TI é coisa de mulher

Mulher em TI representa apenas 20% do total dos profissionais inseridos no mercado.

Conhecida como uma das áreas mais masculinas do mercado de trabalho, a Tecnologia da Informação (TI) vive uma “mudança de ares” provocada pelo aumento de profissionais femininas nos últimos anos, porém os índices ainda estão longe de serem igualitários. A mulher em TI representa apenas 20% do total dos profissionais inseridos no mercado.

Dados apresentados pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), do Ministério da Economia, apontam um crescimento de 60% na representatividade feminina na área de TI nos últimos cinco anos – passando de 27,9 mil mulheres para 44,5 mil.

Esse índice também não é diferente em outros países. Nos Estados Unidos, por exemplo, mulheres ocupam 25% dos empregos em TI, de acordo com o último censo realizado.

Em todo mundo, estima-se que há mais de 580 mil profissionais no setor de tecnologia. Nurielly Caroline Brizola, CTO da startup Gasola – que conecta empresas que possuem frota com postos de combustíveis de todo o Brasil, por meio de uma plataforma 100% digital – faz parte desta estatística.

Formada em análise e desenvolvimento, Nurielly ressalta que empresas tem criado iniciativas como cursos exclusivos para mulheres e mentoria na área de TI, e ações como estas tem proporcionado mais oportunidades para o sexo feminino.

A CTO da Gasola conta que desde criança, o maior interesse era por brinquedos eletrônicos, carrinhos ou objetos que possuíam algum tipo de interação mecânica. A brincadeira consistia em desmontar e montar novamente todos os componentes. “Com o passar dos anos, os brinquedos passaram a ser computadores. Com 15 anos eu trabalhava em casa com manutenção e limpeza de computadores. Instalava programas e jogos para vizinhos. Aos 18 anos fui trabalhar em uma lan house e entrei num curso técnico em informática, focado em programação. Foi nesse curso que descobri o que eu realmente queria seguir profissionalmente”, relembra.

Nurielly, que residia em Telêmaco Borba, no Paraná, enfrentou dificuldades para conseguir uma vaga na área de programação na cidade. “O município que eu morava é movido por uma fábrica de papel. Não tinha muitas oportunidades na área de programação. Então, quando acabei o curso técnico, resolvi guardar dinheiro e fui para Maringá (PR) fazer um tecnólogo e procurar por emprego na área”.

Em Maringá, Nurielly ficou por três anos e integrou empresas como desenvolvedora. Tempos depois, recebeu proposta para um trabalho em Blumenau (SC). Neste período ela foi indicada para a Gasola.

“Eu trabalho na Gasola desde o início da construção da plataforma e, conforme a plataforma ia crescendo, fui crescendo junto com ela. E, então, fui chamada para entrar como CTO para ser responsável pela área e suportar o crescimento exponencial da empresa”, completa.

Para a CTO da Gasola, apesar do crescimento no número de mulheres em TI, ainda é uma área que precisa reduzir preconceito. “A área de TI para mulheres pode ser bem hostil dependendo da empresa. Já passei por diversas situações e vejo amigas passando por isso no dia-a-dia delas. Mas acredito que com mais e mais mulheres marcando presença e se destacando em TI, essa situação diminua cada vez mais”.

O tema diversidade tem sido ampliado e tem proporcionado até mesmo mais segurança para as mulheres na hora da escolha profissional. “Temos alcançado muito mais nos últimos tempos. Temos mais mulheres em cargos de coordenação, scrum master, tech lead. O que deixa, cada vez mais claro, que TI é coisa de mulher, sim!”.

Reduzir os custos de combustível para as transportadoras e ampliar a margem de lucro dos postos. Esta é a finalidade da startup Gasola, que em dois anos no mercado, realiza cerca de R$ 10 milhões em transações financeiras por mês.

A startup tem como modelo de atuação uma plataforma digital que estreita o relacionamento entre transportadoras e postos de combustíveis de todo o Brasil, por meio de controle de gestão e aplicativo utilizado pelos motoristas na hora do abastecimento.

Diferentemente dos meios tradicionais de pagamento existentes no país, o Gasola não possui nenhum custo com postos, gerando maior potencial de negociação para transportadoras na compra de combustíveis.

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