunca e não na Califórnia, onde está o sítio de Mike Jackson, alvo de dez acusações que não foram reconhecidas pela justiça norte-americana em Santa Maria.
O Brasil parece um grande parque de diversões onde se sucedem os discursos televisivos, para alguns sacudirem a poeira de seus próprios destinos, hoje sendo julgados pelos caminhos conclusivos a que chegarem a CPI dos Correios, outra para breve do mensalão, e outras tantas que possam vir a acontecer pela sucessão de denúncias que pipocam diariamente na imprensa brasileira, antecipando fatos investigativos, que ninguém prevê com certeza aonde se chegará, pelo grau de aleatoriedade e quem sabe de verdades definitivas e incomodativas.
Depois de apurado o episódio do efeito RJ (Roberto Jefferson), caminhará com a continuidade das reformas neoliberais à Constituição como sempre, tangendo os deputados (alguns) e os senadores (alguns) para dentro do plenário, como se eles não fossem um fecho individual de nervos, e, portanto, não estivessem nervosos com essa lama que ainda não se circunscreveu à CPI mista, que está no começo, com denúncias todos os dias, como a que atinge, por exemplo, o senador presidente da comissão, sobre os prejuízos à Petrobras, no governo de quem? Do ex-presidente FHC.
Informações da Nacional Geografic, em canal fechado de TV, mostram que para ficar completa a vigilância total e efetiva da Amazônia, como um todo, será preciso ampliar a grade de cobertura com mais de 700 radares para que o Sivam tenha perfeito conhecimento de todos os vôos nessa grande área.
Sempre o futuro para atingir, sempre a ilimitada remessa de divisas, sempre as promessas, sempre a falta artificial de dinheiro, atingindo os orçamentos de todos os ministérios, inclusive da Defesa, das Forças Armadas, do Meio Ambiente, da Saúde, da Educação etc. É difícil analisar o péssimo estado que se encontra a economia brasileira como um todo, especialmente o abastecimento do mercado interno, o nível de emprego e o consumo das famílias artificialmente contido pela imposição de arrocho salarial.
Quando o Orçamento Geral da Nação, de iniciativa do Executivo, mas cujo último responsável é o Congresso Nacional, se manterá não como peça decorativa, sujeita a cortes posteriores, pois o seu vício básico é ser autorizativo e não impositivo?
É lamentável, porém, que o PT, em relação a sua função programática de longo curso, hoje se encontre presa a uma teia de contradições, haja vista sua inclinação pela continuidade do governo FHC, ou liberalismo, adotado como formulação global do G-7.
Nunca realizaremos nada efetivamente, pois seguiremos sempre como centro de atração às praças financeiras capitalistas, de transações voláteis e de capitais trânsfugas, televisionada sempre com destaque para acentuar o Risco Brasil, as moedas-padrão, ou destacando, nas salas de bate-papo dos canais de televisão, aqueles que têm as idéias centradas nessa globalização inevitável e irreversível, até que o mundo assuma outra visão, talvez humana e social, em futuro longínquo.
Aparece quase sempre nos jornais a notícia que mais uma nação aceitou financiamento do FMI, e até no novo Iraque, quando 30 dias depois de oficialmente terminada a invasão daquele país, à sombra da ONU, se instalava o FMI para dar o suporte técnico-financeiro e apontar as oportunidades de investimento na planície de Alá. Parece que o terrorismo internacional, especialmente o praticado pelos árabes, veio substituir o antigo muro de Berlim, a divisão oportuna entre capitalismo e comunismo.
O quadro sul-americano não é diferente da nova conjuntura internacional. Veja alguns exemplos ao acaso, no caso especial da Bolívia, dirigida pelo presidente da Corte Suprema, um afilhado que estudou em Harvard, nos EUA. Outro exemplo, aleatório, é a nova base militar americana que estão construindo no Equador, com financiamento cruzado do BNDES. Isso são pequenos exemplos, do domínio internacional, do poder mundial, provindo da nação hegemônica, sempre estudado pela Escola Superior de Guerra (ESG), e de difícil concretização.

Eser Barbalho Maia
Professor, membro do Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos e membro das academias de Letras do Estado do Rio de Janeiro e Pan-Americana de Letras e Artes.

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