Tesouro e BC tentam controlar mercados

“A gente tem trabalhado de maneira conjunta, buscando reduzir a volatilidade do mercado, que é o nosso papel”, diz Guardia Nas...

Mercado Financeiro / 20:57 - 7 de jun de 2018

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“A gente tem trabalhado de maneira conjunta, buscando reduzir a volatilidade do mercado, que é o nosso papel”, diz Guardia

Nas últimas semanas, o dólar tem disparado frente ao real, enquanto que as taxas dos DIs saltavam diante de temores dos mercados com a cena política e fiscal do país. Na sessão desta quinta-feira (7) não foi diferente. A moeda norte-americana já rondava o patamar de R$ 3,90 e, nos juros futuros, cresciam as apostas de que o BC terá de elevar a Selic em breve, mesmo com a inflação baixa. O Banco Central e o Tesouro Nacional têm monitorado os mercados de câmbio e juros.

O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, afirmou que a atuação coordenada do Tesouro e do Banco Central nos mercados financeiros está de acordo com o que pode ser feito. Guardia não concorda com afirmações de que o Brasil esteja sofrendo uma espécie de ataque especulativo. Ele destaca que o câmbio no país é flutuante e a atuação do BC é no sentido de evitar fortes oscilações.

“A gente tem trabalhado de maneira conjunta, buscando reduzir a volatilidade do mercado, que é o nosso papel. O câmbio é flutuante, ele vai flutuar”, disse ele a jornalistas, acrescentando que o movimento de valorização do dólar é global, apesar das especificidades do Brasil, como o cenário eleitoral. “Acho que a equação está equilibrada dentro do que nós podemos fazer”, afirmou ele.

Assim, tanto o BC quanto o Tesouro têm atuado mais forte nos mercados por meio de leilões de swaps cambiais —equivalentes à venda futura de dólares—, compromissadas e títulos do governo.

Guardia voltou a dizer que os fundamentos externos do Brasil, como o fato de ser credor líquido em dólares, ajudava a amortecer as turbulências, mas manteve o mantra de que o país precisa continuar com o processo de reformas, como a da Previdência, que foi deixada de lado pelo presidente Michel Temer por falta de apoio político no Congresso.

“O Banco Central monitora, e tem atuado no mercado de câmbio quando julga oportuno. O Tesouro Nacional também tem olhado o mercado de juros para tentar reduzir a volatilidade neste mercado. Então, estamos atuando conjuntamente, de maneira coordenada”, disse. Ele acrescentou que o Tesouro Nacional tem um colchão de liquidez, o que permite reagir em momentos de maior volatilidade.

Operação de venda de títulos

Em meio às oscilações no mercado financeiro, o Banco Central (BC) realizou nesta quinta-feira uma operação extraordinária de venda de títulos com prazo de 9 meses. A decisão foi anunciada na noite anterior, com oferta de R$ 10 bilhões em títulos públicos, em uma atuação coordenada com o Tesouro Nacional.

Geralmente, o BC faz essas vendas de títulos com compromisso de recompra com prazo menor, entre 3 e 6 meses. Em nota, o BC informou que a operação tem o objetivo de “atender a demanda dos investidores”.

O Tesouro também está reforçando sua atuação por meio de leilões extraordinários de compra e venda de Notas do Tesouro Nacional, Série F (NTN-F). Fez isso nesta quinta e fará nesta sexta-feira

Mercado de câmbio

O BC também tem reforçado sua atuação no mercado de câmbio, por meio de swaps cambais, equivalentes à venda de dólares no mercado futuro.

Eduardo Guardia afirmou que existe uma tensão maior no mercado de câmbio no Brasil por causa das eleições deste ano. “Como sabemos, existe uma tendência global de valorização do dólar. E isso afeta a economia brasileira, como afeta outras economias, com maior intensidade as emergentes. Evidentemente tem as especificidades do caso brasileiro. Existe uma tensão maior dada pela transição política, em cenário das eleições. Tudo isso agrega volatilidade e incerteza aos mercados”, ressaltou o ministro.

Guardia reforçou que a economia brasileira tem fundamentos sólidos, com reservas internacionais “extremamente elevadas” e déficit em conta corrente financiado por investimento direto estrangeiro. “Tudo isso reforça muito a solidez da economia brasileira para enfrentar esse tipo de movimento [de alta do dólar]”, disse, ao ser questionado se está havendo especulação no mercado.

Com Agência Brasil

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