Terremoto na Itália poupa vidas, mas é cruel com a arte

Internacional / 05:49 - 1 de nov de 2016

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O terremoto de magnitude 6,5 na escala Richter que atingiu a Itália no último domingo, o mais forte da série de tremores que vem sacudindo o país desde o fim de agosto, não deixou mortos, mas provocou danos "impressionantes" - nas palavras do primeiro-ministro Matteo Renzi - ao patrimônio histórico, cultural e religioso. As informações são da agência Ansa. A começar pela basílica de são Bento, uma igreja construída no século XIV e que é símbolo da cidadezinha medieval de Nórcia, na Úmbria, porém da qual restou apenas a fachada. Todo o resto foi ao chão com o sismo, gerando algumas das imagens mais impactantes da tragédia. - A igreja de são Bento, em Nórcia, voltará. Todos sabemos que aqueles símbolos do terremoto devem voltar - disse Renzi, tentando tranquilizar os cidadãos. Mas os danos vão muito além da basílica. Na mesma Nórcia, intervenções urgentes foram realizadas para proteger a igreja de são Salvador, onde os abalos derrubaram diversos afrescos. Na capital e maior cidade do país, Roma, rachaduras foram registradas na Basílica de São Paulo Fora dos Muros, uma das quatro basílicas papais e a segunda maior delas, atrás apenas de São Pedro. Outro templo afetado foi a igreja de Sant'Ivo alla Sapienza, construída por Francesco Borromini e cuja cúpula sofreu avarias. Em Fermo, na região de Marcas, o prefeito Paolo Calcinaro determinou o fechamento do Domo, do Tribunal e do Palácio dei Priori, as três principais construções históricas do município, por conta da gravidade de danos estruturais que começaram a surgir com o tremor de 24 de agosto. Já na cidade de Macerata, também em Marcas, há preocupações com a estabilidade da cúpula de uma igreja que abriga uma obra-prima de Tintoretto chamada "La natività". A prefeitura discute uma maneira de evitar o desabamento da estrutura e danos irreparáveis ao trabalho do pintor maneirista italiano. Mas entre tantas notícias ruins, há suspiros de alívio. Em alguns casos, como o da Torre Cívica de Amatrice, os danos foram muito menores do que se imaginava. Obras de arte e objetos de valor das igrejas afetadas estão sendo levados para três depósitos situados em Cittaducale (no Lácio), Spoleto (Úmbria) e Ascoli Piceno (Marcas). O que é certo, segundo a secretária-geral do Ministério dos Bens Culturais, Antonia Pasqua Recchia, é que o tremor de 30 de outubro foi oito vezes mais violento do que o de agosto, embora este tenha sido muito mais mortal, com 298 vítimas. Novo tremor atinge a região central do país - Pelo terceiro dia consecutivo, a terra tremeu hoje e assustou a população da região central do país, que está devastada pelo terremoto de 6,5 graus de magnitude do último domingo e pelo sismo de 6 graus ocorrido em agosto. Uma réplica de 4,7 graus foi sentida por volta das 8h56 locais nas regiões de Marcas e Umbria. O chão balançou em Ancona, Perúgia e em alguns pontos da capital, Roma. Os tremores de terra estão ocorrendo sem interrupções na zona central da Itália desde o dia 24 de agosto, quando houve o primeiro grande terremoto, que destruiu a cidade de Amatrice. Quando o plano de reconstrução já estava em andamento, outros terremotos de menor magnitude sacudiram a zona central da Itália nas últimas semanas, culminando com o tremor de 6,5 graus do último domingo, que deixou rastros de destruição principalmente em Nórcia. "Tudo está desabando aqui. O que ainda não desabou corre o risco de desabar. A cidade está devastada", disse o prefeito de Castelsantangelo del Nera, Mauro Falcucci. "Felizmente, a última família que tinha uma casa habitável se convenceu a ir embora. Restam apenas cinco agricultores, os quais não podem se afastar de seus rebanhos", explicou o político, pedindo, porém, "medidas urgentes" para abrigar toda a população em tendas montadas pelas ruas. As autoridades italianas ainda não têm um balanço oficial do número de desabrigados. Somente na região de Marcas, fala-se em 25 mil pessoas, sendo que 21 mil estariam somente na província de Macerata. Na Umbria, calcula-se que haja 5 mil desabrigados, enquanto em Abruzzo, a estimativa é de 3 mil. Na região do Lazio, seriam 800 italianos sem-teto. Até o momento, cerca de 300 pessoas morreram, todas no terremoto de 24 de agosto. Os abalos sísmicos sucessivos não provocaram vítimas. Satélite mostra destruição - Nesta terça-feira, foram publicadas hoje as primeiras imagens de satélite da cidade de Nórcia. As fotos foram tiradas pelo aparelho Cosmo SkyMed, da Agência Espacial Italiana (ASI), e comparam a situação da cidade antes e depois do abalo sísmico. As informações são da agência Ansa. As primeiras imagens foram gravadas em Nórcia às 5h50 do dia 30 de outubro, horas antes do terremoto, ocorrido às 7h40. O satélite passou de novo pela cidade após o terremoto, às 5h50 de 31 de outubro. A análise foi elaborada pela empresa e-Geos, que já estava estudando os danos dos outros terremotos sentidos na zona central da Itália nos últimos dois meses. No mapa, foram sinalizados em vermelho os pontos que desabaram no terremoto ou que sofreram algum dano. Excluindo as áreas de vegetação, quase todos os quarteirões com imóveis construídos possuem a sinalização vermelha. "Os sensores detectam pequenas variações, por isso, o ideal é fazer uma análise mais detalhada sobre o tipo e a escala de cada dano", orientou a e-Geos. Nórcia é tida como a cidade mais afetada pelo terremoto de domingo, assim como Amatrice foi a mais atingida pelo abalo sísmico de 24 de agosto. Localizada na região da Úmbria, província de Perúgia, Nórcia tem cerca de 4,6 mil habitantes e uma área de apenas 274 km². Em uma zona da cidade, Castelluccio, a terra chegou a afundar 70 centímetros devido ao terremoto. Com informações da Agência Brasil, citando a Ansa

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