Tijolo furado

O preço da moradia aumentou, entre 1997 e 2005, quase 200% na Irlanda, mais de 150% na Grã Bretanha e cerca de 150% na Espanha, informa o professor Pedro Videla, da Iese Business School (Espanha). Ele acredita que a “bolha” imobiliária continuará a murchar este ano, inclusive nos Estados Unidos, onde a hipervalorização dos preços dos imóveis ajudou a levar a dívida do norte-americano a superar em 40% a renda disponível.

Pró-Brasil
Na virada do ano, um eficiente trabalho feito pelos setores de couro e calçado junto ao ministro do Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, garantiu o aumento da alíquota de exportação de couro wet blue, de 7% para 9%. Há alguns anos, foi iniciada a política suicida de reduzir a taxa sobre a venda dessa matéria-prima ao exterior. A alíquota caíra de 9% para 7% e estava previsto que iria a 4% este ano, decisão modificada na Camex com auxílio do ministro. O wet blue é o segundo estágio do tratamento do couro e custa cerca de 35% do valor do produto mais elaborado. A exportação a preços baixos beneficia a China, que compra nossa matéria-prima e depois a envia de volta na forma de sapatos, com alto valor agregado, ajudando a dizimar a indústria de calçados brasileira.

Direitos
Quem acusa o bloqueio do site YouTube de ser um caso de censura confunde liberdade de informação com prática de crimes, como calúnia e difamação. Seria como um estranho invadir a sua casa e, ao ser instado a sair, reclamar que estão cerceando seu direito de ir e vir.

BB 100%
Sensibilizada com a decisão do marketing do Banco do Brasil de transformar seus clientes em donos de agências, esta coluna aproveita para avisar à praça: desde já, nas agências que levem os nomes destes colunistas, está abolida a cobrança de qualquer tarifa bancária. A medida inclui, obviamente, as cobradas de correntistas compulsórios, como os detentores de conta salário, que foram surpreendidos, no início de 2007, com o aumento da “tarifa de manutenção” de R$ 8 para R$ 15.

Choque
Os funcionários do Iaserj realizam assembléia nesta quinta-feira para discutir a possibilidade, ventilada pelo governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, de o hospital ao Sistema Único de Saúde (SUS). A presidente da Associação dos Funcionários do Iaserj e diretora do Sindsprev/RJ, Marilea Ormondi, disse que os funcionários foram “surpreendidos” pela notícia, uma vez que o governador, quando em campanha, havia prometido a recuperação do hospital. O projeto dos funcionários é manter o hospital, em gestão participativa, pelo desconto de 2% em folha para o Sistema Integrado de Saúde dos Servidores Públicos (Saserj).

Salvando o Natal
No fim do ano passado, foram criadas cerca de 90 mil vagas temporárias no país, de acordo com a Associação Brasileira das Empresas Prestadoras de Serviços Terceirizáveis e Trabalho Temporário (Asserttem). Desse total, 32% foram geradas em São Paulo, 15% no Rio de Janeiro e 11% no Rio Grande do Sul. Pena que, passadas as festas e com o espetáculo do crescimento resumido à retórica presidencial, a maior parte dos temporários voltará a engordar a fila dos desempregados.

Número antigos
“Um dois maiores absurdos cometidos pelo Governo Lula foi ter cancelado a recontagem do censo nacional do IBGE, depois de cinco anos”, critica o prefeito Cesar Maia, em seu Ex-blog. O país será obrigado a trabalhar com os números do censo 2000 até 2010. “O Pnad certamente não substitui a recontagem do censo. Por exemplo, para reavaliar a participação dos municípios no fundo de participação, para identificar correntes de migração inter-regional, intra-regional, intraestadual e intramunicipal.” Maia, que afirma que ainda dá tempo de corrigir a medida aproveita para alfinetar o Governo Federal ao especular sobre os motivos da suspensão: “Medo dos números na época?”

Irresponsabilidade fiscal
A serem verdadeiros os argumentos dos governadores empossados este ano sobre a situação caótica dos estados, inclusive, supostamente, a inexistência de dinheiro em caixa para pagar salários, servirão de epitáfio da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). Afinal se a LFR não serve para barrar esse tipo de incúria administrativa, qual sua finalidade? Institucionalizar o aperto fiscal para garantir o pagamento de juros?

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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