Tijolos de ouro

Quando Jim O'Neill, do Goldman Sachs, criou o acrônimo Brics, em 2001, pouca coisa unia Brasil, Rússia, Índia e China do que...

Quando Jim O'Neill, do Goldman Sachs, criou o acrônimo Brics, em 2001, pouca coisa unia Brasil, Rússia, Índia e China do que um nome forte que atendia à especulação financeira de então. Os quatro países tinham grandes distâncias econômicas, sociais e culturais e em nada se assemelhavam a um bloco. Mas o que poderia ter ficado apenas numa jogada de marketing acabou assumindo proporções não previstas, especialmente do ponto de vista geopolítico. Com a adesão da África do Sul, o bloco se consolidou e, ainda que com grandes diferenças, as cinco nações passaram a atuar conjuntamente no cenário mundial.

O Brics, gostem ou não os financistas de Londres e Nova York, é uma potência econômica. Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul reúnem 42% da população mundial, 45% da força de trabalho, 30% da superfície terrestre, respondem por 58% da demanda mundial de petróleo e têm PIB conjunto de US$ 16,5 trilhões, o equivalente a 23% do produto global. Há estimativas de que o PIB do Brics supere o do G7 por volta de 2032. Metade do crescimento da economia mundial se deve ao bloco – ainda que concentrado na China e na Índia, com os demais países abatidos pela crise global.

Na tradução chinesa para o acrônimo criado por O'Neill, as letras têm o sentido literal “países de tijolo de ouro”, e transmitem confiança no futuro. A China se esforça para dar musculatura ao bloco, que ainda padece de desconfianças e desequilíbrio. As relações sino-russas são as mais avançadas. Já na Índia é grande a descrença, sendo os chineses muitas vezes vistos como imperialistas. Mas o fato é que o bloco realizará a nona cúpula em setembro, na bela cidade litorânea chinesa de Xiamen. A cada ano, novas instituições do Brics vão tomando forma. Talvez a mais importante, o Novo Banco de Desenvolvimento, confrontação direta ao sistema financeiro internacional.

Ainda que o peso empregado pela China seja desproporcional – até pela vitalidade de sua economia – ao dos demais parceiros, caberá a cada país lutar pelos seus interesses e estabelecer a agenda conjunta. Em um cenário em que não se sabe qual será o presidente brasileiro que comparecerá à cúpula, o Brasil está alguns passos atrasado. Mas nada que não possa ser recuperado com um governo legítimo, respaldado pelo apoio popular.

 

Petrolão e trensalão

A Dresser-Rand, uma empresa do grupo Siemens, acabou de finalizar a entrega do último trem de compressão de um total de 80 adquiridos pela Petrobras e parceiros, parte do maior contrato de fornecimento da história da empresa até data de assinatura do contrato. Após concorrência com outros grandes fabricantes de equipamentos, em 2011, a Dresser-Rand foi escolhida para fornecimento de soluções para oito plataformas de prospecção de petróleo do projeto denominado Replicantes. O valor inicial do contrato foi de US$ 723 milhões.

A empresa alemã não tem problema em ser fornecedora da Petrobras, apesar de uma mancha no Brasil: a participação no escândalo conhecido como trensalão tucano. Um funcionário da Siemens detalhou, em 2008, o esquema de propinas em projetos do Metrô e da CPTM de São Paulo e do Metrô do Distrito Federal. A Siemens delatou o cartel ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).

A investigação e os processos, ao contrário do petrolão, caminham a passos de cágado – quando caminham.

 

Teia da habitualidade

Entrepreneur’s Journey in Search of Solidary Knowledge (Diário de um Empreendedor em busca do (re) conhecimento solidário) é o título do livro que o professor e empresário Alfredo Laufer acaba de lançar na National Library of Sacramento na California, onde participou de cursos de inovação em ano sabático na Universidade Davis. O livro também está sendo vendido na Amazon.

Laufer revela que levou certo tempo para entender uma “doença” que parece coletiva. “Seus sintomas são paralisantes, fazendo-nos verdadeiras marionetes envoltas numa espécie de 'teia da habitualidade'.” Para escapar dessa 'teia' , o autor se propôs à construção de uma organização mental, calcada no que chamou de “Trilogia L”. No Diário do Empreendedor são registrados apontamentos pessoais, sentimentos e observações, a partir dos quais “nascem” as prioridades a serem apontadas e trabalhadas.

 

Rápidas

A Facha realiza, em 24 de junho, a oficina “Jornalismo de TV, da pauta ao VT”, com o jornalista Vandrey Pereira, ex-Globo. O objetivo do curso é oferecer conhecimento prático sobre o jornalismo na televisão, incluindo um um panorama do mercado de trabalho, novas oportunidades e as novidades do mundo digital. Inscrições em http://extensao.facha.edu.br/cursos/jornalismo/283-jornalismo-de-tv *** O Ministério do Trabalho divulga, nesta terça-feira, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) referentes a maio. Como a divulgação será feita pelo ministro Ronaldo Nogueira, pode-se esperar números positivos.

Marcos de Oliveira
Diretor de Redação do Monitor Mercantil

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