Por mais um ano, o Brasil apresentou resultados bastante insatisfatórios no EF EPI, índice mundial de proficiência em inglês, divulgado anualmente pela empresa de educação internacional EF Education First. Em comparação com o estudo de 2015, o país subiu uma posição no ranking (40° lugar), mas caiu na pontuação dos testes, passando de 51,05 para 50,66 pontos. O resultado do EF EPI 2016 mantém os brasileiros no nível de baixa proficiência no idioma, mesma classificação dos últimos três anos. O resultado só não foi pior do que o apontado em 2012, na segunda edição do estudo, quando o nível de proficiência dos brasileiros foi classificado como “muito baixo”. O levantamento também disponibiliza um ranking dos estados brasileiros. De acordo com o EF EPI 2016, o Distrito Federal apresenta os melhores resultados, seguido de Rio Grande do Sul, ambos com índice de proficiência moderado, e, em terceiro, São Paulo, com proficiência baixa. O estado com a pior classificação no ranking é o Mato Grosso, com proficiência muito baixa. O estudo também considerou a classificação por cidades. Os brasilienses, os paulistanos e os campineiros se saíram melhor e ficaram com as três primeiras colocações, todos com proficiência moderada.
O levantamento avaliou, através de testes de inglês online, gramática, leitura e compreensão de 950 mil adultos de 72 países e territórios que não têm a língua inglesa como idioma nativo. De acordo com o mapeamento, os holandeses são os que se comunicam melhor em inglês, seguidos dos dinamarqueses e suecos. Laos, Líbia e Iraque foram os países que apresentaram os piores resultados.
Mais do que um ranking de classificação de proficiência em inglês, o EF EPI se propõem a contribuir com constantes discussões sobre a importância estratégica do inglês no mundo de hoje. A primeira parte do relatório analisa a relação entre o inglês e uma série de indicadores socioeconômicos, incluindo poder aquisitivo, inovação e conectividade, e a segunda parte examina a posição do inglês em quatro diferentes regiões do mundo – Europa, Ásia, América Latina e Oriente Médio e Norte da África, discutindo os desafios e as oportunidades enfrentados pelos países nessas regiões à medida que eles se esforçam para desenvolver uma força de trabalho capaz de falar inglês.
– Em uma economia global volátil, a proficiência em inglês é uma das poucas habilidades com capacidade comprovada para gerar oportunidades e reforçar a empregabilidade. É preciso uma grande dose de esforço e investimento para dirigir um país ou empresa para um futuro com uma força de trabalho capaz de dominar o idioma – disse Minh N. Tran, diretor de pesquisa.
De acordo com o estudo, a proficiência em inglês na Europa continua a ser muito maior do que em outras regiões, com o Norte da Europa e a Europa Central liderando o mundo. Os resultados são atribuídos à promoção do poliglotismo. Promover o ensino de línguas estrangeiras visa facilitar a circulação dentro do Continente e proteger a diversidade linguística da região. No caso da Ásia, há uma divisão evidente entre os países que estavam anteriormente sob a influência do Império Britânico, onde o inglês por muito tempo desempenhou um papel importante na comunicação diária, caso de Hong Kong, Índia, Malásia, Paquistão, Filipinas e Cingapura, e os países onde o inglês é usado principalmente como uma língua estrangeira para comunicação com estrangeiros. O Oriente Médio e o Norte da África apresentam o menor nível de proficiência em inglês do mundo e o nível geral de proficiência está melhorando em apenas alguns países. Todos os países da região estão na faixa de proficiência mais baixa, com exceção do Marrocos e dos Emirados Árabes Unidos.
Na América Latina, a proficiência entre os adultos é fraca e diminuiu em muitos países desde o ano passado. Dos 14 países latino-americanos incluídos no índice deste ano, todos, menos dois – Argentina e República Dominicana – , apresentam queda nas faixas de proficiência mais baixas. A Argentina é, de longe, o mais forte país latinoamericano no que diz respeito à proficiência em inglês. Em geral, os professores de inglês na Argentina são altamente qualificados, pois precisam completar um programa de graduação de cinco anos para ensinarem em escolas públicas. Em sua mais recente lei nacional de educação, aprovada em 2006, o governo argentino tornou obrigatório o ensino do inglês como língua estrangeira nas escolas públicas para todos os estudantes desde a 4ª até a 12ª série.
Para Luciano Timm, vice-presidente de Relações Institucionais e Acadêmicas da EF, a demora de anos na implementação de um novo currículo que valorize o ensino da língua estrangeira e a falta de capacitação de professores tem refletido diretamente no resultado do Brasil.
– A razão pela qual outros países na América do Sul terem evoluído é justamente o investimento em reforma educacional. A implementação da nova política para o ensino médio, que determina que o inglês passe a ser disciplina obrigatória em todas as escolas, a capacitação de professores de ingles em larga escala e o uso inovador de metodologias de ensino podem mudar esse cenário.
Nas empresas – Como complemento do EF EPI, está sendo apresentado também o EF EPI Empresas (EF EPI-c). Trata-se de uma avaliação global, feita com 510 mil profissionais de 40 países e 16 indústrias, para avaliar as habilidades em inglês da força de trabalho. De acordo com o relatório, os executivos ficam atrás de seus funcionários nesse quesito. Além disso, na comparação por gênero, as mulheres aparecem na frente. Os profissionais com cargo de gerência são os que tiveram as melhores pontuações: mulheres (56,40) e homens (53,45). Na sequência, estão os integrantes do staff das empresas, com mulheres (52,50) e homens (49,67). A avaliação entre os executivos mostra os homens um pouco à frente (50,66), e as mulheres (49,49). O EF EPI-c concluiu também que países com força de trabalho que dominam o idioma têm correlação positiva com indicadores de inovação global, transparência do governo e facilidade de fazer negócios.
De acordo com o relatório, os brasileiros ainda precisam evoluir bastante. Entre os 40 países de 16 diferentes indústrias pesquisados, o Brasil aparece na 34ª colocação, com baixa proficiência. Na edição passada do EF EPI-c, em 2014, a situação não era muito diferente. Entre 32 países de 22 indústrias, o Brasil ficou em 27º lugar, também com proficiência baixa. Holanda, Dinamarca e Suécia ocupam as três primeiras colocações no ranking o EF EPI-c, com proficiência muito alta. Por outro lado, a maioria dos países latino-americanos, entre eles o Brasil, ocupa a faixa de proficiência baixa, algo que chama a atenção dada a importância do comércio internacional para esses países.
O estudo conclui que o inglês é um componente chave da competitividade econômica, tanto em nível individual quanto nacional. A maior proficiência em inglês está associada a rendas mais altas, melhor qualidade de vida, ambientes de negócios mais dinâmicos, maior conectividade e mais inovação; a variedade de habilidades associadas à proficiência em inglês é mais ampla do que jamais encontramos. Tanto Ásia quanto a Europa têm, pelo menos, um país em cada uma das quatro faixas de proficiência. A proficiência em inglês na Europa é a mais forte do mundo por uma larga margem, com os países do norte europeu ocupando as cinco primeiras posições no índice deste ano. Pela primeira vez na história, um país asiático, Cingapura, está na faixa de proficiência mais alta. A Malásia e as Filipinas também estão entre os 15 primeiros países do mundo. Embora o declínio seja leve, a América Latina é a única região que apresentou queda no nível médio de proficiência no último ano. Países do Oriente Médio e Norte da África estão uniformemente nas faixas de proficiência mais baixas e, na maioria deles, a proficiência em inglês não está melhorando. Mulheres falam inglês melhor do que os homens em quase todos os países e faixas etárias. Esta constatação tem sido consistente em todas as edições do EF EPI e jovens adultos (entre 18 e 25 anos) têm a proficiência em inglês mais alta no mundo inteiro, embora alguns países apresentem diferentes tendências nacionais.
IBGE: educação dos pais é determinante na formação e no rendimento dos filhos
O nível de instrução dos pais é fator determinante na formação educacional dos filhos. É o que mostra o estudo Suplemento de Mobilidade Sócio-ocupacional, da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios 2014, lançado hojepelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Foi a primeira vez que o instituto abordou a forma como a origem sócio-ocupacional pode influenciar a inserção laboral dos filhos.
Segundo os dados analisados, entre os pais que não eram alfabetizados aos 15 anos, 23,6% dos filhos também não eram na mesma idade e apenas 4% completaram o nível superior posteriormente. Entre os pais com nível superior completo, apenas 0,5% dos filhos não tinham instrução aos 15 anos, enquanto 69,1% também completaram o nível superior. O levantamento foi feito com pessoas a partir dos 25 anos e que moravam com o pai aos 15.
Quanto ao rendimento médio desses trabalhadores, a escolaridade do pai também apresenta forte influência. Entre os que não têm instrução, o valor vai de R$ 717 para quem não tem pai instruído a R$ 2.324 para quem tem pai com nível superior completo. Na população de trabalhadores com nível superior completo, a renda varia de R$ 2.603, quando o pai não tem instrução, a R$ 6.739 quando o pai também tem nível superior.
A análise apresenta leve variação quando se leva em conta a escolaridade da mãe, porém a tendência permanece a mesma observada com os dados do pai. Apesar de destacar a importância do suporte familiar, o IBGE ressalta que a formação e o rendimento do trabalhador envolve uma conjunção de fatores.
Outro fator analisado é a idade em que a pessoa entrou para o mercado de trabalho. Segundo o IBGE, enquanto 59,6% dos filhos de trabalhadores agrícolas começaram a trabalhar até os 13 anos de idade, o percentual cai para 7,5% entre os filhos de profissionais das ciências e das artes. A maioria dos filhos dessa categoria entra no mercado entre os 20 e 25 anos, com 30,8%. Entre os filhos de trabalhadores de serviços administrativos, 40,8% começam a trabalhar entre 14 e 17 anos, percentual que sobre para 48,9% entre os filhos de trabalhadores da produção de bens e serviços e de reparação e manutenção.
A idade com que a pessoa entra no mercado de trabalho também varia conforme a situação de ocupação dos pais. Enquanto 46,6% dos filhos de pessoas sem carteira assinada ingressam no mercado até os 13 anos, a proporção cai para 15,2% entre os filhos de militares e funcionários públicos estatutários.
Do total de entrevistados, 33,4% reproduziram as ocupações dos pais, 47,4% melhoraram as condições de trabalho em relação aos pais e 17,2% ocuparam postos com maior vulnerabilidade e menor rendimento. Na comparação com a ocupação das mães, o IBGE identificou mobilidade ascendente de 45,2% e mobilidade descendente de 11,5% na ocupação dos filhos.
Com informações da Agência Brasil
















