Terremoto Antoine

Quem ouviu as inacreditáveis diabrites do cônsul do Haiti em São Paulo, Gerge Samuel Antoine, não tem dúvidas: não existe catástrofe natural pior do que certo tipo de elite. Sem saber que suas palavras eram captadas pelo câmera do SBT, Antoine comemorou a tragédia, dizendo que ela “está sendo boa”, porque “a gente fica conhecido”. E ainda ironizou os efeitos da religião no Haiti: “Acho que de tanto mexer com macumba, não sei o que é aquilo. O africano em si tem maldição. Todo lugar que tem africano está foda.”

Lenin às avessas
Ao chegar ao poder na Rússia, em 1917, no bojo da Revolução Bolchevique, Vladimir Illich Ulianov, Lenin, surpreendeu os SRs (Partido dos Socialistas Revolucionários), de oposição aos bolcheviques, ao adotar o programa dos SRs para o campo. A iniciativa se inscrevia na necessidade de o novo governo – cuja principal base num país agrário e atrasado economicamente era constituída por operários – ampliar a influência bolchevique entre os camponeses. Apesar da forte resistência enfrentada da cúpula dos SRs, Lenin, com essa decisão, avançou sobre a base rural daquela agremiação, cujas críticas ironizava, argumentado que “nunca vira um partido reclamar por ter seu programa adotado pelo governo”.
Como a história só se repete como farsa ou tragédia, pouco menos de cem anos depois, Lula, em outras condições políticas e com outros desafios – sendo o principal submeter o capital financeiro ao setor produtivo, simbolizado na sua aliança com o vice-presidente José Alencar – seguiu os passos de Lenin, porém, às avessas, adotando o programa do PB (Partido da Banca), mantendo e aprofundando o domínio da especulação sobre o Brasil.
No entanto, assim, como a adoção do programa dos SRs, se contemplou a grande maioria da base campesina daquele partido, não impediu que sua cúpula desferisse um atentado contra Lenin, em 1922, que o levaria a morte dois anos depois, a gratidão da banca tupiniquim a Lula, se desarma as críticas mais fortes que a mídia financista lhe poderia desferir, por manter o país estagnado, não o livra nem, principalmente, ao seu entorno de outros petardos.
Boa parte desses ataques, no entanto, resume-se a um moralismo tosco, que soa ainda mais deslocado na boca de quem, durante o interminável período tucano, tinha uma vasta folha corrida nesse campo. Resta, então, a tentativa desse tipo de mídia e sua base social e partidária buscar diferenciar-se de Lula no campo ideológico. Até, agora, pelo caráter abertamente reacionário desse tipo de críticas, tal opção tem resultado na ampliação do isolamento dos setores mais conservadores do país. É nesse contexto que devem ser examinadas as críticas da mídia sem bandeiras às intenções proclamadas no III Plano Nacional de Direitos Humanos: muita espuma e hidrofobia, para tentar compensar a impossibilidade de acertar o coração do governo: a política econômica pró-banca.

Em defesa do PNDH 3
A Comissão de Direitos Humanos e Minorias (CDHM) da Câmara dos Deputados, em parceria com o Movimento Nacional de Direitos Humanos (MNDH), o Fórum de Entidades Nacionais de Direitos Humanos (FENDH), a Abong e a Plataforma Dhesca Brasil e com o apoio de outras entidades e movimentos sociais, realiza, nesta segunda-feira, às 15h, em defesa do Programa Nacional de Direitos Humanos 3 (PNDH-3).

Solidária
A propósito de nota na véspera, indagando da Agência Reguladora de Serviços Públicos Concedidos de Transportes Aquaviários, Ferroviários e Metroviários e de Rodovias do Estado do Rio de Janeiro (Agetransport) o que mais falta para que sugira a cassação da concessão do Metrô do Rio, leitor sugere um plano B. Caso isso não ocorra, ele defenda que a empresa reduza o preço de suas salgadas tarifas: “Essa seria a menor compensação que a concessionária poderia dar aos seus clientes, principalmente, quando assume publicamente que, até 2011, continuará a operar com trens nas atuais e precárias condições.”

Longe do ar-condicionado
Em tempo, o governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB) também poderia sair do seu estrondoso mutismo em relação aos péssimos serviços da concessionária do Metrô Rio. No mínimo, para explicar por que, em troca de promessas de investimentos, prorrogou a concessão por 20 anos. Enquanto os investimentos prometidos não produzem efeitos práticos, Cabral, também, poderia solidarizar-se com os usuários, usando o metrô em seus deslocamentos a trabalho.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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